quarta-feira, 19 de outubro de 2016

DA PAIXÃO AO DESENCANTO

O Uber e Porto Alegre é um típico caso de paixão que não vem vingando depois que a relação  ficou séria no facebook.

Sabe aquele namorado
que faz tudo durante os três primeiros meses para conquistar e logo retira os agrados assim que passa a morar junto?

Quem não conhece esta história? No princípio é o homem dos sonhos, para casar e ter filhos. Compra flores, puxa a cadeira, esbanja educação e paciência, presenteia a sogra, arruma jantar com vinho e luz de velas, prepara surpresas e espalha declarações pelos cantos secretos da convivência. É começar a namorar e sentir que conquistou definitivamente a pessoa que a performance some e surge o ogro monossilábico, egoísta, desprovido de comoção e gentileza.

O Uber foi assim na capital gaúcha:  prometeu mundos e fundos no começo apaixonado e perdeu o interesse quando a convivência normalizou. A sensação é que desejava sexo e fingiu que amava. Cometeu uma descarada propaganda enganosa.

No início, há três meses, era somente Uberblack, carros de quatro portas e bancos de couro. Não era um motorista, mas um chofer tamanho o cuidado com a aparência. Cavalheiro, comedido, trabalhava de terno e saia do seu lugar para receber o cliente.

Só vinha carrão como Sedan, Toyota Corolla, Honda Civic, Azera e Sonata. Apesar do luxo e do conforto, os preços acabavam sendo mais baratos do que o táxi. Não havia como não se maravilhar e não disseminar o serviço adiante.

Hoje o que aparece no Uber (conhecido como UberX) é
Ford Ka, Fiat Palio, Renault Clio e Gol, carro apertado que você vacilaria em entrar até para tomar carona. Os motoristas estão vestidos de qualquer jeito, alguns vem de bermuda. Pararam de oferecer balas e água. Já vi veículo chegar todo adesivado com Herbalife. Alguns surgem com cinto frouxo e ar-condicionado pifado. A rapidez de atendimento, de no máximo cinco minutos, decaiu, motorista aceita nova corrida quando nem finalizou a anterior. De semelhança com o período de estreia, apenas a voz feminina do Waze.

E, para piorar, inventou-se a tarifa dinâmica, onde a corrida, dependendo da procura, pode sair três vezes maior do que o valor normal. É uma roleta russa, não tem como prever quando vai pipocar em seu aplicativo. Desse jeito, uma viagem do bairro Petrópolis ao aeroporto que custaria 27 reais em um táxi é 37 reais pelo Uber.

Acho que o Uber acredita que o porto-alegrense é um otário e que não notou o fim do romance. A tendência é voltar para o antigo relacionamento.

Publicado no Jornal Zero Hora
Coluna Semanal
18/10

6 comentários:

Anônimo disse...

entende pouco de Uber. a escolha é do cliente, Uber Black ou Uber x, que é mais barato, e quanto a tarifa mudar o valor é porque na região não há nenhum motorista disponível, logo, localizaram um motorista que está distante. vc é bem maior para perder tempo falando de Uber sem nem se informar direito.

Luana F. Severo disse...

POIS É NÃO É... NO TÁXI É PROIBIDO COBRAR TAXA DE DESLOCAMENTO, VC NÃO SABIA NÃO ANÔNIMO??? O TÁXI PODE VIR DE QUALQUER REGIÃO, ELE NÃO LHE COBRARÁ DESLOCAMENTO, ADOREI A POSTAGEM, cARPINEJAR, ESTA DE PARABÉNS.

Anônimo disse...

Sou motorista do Uber. Me dá tristeza passar aqui na cidade baixa e ver os taxistas, alguns com décadas de trabalho, e agora sendo chamados de marginais pela mídia e a população. Dizem que Uber tem segurança, eu virei motorista deles respondendo um questionário na internet, nunca viram minha cara. O Carpinejar tem razão, o padrão de qualidade do Uber é lixo, o suporte que eles nos dão é péssimo e o valor das corridas é ridículo.

Anônimo disse...

Mas me espanta um escritor sempre sensível escrever de uma forma ligeiramente chula. Independente do posicionamento pró ou contra Uber. Meu carro pessoal é um gol 2 portas, moro em uma rua de terra e sempre ofereço carona aos pedestres para ajudá-los a chegar até o ponto de ônibus. Será que eles titubeiam ao aceitar a minha carona em um carro simples e apertado?

Anônimo disse...

Porto Alegre é apenas uma província de mentalidade pequena. nunca será cosmopolita.

Anônimo disse...

Carpinejar é pop. Escreveu esse texto à serviço de quem? Talvez você acredite que seu leitor é otário, não o motorista do Uber em relação ao porto-alegrense. Criticar carro popular, recusar carona... coisas de "poeta global". Nós, simples mortais, não chegamos nesse nível. Viva o golzinho uber!