terça-feira, 15 de setembro de 2015

QUANDO A MULHER SE CALA E O HOMEM FALA POR ELA



Quando a mulher fala pelo casal, a relação vai bem. Quando o homem fala pelo casal, a relação vai mal.

Repare, é assustador: o silêncio da mulher é insatisfação; o do homem, contentamento. O silêncio da mulher é repressão; o do homem, aprovação. O silêncio da mulher é angústia; o do homem, recompensa.

Quando os dois estão entre amigos, se o homem não fala e escuta atentamente, está concordando. Se o homem é que fala e a mulher mergulha na mudez, é que está prestes a explodir de raiva.

Homem passivo e mulher dominante são sinais de bem-estar. Homem dominante e mulher passiva são agouros de briga.

A mulher é a porta-voz da felicidade da vida a dois – pois sempre arranca na frente para antecipar as novidades e projetos. Não se furta a dizer a sua versão dos acontecimentos. A loquacidade representa comprometimento e engajamento no relacionamento: discute, debate, intervém, não deixa por menos. Já o homem matraqueando é a versão da tragédia, busca disfarçar tudo o que vem acontecendo de errado e fazer com que todos não percebam a indisposição feminina.

Homem alegre é plateia. Aplaude, ri, meneia a cabeça enquanto testemunha a sua esposa descrever as principais histórias e causos do seu cotidiano. Não sente necessidade de se contrapor à narração, até se vangloria das legendas. Quando entra sozinho no palco, é que fará um monólogo fingido: no fundo, distrai os outros de sua diva contrariada.

Mulher jamais é espectadora, somente se cala em nome da fúria, ciúme ou ressentimento. Não consegue nem mais reclamar. Prende a língua, trinca os dentes, já que se vê numa situação-limite: engatilhada a disparar sarcasmo e ironia a troco de nada, capaz de devolver o mero cumprimento com uma pergunta. Mostra-se educada a ponto de ser lacônica, não quer mentir e se controla.

Não desejava participar daquele momento hipócrita: pretendia resolver tudo antes em casa para depois sair (não é como o homem, que sai para resolver o que não foi compreendido em casa). Sua leveza depende da segurança emocional.

Para ter vontade de se expressar é que se encontra possessa, engasgada, de olhar baixo. Desistiu da esperança do humor. Admite ser dublada porque a sua cabeça e – principalmente – o coração se escondem longe dali.






Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 4,  01/09/2015
Porto Alegre (RS), Edição N°
18279

6 comentários:

Anônimo disse...

Verdades foram ditas.

marisa ines disse...

maravilhosoooooooooooooooo

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jucilene Gomes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jucilene Gomes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jucilene Gomes disse...

Perfeito! Realidade nua e crua!