terça-feira, 15 de setembro de 2015

MORTADELA

Arte de Eduardo Nasi


O armazém da esquina foi a minha universidade do olhar.

Quando a mãe pedia para comprar algo, eu demorava o dobro de tempo pra voltar, atraído pelos efeitos especiais da simplicidade: a mão mecânica agarrando os produtos no alto, os baleiros girando, o imenso refrigerador que lembrava um cofre.

Os barulhos do armazém do Seu Alencar cadenciaram a minha respiração. Lá prendia o grito, soltava a voz.

Aquele espaço tinha a grandeza de um museu minúsculo, infantil. Não existia banco e cadeira, sentava nos sacos de grãos. Às vezes dava licença para algum freguês pegar uma pá de feijão.

O prédio amarelo e descascado regrava os meus horários. Tanto que sabia o momento de ir para escola quando ele levantava a pesada porta de ferro, vinha a ser o meu alarme de amanhecer. Tanto que sabia o momento de jantar quando ele baixava a pesada porta de ferro: vinha a ser o meu despertador de estrelas.

Encontrava o bairro inteiro no saguão de secos e molhados. Conviviam com harmonia os malucos e os mais certos, os mais tortos e os mais retos. Não havia melhor ou pior sujeito, havia histórias de vida.

Na caderneta, reinava o sobrenome da família. No balcão, o apelido é que mandava.

O que me encantava era testemunhar a negociação dos pedreiros com Seu Alencar, tentando ampliar a compra pelo menor preço.

Um enviado, sempre diferente, buscava o lanche da turma inteira envolvida em levantar uma construção em minha rua.

O cardápio não mudava. Consistia em pão francês com mortadela, acompanhado de Coca-cola litro.

Mas não cinco ou seis pães como de minha família, e sim sessenta para cima. Uma fortuna para a minha cabeça de bolita.

Sacos e sacos de pães, quilos e quilos de mortadela. Um assalto à mão desarmada na padaria.

Seu Alencar ficava horas fatiando o produto na máquina. Quando não tinha ninguém para ajudar, pedia o meu auxílio.

Eu retirava a embalagem e alcançava os blocos de presunto. Ele agradecia, e ia laminando um a um, com paciência artesanal, procurando manter a espessura igual entre as folhas de carne.

Uma vez por semana faço questão de comer pão e mortadela em homenagem ao passado de menino.  A cada ano, ergo um novo andar no edifício da memória sem jamais esquecer os meus alicerces.

Toda esquina merecia um armazém, com fiado em ordem alfabética, onde as pessoas ainda confiassem em seus vizinhos.







Crônica publicada no site Vida Breve
Colunista de quarta-feira 26/08/2015

MÃO DE VALSA



Não sei dançar, bem que gostaria. Marcho na pista, sou um zagueiro brucutu, não driblo, chuto a bola para a arquibancada.

Marquei três aulas com uma professora particular, ela conseguiu cancelar consecutivamente os encontros. Deve ter me visto como uma causa perdida.

Tento compensar a ausência de coordenação com a minha alegria. Pulo, grito, levanto a mão para cima, imito quem parece entender, dedico os esforços mais generosos ao disfarce.

Aproveito realmente para me soltar quando todo mundo está bêbado numa festa. É o único momento em que não chamo atenção. A tontura dos outros favorece o meu equilíbrio.

Venho de uma geração que segurava um copo de cerveja e fazia parede quando a sua namorada rebolava. Fui alicerce mais do que coadjuvante, leão de chácara mais do que par. Não experimentei, a exemplo dos filhos, as coreografias em turma e as disputas de Xbox ou PlayStation. Na minha época, menino não dançava, virava estátua: fechava a cara até o sol raiar.

Não desfrutei sequer de uma alma paciente e generosa capaz de me orientar para vencer o bloqueio. As companhias cansavam de ser espelho. Diziam que era fácil; dizer que é fácil não ajuda em nada, daí que tropeçava o dobro.

Não foi por falta de vontade. Conto mentalmente – um dois, um dois –, porém entro numa sequência patética de câmera lenta. A trilha precisa parar, senão me desconcentro. Ou conto ou danço – não sei manter ambas as funções.

Conservo um jeito monocórdio de sapatear. O pé direito vai para um lado, o esquerdo parte em direção contrária e fico olhando para cima, estilo Stevie Wonder, com a diferença dos braços engessados e da ausência do piano.

Não mudo o ritmo conforme a música. Pode tocar sertanejo, samba, rock e funk que me mexo da mesma forma. Não movimento o quadril, que permanece duro e intransponível. A ginga é restrita aos joelhos. Flexiono apenas as pernas, já me falaram que realizo alongamento fora de hora. Estou sempre uma canção atrasada. Quando demonstro uma repentina sincronia dos passos, perco-me na concentração.

Não sei dançar. Nem é porque piso nos pés dos outros, cometo algo mais grave: sorteio joelhadas e empurrões.

O que me salva ao longo do tempo é a dança das palavras, onde dou o troco e me vingo do deboche. Não sou pé de valsa, mas mão de valsa.






Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 4,  25/08/2015
Porto Alegre (RS), Edição N°
18272

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

O SÓSIA DO AMOR

Arte de Oskar Kokoschka

O orgulho se veste de amor, finge que é amor, é o clone do amor, é o sósia do amor.

Você pensa que ama, mas não, é apenas orgulho ferido. É alguém que disse “não” para você e pode passar décadas correndo atrás.

Só para provar que você presta e a outra pessoa se enganou.

O orgulho faz com que insista num relacionamento que nasceu morto.

Por orgulho, desperdiçamos uma vida. Por amor, multiplicamos a nossa vida.

Quando é orgulho, vivemos a vida do outro. Quando é amor, jamais deixamos de ser.

Amor não precisa de provas, demonstrações, jogos, disputas, vingança, isso é coisa do orgulho.

No orgulho, nunca está satisfeito. No amor, você transborda.

O orgulho é um capricho, o amor é destino.

O orgulho é ego, o amor é generosidade.

O orgulho é mágoa, o amor é perdão.

O orgulho é ressentimento, o amor é esperança.

O orgulho é se prender ao passado, o amor é liberdade de escolha.

O orgulho é impor seu projeto romântico a todo custo, o amor é criar um projeto a dois.

O orgulho é um amor fake, é um amor fabricado, é um amor falso, é um amor de segunda mão.

Ouça meu comentário na manhã de terça-feira (25/08), no Gaúcha Hoje, da Rádio Gaúcha, apresentado por Antonio Carlos Macedo e Jocimar Farina: 

MEU FILHO APRENDEU A PERDER



Jogo para ganhar. Jamais aceitei qualquer derrota, mesmo em treino, mesmo em amistoso. Não se arrisque no frescobol comigo, por exemplo, que vou encontrar um jeito de vencer, ainda que a brincadeira não proporcione nenhuma vantagem.

Só aprendi a perder por amor aos filhos. Passei a não mais me estressar com o placar pela alegria de vê-los felizes.

Quando Vicente era pequeno, eu não forçava o desempenho, não tirava vantagem de minha superioridade física, tirava o pé no futebol, treinava para acertar na trave com o gol feito. Ele sempre ganhava em nossas partidas no pátio.

Como trabalho paterno, restava-me tensionar o duelo: errar e ainda lamentar, perder e ainda resmungar e não permitir um escore muito dilatado. Dramatizava a derrota para não entregar que entregava o resultado. Disfarçava a marmelada com um toque de ribalta. O pequeno se esbaldava em comemorações, em gritos e rodopios, em uivos de triunfo, e esnobava a sua supremacia em histórias para a mãe no almoço e na janta.

Quando ele cresceu e ficou adolescente, comecei a firmar o passo, a aumentar a frequência do acerto, a equilibrar o duelo, a arrancar algumas vitórias em meio à enxurrada de derrotas. Saía lentamente da zona de rebaixamento. O esforço superava a encenação. Já suava excessivamente, já penava, já não economizava o fôlego. Fazia entradas duras e não me omitia de correr. As disputas milagrosamente se igualaram.

Festejava a humildade do meu rapaz: finalmente aceitava perder, admitia perder. Atingia um novo estágio do aprendizado da vida.

Diante dos revezes, em que não conseguia brilhar, ele me cumprimentava e reconhecia que fui melhor. Não botava a culpa nas circunstâncias. Não arranjava desculpas furadas. Até me elogiava pela vitória e me incentivava a prosseguir evoluindo os fundamentos.

Terminava encantado com o seu discernimento e a sua esportividade: inacreditável como se tornou leve e compreensivo, valorizando a competição acima do resultado! Antes intolerante e manhoso, mostrava-se solidário e gentil.

Mas não havia percebido, presa ingênua das maquinações do amor.

Tardei a ter consciência da real natureza da mudança de comportamento de meu filho.

Agora é ele quem me deixa ganhar de propósito, pois acha que envelheci.




Publicado no jornal Zero Hora
Revista Donna, p.36
Porto Alegre (RS),  23/08 /2015 Edição 18271

CONTROLE DE DECIBÉIS

Arte de Piet Mondrian

O grande problema do casamento entre duas mulheres é experimentar a TPM juntas.

Como o ciclo se alinha com a convivência, elas terminam menstruando e enfrentando as alternâncias de humor ao mesmo tempo

Imagine o caos, a ópera, o vulcão dentro de casa uma vez por mês?

Ambas estarão irritadas, chorando, sensíveis, carentes, gritando, sem que uma possa ajudar a outra. Haja chocolate. O casamento tem que ser muito forte, maiúsculo, para não ruir diante da explosão hormonal duplicada.

Mais nenhuma relação alcançará o tamanho dessa proeza de paciência no amor.

Ouça meu comentário na manhã dessa sexta-feira (21/8), na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, com Jocimar Farina e Kelly Matos: 

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

É BIG É HORA

Arte de Eduardo Nasi

Zoeira de adultos é ingênua perto de uma festa infantil. É mais poluição sonora do que visual. O máximo que encontrará depois da farra são alguns copos quebrados, marcas circulares na estante, cervejas nas janelas e guimbas dentro de pratos. Não trará tanto trabalho para limpar. Resolverá a baderna em um único dia.

Já uma festa de crianças… É melhor fazer uma reforma, a faxina não dará conta.

A bebedeira de gente grande produzirá talvez um banheiro sujo porque alguém passou mal. Nada que o detergente não conheça.

Os pequenos é que encarnam os verdadeiros vikings, hunos, bárbaros dos alicerces da casa. Suas distrações e brincadeiras apresentarão alto índice de danos materiais.

Além de vidraças quebradas por bolas, esculturas sem cabeça e varais transformados em cipós de floresta, o cenário destrutivo é altamente criativo. Ninguém destrói com tanta criatividade quanto às crianças. Elas são dotadas de uma curiosidade insaciável, feita de misturas explosivas. Conhecer algo é também destruir. Suas mãos formam tubos de ensaio agregando sempre um produto desconhecido.  Só desistirão de mexer depois de quebrar ou explodir.

Pai de dois filhos, travei longo contato com a horda refinada de invasores.

Dificilmente sua privada funcionará novamente, e não pense que é devido ao inofensivo papel higiênico sujo jogado ao vaso. Alguém colocará uma caneta no canal. Estará muito próximo de ver uma réplica perfeita de Veneza pelos corredores e transformar seus sapatos pretos em mal-humorados gondoleiros.

As instalações infantis não terminam por aí. Haverá refrigerante espalhado pelo chão inteiro — não existe algo mais gosmento do que refrigerante. Pisará com barulho de chiclete durante os próximos meses.

Brigadeiros estarão esmagados na entrada da cozinha. Pela aparência pastosa, terá que se aproximar para definir se não é cocô do seu cachorro.

Paredes receberão desenhos espíritas de Miró e Picasso.

As tomadas guardarão a cobertura de chantilly da torta de aniversário.

Achará ainda salgadinhos mofando debaixo das almofadas do sofá, após longa e exaustiva inspeção do que vem fedendo na sala.

Localizará estranhamente uma meia suja na geladeira, e se perguntará como ela surgiu na gaveta de verduras.

O teto ganhará camadas de pigmentos vermelhos, que não faz a menor ideia do que seja: Gelatina? Suco?

Trate de não pensar para não enlouquecer.  O grande problema da festa infantil é que a sujeira aparecerá em lugares improváveis. Levará muito tempo até solucionar todos os crimes.







Crônica publicada no site Vida Breve
Colunista de quarta-feira 19/08/2015

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O FIM DEMORA



Quantos términos para o término de um amor?

Quantos “agora acabou!” é necessário dizer para realmente acabar?

Quantas portas a bater até entregar a chave?

Quantos desaforos até calar a boca?

Quantas discussões até conversar com calma?

Quantas gavetas serão esvaziadas até arrumar a mala?

Quantas desistências existem dentro da insistência?

Quantos reavivamentos são possíveis de um fogo morto?

Quantas recaídas até cair de vez?

Porque descobrir o fim ainda não é comunicar o fim.

Porque determinar o fim ainda não é explicar o fim.

Porque sentir o fim ainda não é encaminhar o fim.

É um amigo falar que seu relacionamento não tem mais saída, que eu já sei que ele caminhará muita rua antes de enxergar a parede.

É mais um desabafo do que uma verdade.

É mais uma vontade do que uma realização.

É mais um despacho do que um despejo.

Está no começo do fim, o que não significa fim.

Está elaborando o fim, mas não selando o fim.

Está roteirizando o fim, mas não contracenando o fim.

Está preparando o fim, mas não alterando a vida.

O fim demora. O fim é semelhante a muitos reinícios. O fim é procurar o melhor jeito de contar a notícia. O fim é ouvir o contraponto. O fim é oferecer mais uma chance. O fim é cansar de tanto casar. O fim é exaurir os apelos. O fim é depor as armas e não mais impor mudanças. O fim é esgotar as chantagens e as ameaças. O fim é se perdoar pouco a pouco por quebrar as promessas. O fim é não criar mais desculpas, é não ser mais bonzinho, é não querer repassar a culpa, é assumir a responsabilidade, é não ser o certo e não julgar o errado. O fim é bloquear o coração mais do que o telefone. O fim é longo.

O fim é serenidade que vem depois da adrenalina do desespero. Não é chorar, chorar é o princípio do fim, o fim é quando as lágrimas secaram, é quando os olhos pararam de nadar, é quando não há esperança de resgate.

Encerrar uma relação imita o cartucho de qualquer impressora. O computador indica o término, mas poderá imprimir mais cem páginas: folhas falhadas e com a tinta se esvaindo lentamente.

Cem páginas rendem um livro lindo e triste de poesia, porém jamais terá páginas suficientes para fazer um novo romance.






Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 4,  18/08/2015
Porto Alegre (RS), Edição N°
18265

AMARELA, VERDE, AZUL, VERMELHA E PRETA

Arte de Eduardo Paolozzi

Pega- vareta é uma grande prova para descobrir se a sua namorada ou o seu namorado tem o costume de mentir.

Todo namoro poderia iniciar com este concurso familiar. Chama pais e irmãos para fiscalizar.

É o jogo que mais exige honestidade, concentração, cumplicidade. Um autêntico detector de trapaceiros.

O mal-intencionado logo gritará: - Tremeu!

Ou fará vento para prejudicar a arte de levantar as varetas.

Ou mexerá na mesa discretamente, para produzir um terremoto.

Vareta é uma tentação para quem gosta de enganar.

Poderia também ser psicotécnico de político.

Aliás, como que político não passa por teste psicológico antes de se candidatar?

Ouça meu comentário na manhã desta terça-feira (18/8), na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, com Jocimar Farina e Kelly Matos:


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

HIDRATAÇÃO PELAS PALAVRAS


Relacionamento se faz no detalhe, na pronúncia, no modo como nos comportamos longe das datas festivas e das folgas dos finais de semana. Ou se tem uma rotina apaixonada ou se é levado pela agressividade. Não identificamos o quanto perdemos inúmeras chances de delicadeza ao longo do dia. Desperdiçamos a gentileza com quem amamos.

Parece que a educação deve ser usada para os estranhos, aquele que está ao nosso lado é obrigado a aguentar grosseria, irritação, azedume, maus tratos.

Entramos no jogo de compensações: quando tristes, maltratamos; quando felizes, festejamos, e não enxergamos problema nenhum nesta alternância.

É preciso criar um mínimo civilizacional, ainda que nos dias mais trágicos, para não ferir os próximos e não destruirmos os laços com as nossas mágoas. Se seguirmos os nossos impulsos, seremos bichos. Morderemos e atacaremos com as palavras.

Ninguém desperta de bom humor (trata-se de uma lenda), o que existe é um redobrado exercício de concentração para sorrir de manhã cedo. A docilidade é uma ardilosa construção psicológica e temperamental. Maquiamos o caráter para conviver.

Generosidade, portanto, consiste em atenção lapidada, em refinada vigilância, em não ser tomado pelo impulso egoísta de que o outro tem a obrigação de nos servir e nos entender.

Só é acabar a água na geladeira que já podemos antever o temperamento de cada um na relação. É uma frase inofensiva que traduz uma gama variada de sentimentos. Por uma declaração banal e singela, já antevemos se a pessoa pretende discutir, agredir ou nos confortar.

– Você me deixou sem água? (autoritário)

– Nem água tem nesta casa! (apocalíptico)

– Esqueceu de comprar água? (acusatório)

– Esqueci de comprar água! (culpado)

– Temos que comprar água! (solidário)

– Você não presta atenção em nada! (oportunista)

– Acabou a água, vou sair para comprar! (engajado)

– Você deseja que eu morra de sede? (filial)

– Cadê a água? (curto e grosso)

– Não temos mais dinheiro para comprar água? (inseguro)

– Vamos beber água da torneira por enquanto. (conformado)

– Farei uma lista de supermercado para não esquecermos nada. (compreensivo)

Quando acabar a água, cuide também para não acabar o amor.




Publicado no jornal Zero Hora
Revista Donna, p.32
Porto Alegre (RS),  16/08 /2015 Edição 18263

QUEDA DE BRAÇO COM A ETIQUETA

Arte de Otto Dix

Não vejo colocar o cotovelo na mesa como falta de educação. É atitude de homem, de apoiar os braços para ouvir melhor.

O cotovelo é a afirmação masculina, ele se projeta na conversa, ele se aproxima de quem está em sua frente. Azar da etiqueta.

O cotovelo é o bar que todo homem carrega em sua alma. Sem o cotovelo, ele se sente um fantoche, castrado, preso, sem ação.

Homem fala com os braços mais do que com a voz. Posso usar os talheres certos, colocar guardanapo nos joelhos, segurar o cálice pela base. Mas não me peça para tirar o cotovelo da mesa. O cotovelo é duro, o cotovelo jamais broxa.

Ouça meu comentário na manhã desta sexta-feira (14/8) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, com Antônio Carlos Macedo e Kelly Matos: