domingo, 2 de setembro de 2012

QUASE PERFEITO SÓ COMIGO

Esta é minha última coluna do Quase Perfeito ao lado de Cínthya Verri. A partir do próximo número do Donna, assumo a página sozinho.
Consultório Poético de 2010 - Globo

Faço o consultório sentimental desde 2006, iniciado na revista Superinteressante, depois blog, site da Globo e agora jornal Zero Hora. Havia sido a primeira vez que abri meu espaço para uma parceria, que durou somente cinco meses.

* * *
CASAMENTO ABERTO DÁ CERTO?
 
Arte de Cínthya Verri
 
“Durante 13 anos fui monogâmica, mas com muitas escapadas do marido. Agora, ele veio com a receita ideal: o casamento aberto. Até gosto de me sentir desejada por outros homens e consegui encontrar prazer, mas ao mesmo tempo morro de ciúmes dele com outras mulheres. Isso pode dar certo? Carinho, Maria."

Querida Maria,

O problema do casamento aberto é que ele logo se torna escancarado.
 
Casamento aberto é uma invenção de quem já traía.
 
Casamento aberto é uma fachada de lavagem de dinheiro.
 
Casamento aberto é colorir a amizade e desbotar o amor.
 
Casamento aberto é uma forma intelectual de acumular mulheres.
 
Casamento aberto é agência para recrutar nova esposa.
 
Casamento aberto é dividir os méritos, mas não dividir as dívidas.
 
Casamento aberto é substituir a sinceridade pela bajulação.
 
Casamento aberto é o conforto para os indecisos e os mornos.
 
Casamento aberto é quando o ciúme é menor do que a realidade.
 
Casamento aberto é se sentir desejada por todos os homens, menos por aquele que você deseja.
 
Casamento aberto é a receita ideal para uma vida de solteiro.
 
Casamento aberto é menosprezar a dependência dos hábitos.
 
Casamento aberto é concurso de sósias.
 
Casamento aberto é falsificar o pecado original.
 
Casamento aberto é apagar até a possibilidade de trair.
 
Casamento aberto é transar no divã.
 
Casamento aberto é admirar a sogra mais do que a esposa.
 
Casamento aberto é fazer discussão de relacionamento com amantes.
 
Casamento aberto é perder o privilégio da vigília, de alguém acordado por você reclamando que é tarde demais.
 
Casamento aberto é ter o sonho assaltado toda semana.
 
Casamento aberto é transformar o sexo oposto em sexo aposto: casamento, aberto.
 
Casamento aberto é anular a cobrança e a crítica que você possa receber: é a impunidade amorosa.
 
Casamento aberto é trocar as portas pelas cercas, é trocar os cabelos pelos chifres, é trocar a confiança pelo medo.
 
Casamento aberto é para quem não tem coragem nem de se casar muito menos de se separar.
 
Abraço com toda ternura,
Fabrício Carpinejar

Querida Maria,
 
Existem casais com casas separadas; com ou sem filhos; do mesmo sexo; com gatos e cachorros.  Tantos casais além da imaginação. Qualquer tipo de união pode dar certo.

Estima-se que em torno de um terço dos casamentos é firme e prolongado.
 
Simone de Beauvoir encarnou o papel de feminista forte e inteligente. Ficou famosa quando escreveu que o casamento era imoral - o horror de tomar uma decisão definitiva que envolvesse não só o eu de hoje, mas também o eu do futuro.
 
Vivia com Jean-Paul Sartre, um pensador que defendia a individualidade e a liberdade. Um homem que se relacionava “livremente”, com muitas mulheres, talvez mais para comprovar sua tese do que por necessidade amorosa. Simone arranjava mulheres para Sartre e depois caía de cama, literalmente doente de ciúmes.
 
Foram mentes fundamentais para entender nosso século, mas que não parecem ter desenvolvido uma vida plena entre eles.
 
Os casamentos ditos abertos, com excessivas aventuras, costumam ser os mais pobres.
 
O prazer da variedade de parceiros pode encobrir a incapacidade afetiva. Na maioria das vezes, não passa de uma adolescência persistente.
 
O casamento é bom quando a dupla se entende e cada um se revela ao outro progressivamente.
 
De modo geral, o casamento aberto é um teatro onde as pessoas são os atores e o público.
 
Seu caso parece mais uma separação pela qual não quer pagar. É querer escolher sem ter perdas. Uma vida que não assumimos é uma vida pela metade.
 
Arrisco um palpite: você não sentiu ciúme de seu marido, mas gostou das novas conquistas e da possiblidade de ser desejada por outros homens.
 
Agora falta abrir a carteira e quitar as dívidas.
 
Beijos meus
Cinthya Verri

Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, Caderno Donna, p. 6
Porto Alegre (RS), 02/09/2012 Edição N° 17180

Preservamos a identidade do remetente com nome fictício.
Nossos palpites amorosos não substituem consulta, terapia, exorcismo e qualquer tratamento técnico.
ESCREVA PARA colunaquaseperfeito@gmail.com

O AVESSO AMOROSO


Cautela ao fazer exigências sentimentais. O amor não respeita idealizações, desobedece condições climáticas.
 
O amor é tudo o que você não esperava que fosse amar numa pessoa.

Ouça meu comentário na manhã de sábado (1º/9) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, apresentado por Rafael Colling e Fernando Zanuzo:
 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

MÁQUINA RECEBE ELKE MARAVILHA

Colares, perucas, roupas brilhantes, olhos de Egito Antigo, oito idiomas: Elke Maravilha encantou A Máquina.

Meu programa recebeu a mítica figura da televisão brasileira que ganhou popularidade nos anos 70 e 80 como jurada de programas de calouros como os de Chacrinha (1917-1988) e Silvio Santos.

Acompanhe como foi a arena de risadas e confidências. O encontro aconteceu na noite de terça-feira (28/8), na TV Gazeta.

LUGAR DE SER

Arte de Salvador Dali

Estou solteiro de novo.
 
Ela se separou de mim. Mas eu não me separei dela.
 
O desagradável é que sou escritor, eu trabalho em casa. Não conto com um escritório para fugir e mudar de assunto. Identifico sua falta a todo instante.
 
Venho buscando mudar de hábitos, mas não está surtindo efeito. Passei a espiar classificados.
 
Localizo alguém vendendo uma telepizza.
 
Em vez de pensar:
- Como assim telepizza? Que absurdo, o que o cara está vendendo é apenas uma linha telefônica.
 
Eu penso:
- Coitado, ele está vendendo uma telepizza. Quase compro por compaixão.  Eu não me divirto com aquilo que eu achava engraçado, eu me comovo.
 
Continuo descendo para levar a Cora a fazer xixi três vezes ao dia, mas sem a Cora, nosso cachorrinho foi junto.
 
Meu coração é um cativeiro.
 
Tenho o controle remoto da tevê, mas me enxergo sem opção.
 
Tenho a liberdade do mundo para sair, e me sinto preso.
 
Tenho tempo de sobra, e me vejo sempre atrasado.
 
Tenho espaço nas prateleiras e nas estantes, mas nunca encontro o que quero.
 
Tenho a cama inteira à disposição, mas permaneço dormindo no cantinho.
 
Ninguém rouba mais minhas cobertas, mas sinto frio. 
 
Retirei os porta-retratos da residência.
 
Mas olhar dentro da geladeira é também um porta-retrato dela.
 
Olhar a geladeira é descobri-la: seus morangos, sua mostarda forte, seu pãozinho integral, sua cerveja. 
 
Como diz Karl Marx, que entendia tudo de divórcio:
 
"Separados do mundo, uni-vos"

Ouça meu comentário na manhã de sexta-feira (31/8) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, apresentado por Antonio Carlos Macedo e Fernando Zanuzo:
 

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

TRISTEZA ENVELHECE

O limite do beiço é a chatice.

Cuidado para não amolar os outros com suas tristezas velhas.

O quadro DRnaTV, da TVCOM,  alivia o peso da mala.

A mediação é de Sara Bodowsky. O encontro aconteceu na noite de terça-feira (28/8).

PIQUENIQUE NO QUARTO

Arte de Eduardo Nasi
 
Tomo o café da manhã em etapas.

A primeira no quarto, bem apressado, enquanto me arrumo. Com pãozinho fresco e cafezinho preto tirado na hora (nem um minuto a mais na chapa da cafeteira). Em seguida, me encaminho para a cozinha onde como frutas. Por fim, sento na sala, para ler e-mails e mastigar omelete preparada pela minha fiel escudeira Cleonice.

Faço questão de ocupar todos os aposentos com o café da manhã. A louça fica espalhada perto das roupas que não foram sorteadas para meu corpo naquele dia.
 

* * *
 
Tudo termina de pernas para o ar: gavetas abertas, livros espalhados, papéis voando.

Sou mais anárquico do que mulher se vestindo.

Residência com mulher se vestindo não precisa de faxina, mas de reforma. O meu caso é mais grave: necessito trocar de endereço.

* * *
 
A pressa é enamorada da perfeição.

Demoro a realizar o simples. A elegância está em testar combinações estranhas e se odiar no espelho.

Provo dezenas de roupas para voltar a gostar do primeiro conjunto.
 
* * *
 
Vestir-se é um agradável remorso.

* * *
 
A criatividade depende dos lapsos.

Sempre estou alterando o contexto dos objetos. Mudando raízes de lugar. Misturando coisas que não se falavam, como guarda-chuva e violão, azeite e ferro de passar.

Fui puxar hoje a porta do armário e encontrei um pratinho cheio de farelos ao lado da pilha de camisas.

E um copo com espuma de laranja rente aos blusões.

E uma xícara assediando as calças.
 
* * *

 Ri da minha baderna. Como quem compreende que não tem conserto.
 

* * *

 Era uma explicação poética: as roupas comiam em segredo, por isso não me apertavam. As roupas engordavam comigo. Alimentava meus panos para não me sentir fora do peso.


* * *

Também lembrava uma casinha de passarinho, um chamado de floresta. Logo meu guarda-roupa será uma gaiola, com uma ninhada na gaveta das gravatas.

Os passarinhos serão os cabides e levarão as roupas para o Shrek se vestir.

Uma delicadeza abrir o armário do quarto e enxergar um prato com casquinhas e restos de miolo.

O lençol como uma toalha de mesa. A toalha de mesa como um lençol.

Minha casa é um piquenique a céu fechado.

 





Crônica publicada no site Vida Breve
Colunista de quarta-feira

terça-feira, 28 de agosto de 2012

CADÊ MINHAS LEMBRANÇAS FELIZES?

Arte de James Ensor

De todas as conversas que tive com minha mãe, só lembro aquela que me magoou.
 
De todos os nossos longos e curtos diálogos no carro, no ônibus, em casa, nas praças, nas caminhadas pelo bairro.
 
Milhares de cumprimentos, de abraços, de risos, de colos, de palavras de incentivo, de piadas e recordações, e o que guardo é ela dizendo que não presto.
 
Uma única vez em que não prestei entre um turbilhão de outras em que fui tratado como um príncipe.
 
Por que essa ingratidão memorativa? Por que essa desigualdade evocativa?
 
De todas as conversas que travei com meu irmão, só conservo a que nos separou.
 
A gente fez castelo juntos, jogou futebol, armou casinhas, confabulou planos, inventou segredos; centenas de dias ensolarados e noites de insônia partilhadas e agora desaparecidas entre o hipocampo e o córtex frontal.
 
O que ficou de agradável: nada.
 
Estou por concluir que a memória abomina a felicidade.
 
Não cuidamos dos positivos das lembranças, apenas colecionamos os negativos.
 
Não nos esforçamos para guardar os bons momentos porque temos a ideia – equivocada – de que são obrigatórios.
 
Há o entendimento de que normalidade é acumular glória na vida enquanto a dor é um acidente de percurso. Há a convicção de que a alegria é uma condição natural enquanto a cara fechada é uma exceção (não seria o contrário?).
 
Predomina em nós a compreensão ingênua da felicidade como facilidade e da tristeza como dificuldade. Ser feliz seria simples e ser triste consistiria numa tremenda injustiça.
 
Uma noção do mundo em linha reta, de amor em abundância, provocando o desperdício constante e perigoso.
 
Não preservamos as delicadezas, assim como não economizamos água, já que ela verte com ligeireza pela torneira da residência.
 
Não poupamos as cenas comoventes, assim como não economizamos luz, já que ela depende de um clique para clarear as paredes.
 
Não embrulhamos a ternura, esnobamos. Parece que é um dever recebê-la, que nossa companhia precisa nos oferecer sempre o cotidiano mais precioso. Devoramos um bolinho de chuva pensando no próximo. Beijamos a boca de nossa mulher cobiçando o segundo, o terceiro e o quarto beijo.
 
O que é ruim é solene. O que é bom é descartável.
 
A morte se torna mais inesquecível do que o nascimento. O atrito surge mais consolidado do que o primeiro encontro. A ruptura se destaca diante dos acordes iniciais da amizade.
 
Temos amnésia da leveza, pois deduzimos que virá mais e mais no dia seguinte. Não criamos álbuns de nossas gargalhadas, mas recortamos as cenas rancorosas e amargas como se fossem definitivas e esclarecedoras.
 
Somos algozes da felicidade e, ao mesmo tempo, vítimas da infelicidade.
 





Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 2, 28/08/2012
Porto Alegre (RS), Edição N° 17175

QUANDO O COMPUTADOR ESTRAGA

Arte de James Ensor
 
Não tem nada que me irrite tanto: quando meu computador estraga.
 
É um terror. Sofro o medo de perder todos os arquivos, emails e textos.
 
Depois sofro o pânico de ser enganado com o conserto.
 
Qualquer coisa que seja dito, eu vou acreditar. Acho que essa sensação de ser passado para trás vem da falta de comunicação. O técnico chega calado e sai quieto.
 
Não explica passo a passo o que aconteceu, não anota formas de prevenir, não detalha o que encontrou. Talvez nem ele saiba o que fez para arrumar.
 
Por mais que eu coloque antivírus, o problema continua sendo o antivírus.
 
Por mais que atualize o antivírus, faltou alguma atualização.
 
Os problemas sempre são os mesmos. Desde meu primeiro PC.

Ouça meu irreverente comentário na manhã de terça-feira (28/8) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, apresentado por Antonio Carlos Macedo e Fernando Zanuzo:

 

domingo, 26 de agosto de 2012

ANTESSALA DA SEPARAÇÃO

Arte de Cínthya Verri
 
“Tenho medo de ser trocada. Namoro há um ano, e de uns dois meses para cá, meu relacionamento está diferente. Acho meu namorado distante. Tudo o que acontece me faz pensar que ele está a fim de outra, a começar pelas mulheres que adiciona no Facebook. Será que estou neurótica ou ele manda sinais para pular fora? Beijo, Elis”

Querida Elis,
 
Não está neurótica. É uma constatação de que o relacionamento esfriou. Observou que ele age diferente e já é necessário tomar uma atitude.
 
Dividir a dúvida é melhor do que telepatia. Caso ele se sinta ofendido com a pergunta, tanto faz, pelo menos estará avisado. Essencial que ele tome conhecimento de que você sabe que algo mudou, que não vão se distanciar impunemente.
 
A maior causa de morte do amor é a omissão: o outro enxerga o fim, mas não quer acreditar.
 
Quais os sinais do tédio amoroso?
 
Quando ele não responde as provocações costumeiras, não explica os trabalhos, passa a dormir no lado contrário da cama, não tem paciência nem para se chatear e lhe dá razão de graça, não renova convites para sair e se contenta com sua primeira recusa, faz questão de viver pela casa em horários diferentes, evita a convivência com sua curiosidade, a agenda social dele deixou de incluí-la.
 
O tédio é a antessala da separação. Há um longo corredor pela frente, que pode ser alterado com sua disposição em ouvir e entender o que vem aborrecendo seu namorado. Deve ser uma frustração pequena que cresceu em silêncio. O incidente que gerou a tristeza deve ser bobo para você, mas importante para ele, por isso não reparou.
 
Sobre o medo de ser trocada, não tem nada ver, é um segundo momento, quando a monotonia não produz nenhuma revolução.
 
Não sofra com as mulheres que ele adiciona no Facebook. Na hipótese de traição, apagaria os contatos.
 
Homem infiel não é frio, não é quieto, mas exagerado. Com culpa no cartório, busca sufocar a verdade comprando presentes, flores e se derramando em elogios e declarações à toa.
 
Abraço com toda ternura,
Fabrício Carpinejar

Querida Elis,
 
O movimento de translação é aquele que a Terra realiza ao redor do Sol junto com os planetas. A velocidade média para viajar esta órbita é de 107.000 km por hora, e o tempo necessário para completá-la é de 365 dias, 5 horas e cerca de 48 minutos.
 
Esse tempo que a Terra leva para dar uma volta completa em torno do Sol é chamado ano.
 
É um bom período de tempo para conhecermos alguém. Doze meses de convivência contam na construção do entendimento sobre suas rotinas, seus hábitos, suas estações. É a primeira apresentação, a primeira grande volta que damos juntos. Uma páscoa, um natal, férias de julho, um inverno, um verão, um dia dos namorados, os aniversários e assim por diante. Vocês estão à beira do convite para prosseguir. Será que não desejam? O que será que está assustando?
 
Desenvolver um namoro depende dos dois; gostar conta com a contribuição de ambos. Se a relação perdeu a força, é preciso olhar melhor e conversar tão logo possível e com a máxima franqueza que se conseguir. A conversa é o mestre-sala dos mares.
 
Pensar que seu namorado planeja terminar pode estar encobrindo sua própria vontade de partir.  Quando um começa a ser menos carinhoso, e não se dá conta pode provocar o desinteresse sem necessariamente assinar a autoria.
 
Quando as coisas não estão claras dentro da gente, é pretensioso procurar a nitidez dentro do outro. Investigue a si mesma: já renderia uma série policial imensa e interessante. Garantia de aventuras sem fim. E mais: na dúvida, faça o que você quer. Se a vontade dele concorda com a sua, melhor; se não, nada há a fazer.
 
Beijos meus,
Cínthya Verri
 
Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, Caderno Donna, p. 6
Porto Alegre (RS), 26/08/2012 Edição N° 17173

Preservamos a identidade do remetente com nome fictício.
Nossos palpites amorosos não substituem consulta, terapia, exorcismo e qualquer tratamento técnico.
ESCREVA PARA colunaquaseperfeito@gmail.com

sábado, 25 de agosto de 2012

CUIDE DE SI PARA CUIDAR DAS MULHERES

Arte de Francesco del Cossa

A violência contra a mulher não é problema dos outros, mas dentro da gente.

No momento da briga, não fique perto, permaneça longe. Como se fosse jogar vôlei e houvesse uma rede imaginária separando vocês.

E não abrace nunca para acalmá-la, mesmo que seja com a intenção de terminar a gritaria. Abraçar numa discussão é agredir, é imobilizar, é apertar.

Não menospreze sua agressividade. Qualquer um termina raivoso depois de se expor às ofensas por mais de duas horas numa briga de casal – há uma cota de desaforo suportável pelo sangue.

Cuide de si para cuidar das mulheres.

Ouça meu comentário na manhã de sábado (25/8) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, apresentado por Daniel Scola e Fernando Zanuzo:





– Meu apoio para campanha Ponto Final na Violência contra Mulheres e Meninas, da Assembléia Legislativa –