quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

DESCOBERTA INTERIOR

Imagem de Emílio Pedroso

O escritor Fabrício Carpinejar autografa hoje o resultado de uma “viagem de descobrimento” personalíssima. Ao longo de 2011, ele percorreu 14.590 quilômetros pelo interior do Rio Grande do Sul perscrutando 52 cidades gaúchas com um olhar entre o poético e o maroto. A série, publicada semanalmente em Zero Hora com o nome de Beleza Interior, agora ganha edição em livro de mesmo nome (Arquipélago Editorial, 240 páginas, R$ 34,90) com autógrafos marcados para hoje, às 19h30min, na Livraria Cultura do Bourbon Shopping Country (Túlio de Rose, 80). O autor falou sobre os bastidores da série:



ZH – Que história da série foi a mais marcante?
Carpinejar – Felicidade, a última protagonista das reportagens, moradora de Livramento. Nunca imaginei que terminaria todo o longo roteiro com uma lavadeira que é pura alegria, de 106 anos, despachada, independente, morando sozinha. Ela é um tapa na cara da preguiça. Um exemplo de como superar as adversidades e não se acomodar na vitimização da velhice.
 
ZH – Em que cidade você viveu a situação mais estranha ou engraçada?
Carpinejar – Fui expulso de um salão de beleza em Alegrete, por tentar fazer as unhas. O Nauro Júnior (fotógrafo de Zero Hora) pode testemunhar a meu favor. A dona do espaço disse que não faria unha de homem, isso não cheirava bem. Eu respondi que iria cheirar igual a acetona.
 
ZH – Há alguma cidade que você gostaria de ter ido mas não foi?
Carpinejar – Haveria cancha para mais quatro séries, no mínimo. Escrevi sobre 52, mas fizemos vídeos de mais de 70 cidades. Uruguaiana é uma delas. Victor Graeff, outra. O mapa do estado está dobrado em minha mesa como se fosse minha camisa predileta.
 
Mais da entrevista aqui: http://migre.me/ce8GC

Publicado no jornal Zero Hora
Segundo Caderno, p. 5
Porto Alegre (RS), 5/12/12, N° 17274

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

SAUDADE DA SOBREMESA NA GELADEIRA

Arte de Wayne Thiebaud
 
Onde está a sobremesa na geladeira?

Quem comeu?

Na minha infância, sempre havia uma sobremesa me esperando. Acho que eu só almoçava pela sobremesa. Acho que só estudava pela sobremesa. Só passei de ano pela sobremesa.

Era sagrado. Era profano.

Ou um sagu. Ou um arroz de leite. Ou uma ambrosia. Ou o maravilhoso pai de todos, o pudim de leite.

Quando eu via a fôrma no quarador, eu já festejava o doce sucedendo à refeição. Salivava segredos e repetia sessões da tarde.

Soprávamos o doce para esfriar rápido, como quem abana as unhas depois de esmalte.

Com o pudim, o cheiro do gelo vinha a ser outro. O cheiro da cozinha vinha a ser outro. O cheiro de nossa alegria vinha a ser outro.

O perfume adocicado chamava o nosso olfato a pecar.

Abríamos a geladeira como quem recebia a namorada.

Lutávamos para comer um pedacinho a mais do que os irmãos. A mão direita tinha o molde de uma espátula para ser rápida e não atrair concorrência.

Gemíamos rindo, a língua se maravilhava, os dentes se deliciavam, a fatia derretia no céu da boca.

Pais pareciam eternos. Tios pareciam afortunados. Eu seria astronauta quando crescesse e nada frustraria meus planos. Não havia desemprego e medo da morte.

Cada um aprendia a receita de um doce para se casar. E de um doce para se separar. Quem acertava a mão recebia comendas e elogios por semanas a fio.

A sobremesa acontecia nos dias úteis, de segunda a sexta, em horário comercial, certa como um suspiro na escadaria da igreja. Não dependia de datas comemorativas e de aniversários como agora.

Nem lembro de ter sido gordo devido à minha amizade com o açúcar e as festas das claras.

O mundo melhorou de saúde ou ficou neurótico?

Não vejo mais o hábito de reservar o sábado e domingo para preparar guloseimas.

As dietas mataram nossas sobremesas e o cafezinho de bandeja. Os regimes ditatoriais aniquilaram nossa alegria diária. As barras de cereais venceram o nosso contentamento lírico.

Privilegiamos a pressa do garfo e faca, renunciamos ao uso lúdico das colherinhas.

As mulheres de hoje não toleram calorias a mais, rejeitam tentações, repudiam o leite condensado.

Se elas não podem comer, nós devemos acompanhar. É um crime não ser solidário no emagrecimento. É um desrespeito e uma provocação.

A sobremesa morreu no interior de nossa cozinha. Surgiram invenções maravilhosas como a máquina de lavar louça, o micro-ondas, o multiprocessador, mas a sobremesa desapareceu, não pôde testemunhar os milagres da civilização.

Diminuiu nossa vontade de permanecer em casa, reduziu a gana de viver em família e de acordar de madrugada.

Onde está a sobremesa?

Quem não comeu?




Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 2, 04/12/2012
Porto Alegre (RS), Edição N° 17273

ALIENAÇÃO AMOROSA

Arte de Oskar Kokoschka

O que mais me dói na categoria masculina são homens que abandonam os filhos em função de nova esposa ou namorada.
 
Homens que deixam de ver, visitar e conviver com filhos de outro casamento só para não desagradar a atual mulher.
 
Que não acham tempo para ficar com seus filhos, mas tem todo tempo do mundo para sair e badalar.
 
Homens que apagam sua memória quando trocam de relacionamento. Esquecem suas crianças. Viram tios distantes.
 
Homens que se calam diante de um mal-estar familiar, que não defendem seus pequenos dos constrangimentos na própria casa.
 
Homens irresponsáveis, levianos, que não falam nada para não estragar o romance, que não enfrentam a nova companheira, que não aprenderam nada com o divórcio.
 
Homens fracos, que não conseguem explicar que filho nada tem a ver com ciúme da ex-mulher.
 
Homens tolos que esquecem que filho é para sempre.
 
Homens abobados, frouxos, que concordam em se distanciar de suas crias.
 
Imperdoáveis sujeitos que negam o cuidado filial pela cegueira da paixão.
 
Pais que largam seus filhos enquanto eles esperam por uma visita durante meses, enquanto eles esperam um telefonema durante dias.
 
Filhos são eternos. Não podem ser adiados, trocados, substituídos.
 
Se minha namorada não gostar de meus filhos, não respeitar minha paternidade, não tem conversa, é o mínimo: adeus namorada.
 
Nem penso duas vezes. Não é opcional.
 
Amor que nos leva à alienação parental não é amor.
 
Amor que é amor nos orgulha do que somos e do que seremos com os filhos. 

Ouça meu comentário na manhã de terça-feira (4/12) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, apresentado por Antonio Carlos Macedo e Daniel Scola:
 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A MÁQUINA RECEBE ODILON WAGNER


São os menores papéis que fornecem a maior possibilidade de crescer numa novela.

Assista minha entrevista com o ator Odilon Wagner, o mordomo de "Salve Jorge".

Ele descreve as viagens de caminhão com o pai e sua juventude destemida, onde contracenava com Paulo Autran e Bibi Ferreira sem medo da gafe.

O programa A Máquina, da TV Gazeta, foi exibido na terça-feira (27/11).

domingo, 2 de dezembro de 2012

QUASE PERFEITO — Consultório sentimental de Carpinejar

"CONHECI A AMANTE DE MEU NAMORADO"
Arte de Sir John Everett Millais
 
“Olá Fabrício! Acabei meu namoro ontem. Vivi quase dois anos com uma pessoa que hoje não tenho mais certeza de quem era de fato. Descobri uma traição. Mantive contato com a outra garota, que confirmou tudo. Descreveu detalhes que me fizeram ter certeza de que meu namorado (que mora comigo) aproveitava as tardes vagas para vê-la. Viajava 100 km unicamente para encontrá-la. Ele nega. Quero acreditar nele, só que as evidências são esfregadas na minha cara. Desde ontem tento me convencer de que faço muito drama por coisa pequena, mas aí me lembro que essa não foi a primeira vez. Então talvez seja menos drama, e mais verdade. Beijo Manoela”

Querida Manoela,
 
Você cometeu o erro clássico: encontrar-se com a amante dele. Não há maior humilhação. Deveria ter evitado. Deseja se reconciliar, mas vai fracassar. Não há como voltar a acreditar em seu namorado.
 
É comum o fim do relacionamento depois de conversa séria com a outra mulher.
 
Recebeu detalhes que vão fixar a cena da infidelidade a todo instante. Conheceu o rosto dela, o tipo físico, os hábitos, começará a fazer comparações, a reconstituir as desculpas furadas, a desconfiar daquilo que viveu de bom. Verá a triste e inconsolável queda do império amoroso. Não sabe quem ele foi, e pior: não sabe quem vocês foram juntos.
 
Toda a mentira contamina as demais verdades.
 
A dor, acrescida da paranoia, torna-se imbatível. Descobrir a traição é difícil, mas com versão esmiuçada das escapadelas atinge o nível extremo de tortura. Com o roteiro nas mãos, os olhos reprisam automaticamente o filme. Não tem como parar o projetor.
 
Enquanto não identificava cenários e personagens, restava a tênue possibilidade de seguir em frente e tentar de novo. Agora é impossível se enganar, dispõe de atas do romance, atolada em mágoas reais e curiosidades sórdidas. Como justificar 100 km do namorado por sexo? É mesmo para se sentir ultrajada.
 
Só que não caia na lorota da amante. Ela não é mais uma vítima da canalhice dele, disputando o papel de enganada com você. Não mergulhe no corporativismo do sofrimento. Ela possuía a exata consciência de suas ações e dos danos do envolvimento duplo. Aproximou-se com o claro objetivo de ferrar sua relação. Como talvez seu namorado deu um fim para a história paralela, cumpriu a chantagem de contar tudo. Criou aquele apocalipse: se não ficarei com ele, ninguém ficará.
 
Não seja ingênua. Ela veio jogar duro. Não realiza caridade ou procura alertá-la dos perigos da desonra.
 
Como último ato, explique para seu ex-namorado a diferença entre honestidade e desespero. Ele pode confundir os dois.
 
Honestidade é avisar na hora em que as coisas acontecem, já o desespero é avisar tarde demais quando não tem como esconder.
 
Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, Caderno Donna, p. 6
Porto Alegre (RS), 01/12/2012 Edição N° 17271
Preservamos a identidade do remetente com nome fictício.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

SADISMO MEMORÁVEL

Arte de Boticelli

Não há maior sadismo do que alguém se aproximar de você e perguntar:
 
— Lembra de mim?
 
Se você era capaz de recordar, com a abordagem tratou de esquecer definitivamente. Todo susto, todo assalto, toda pergunta à queima-roupa nos leva ao esquecimento.
 
É o temido branco. A pessoa que faz isso é muito chata. Muito irritante. Não merece mesmo ser lembrada.
 
Porque ela percebe que você não lembrou e não ajuda.  E espera vê-lo mentir:
 
— Claro que me lembro!
 
Para desferir o golpe de misericórdia:
 
— Então, quem sou eu? Qual meu nome?
 
Não compreendo o que faz um conhecido praticar essa maldade.
 
Além de identificar nosso constrangimento, pretende nos desmascarar. Cria uma Comissão Parlamentar Você Não Lembra de Mim.
 
É natural esquecer com a mudança do contexto. De repente, conhece uma mulher em Curitiba e reencontra em Porto Alegre. A troca de cenários prejudica a fixação dos
dados.
 
Guardar o nome e o rosto exige tempo, dedicação, reincidência.
 
A memória verbal não é privilégio da maioria. Cada um tem seu dom. Há gente com memória fotográfica ou pictórica ou cinematográfica ou cênica. 
 
Esquecer não é falta de intimidade. Falta de intimidade é coagir, envergonhar, embaraçar.
 
Deveríamos sempre nos apresentar toda vez. Seria bonito. Seria educado. Seria galanteador. 
 
Toda conversa seria inédita. Todo encontro teria o deslumbramento e o interesse do primeiro encontro. 

Ouça meu comentário na manhã de terça-feira (30/11) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, apresentado por Antonio Carlos Macedo e Daniel Scola:
 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

CASUALIDADES FELIZES

Arte de Eduardo Nasi

Os apaixonados são os únicos que enxergam as casualidades.

Elas não deixam de existir, sempre estão flutuando, voando, pairando entre as aparências, avisando o que temos que fazer e o que podemos fazer.

É como uma rodovia do invisível oferecendo carona. Ou uma frequência de rádio nos informando dos milagres mais próximos. Ou um caixa automático 24h para saques do inconsciente.

Por receio do julgamento, ficamos alheios, indiferentes, céticos.

Mas os acasos não somem, fingimos que somem por conveniência, para dominar nossa vida e transmitir aos outros uma imagem confiável de adulto e responsável.

Só os apaixonados não temem os ruídos e o entremundos. Não desperdiçam as pichações, não procuram estudar exclusivamente o que é encadernado.

Só os apaixonados — estes últimos alunos das coincidências — acreditam em metáforas. Como não sabem o que vai acontecer, esperam tudo. Esperar tudo é o acaso.

Com Alessandra, vivo diariamente a humildade dos sinais.

Estamos tão ligados que não entendo por que nos separaram em dois corpos.

Nossa intuição é conversa. O que ela raciocina, completo. O que desejo, ela completa. O pedido de desculpa vem antes da agressão. A explicação surge antes da pergunta.

É meio maluco conviver nesta hipersensibilidade, mas é muito mais verdadeiro.

Na hora em que Alessandra me entregou uma pedra branca que colheu na ponte Santa Maria Maddalena, na Itália, eu disse um poema de Pascoli: “A água passa, a sombra fica”.

Fui descobrir depois que o verso foi escrito naquela ponte. Eu sequer desfrutava desse dado.

Guardo livros e objetos pessoais numa gaiola, ela incrivelmente repete a excentricidade amorosa e conserva pertences do seu pai também em gaiola vazia.

Quando ela precisa falar comigo, é certo que tocará Tiziano Ferro em minha vizinhança. Funciona melhor do que o SMS. É um ringtone do vento. E, convenhamos, não é comum FM tocar Tiziano.

Somos capazes de, simultaneamente, ler o mesmo texto, comer a mesma comida, escolher o mesmo filme, ainda que distantes, ainda que eu em Porto Alegre e ela em São Paulo.

O apaixonado não tem medo do medo. Para ele, o medo é surpresa.


 




Crônica publicada no site Vida Breve
Colunista de quarta-feira

terça-feira, 27 de novembro de 2012

MINHA INFÂNCIA SOLITÁRIA

Arte de Philip Guston

Eu era tão sozinho na infância que se aparecesse um fantasma pra falar comigo não ficaria com medo, mas conversaria com ele. Pediria para que a assombração não se assustasse, que saísse debaixo da cama, que viesse descrever os aborrecimentos e desabafar as circunstâncias da morte.

Puxaria uma cadeira para aliviar seu cansaço de atravessar paredes.

Se viesse arrastando correntes, abriria o cadeado com a chave pequeninha do porão, que funcionava maravilhosamente bem com fechaduras desconhecidas.

Olharíamos as ilustrações de Alice no País das Maravilhas e nadaríamos no lago de lágrimas da personagem.

Emprestaria um dos meus três abrigos escolares, afinal, os mortos costumam se vestir mal.

Iríamos juntos, de mãos dadas, para o colégio.

Dividiria minha Pastelina e meu Nescau.

Mostraria qual o banco de pedra predileto do recreio, com vista privilegiada das rodinhas das meninas bonitas.

Poderia chutar pinha no meio da rua: o bueiro seria o nosso gol.

Assistiríamos ao trânsito do banco de trás do Opala amarelo do pai.

Insistiria para a mãe preparar bolinho de arroz.

Ele me ajudaria a escalar árvores e muros.

Perguntaria se ele gostaria de brincar de gladiador com as tampas do lixo.

Teria alguém para andar de gangorra e fazer peso ao meu corpo.

Teria alguém para evitar o fim de pedra dos passarinhos.

Teria alguém para chorar a separação dos pais.

Teria alguém para me confortar nos exercícios de matemática.

Teria alguém que não me acharia estranho, esquisito, monstro.

Teria já alguém confirmado para minha festa de aniversário.

Eu seguraria o botão do bebedor enquanto ele se curvaria ao esguicho.

Ele me avisaria das pedras irregulares da praça.

Jogaríamos miolo de pão para as pombas.

O fantasma seria meu amigo predileto, meu confidente, meu guia de estimação. Muito melhor do que amigo imaginário – ostenta mais experiência.

Jamais recusaria sua visita.

Só esnoba o invisível quem não é carente. Sempre fui faminto de acontecimentos. Sempre fui ouvinte porque não tinha com quem trocar confidências até os oito anos.

Escutava vento, escutava chuva, escutava até o sol.

Vivi um claustro involuntário. Fui um monge mirim. Meus olhos cresceram pelo excesso de palavras por dizer.

Nunca desperdiçaria a chegada de um fantasma. Salvaria a minha solidão.




Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 2, 27/11/2012
Porto Alegre (RS), Edição N° 17266

14 LIVROS


Fiquei arrepiado ao ver a lista de itens pessoais do deputado federal paulista Rubens Paiva, preso pelo regime militar em 20 de janeiro de 1971.
 
Quando ele entrou nos porões da ditadura para ser interrogado, entre seus itens pessoais, além de relógio, lenço e cartão de banco, havia 14 livros de diversos autores.
 
Ele tinha a consciência de que iria morrer, mas levou 14 livros para ler.
 
Ele tinha a consciência de que nunca mais poderia olhar a luz do sol, mas levou 14 livros para ler.
 
Ele tinha a consciência de que seria torturado pelos agentes da repressão, mas levou 14 livros para ler.
 
Ele tinha a esperança de ainda ler 14 livros, apesar da sua morte iminente pelo DOI_CODI, apesar do seu desaparecimento certo dali para diante.
 
A esperança nada tem a ver com as circunstâncias. A esperança desafia as circunstâncias. A esperança é o nosso caráter.
 
Ele queria continuar aprendendo. E levou seus livros. Foi simples, foi verdadeiro. Com tempo ou sem tempo. Ele queria ler até o último de seus suspiros. 
 
 
O que Rubens Paiva nos ensina?
 
Mesmo que tenhamos um só dia de vida, podemos amadurecer. Podemos melhorar. Podemos ampliar nosso conhecimento. Podemos nos superar.
 
Mesmo que tenhamos um só dia de existência, podemos plantar uma macieira, podemos amar melhor nossa mulher, podemos cuidar com capricho dos nossos filhos, podemos nos reconciliar com os pais.
 
Um dia é muito.
 
Um dia é nossa vontade de entender o mundo.
 
Um dia é nossa vontade de ser feliz.
 
Um dia são 14 livros.

Ouça meu comentário na manhã de terça-feira (27/11) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, apresentado por Antonio Carlos Macedo e Daniel Scola: