domingo, 30 de setembro de 2012

QUASE PERFEITO — Consultório sentimental de Carpinejar

QUANDO O NAMORADO É UM PARA-RAIOS
Arte de Fatturi

“Tenho um grupo de amigas e nos encontramos para falar mal dos maridos e namorados. Meu namorado gosta delas, já saímos juntos, mas elas não suportam a ideia: aqui menino não entra! Largo o grupo ou largo meu namorado no sofá junto com os outros maridos chatos? O que você acha? Obrigada! Franciele.”

Querida Franciele,
 
Você não deve levar seu namorado. É criar uma indisposição natural entre as amigas. A motivação do encontro é justamente criticar os relacionamentos com leveza e desembaraço.
 
Não é a primeira que enfrenta o dilema, os demais maridos e companheiros devem fazer pressão. Mas nenhuma abre mão dessa terapia da amizade. Nem caberia. É uma magia branca fundamental.
 
Tranquilizante saber que outros experimentam problemas iguais. Quando a dor perde a exclusividade, ela diminui de tamanho.
 
Temos que dissociar o círculo dos amigos do quadrado amoroso. Manter um pouco da vida de solteira para não se sentir asfixiada pelo namoro – são os amigos que nos amparam na separação e nos ajudam na reconciliação. Pense como seria desgastante se aparecesse para assistir qualquer jogo de futebol de seu namorado. Ficasse parada na arquibancada e depois seguisse para testemunhar as trovas do churrasco.
 
A situação também favorece um terror psicológico: não existe como ficar à vontade com ele presente. Se ele permanecer quieto, tentará incluí-lo na conversa Se estiver falando sem parar, temerá que ele possa desagradar.
 
Não é que deixou de pertencer ao grupo, está sendo desagradável impondo uma exceção.
 
No fundo, sabe o que acho? Não deseja falar de seu romance e expor seu início de relacionamento.
 
Como estava solteira, não tinha motivos para ser criticada. Agora, teme que alguém brinque com seu conto de fadas.
 
Ele é seu para-raios.

COLETE À PROVA DE BOBAGENS
Arte de Fatturi

“Tenho 19 anos, namoro há quatro com um rapaz de 21 anos. Eu o amo muito, e o excesso atrapalha. O problema é que ele fez algumas coisas que me magoaram bastante. Não consigo esquecer. Três vezes me disse que estava interessado em outra pessoa. Isso me deixou muito insegura e bastante ciumenta. Enfim, fico remoendo, não confio mais! Um beijo, Eduarda”

Querida Eduarda,
 
Palavras de festim matam o relacionamento mais do que palavras de verdade.
 
São provocações à toa, bobinhas, desnecessárias, que ferem com violência porque ambos estão desatentos.
 
É uma brincadeira com a aparência, um comentário sobre o passado e feito o estrago.
 
O que parecia ser passageiro demora uma noite, dias, semanas, e nunca mais sai da alma.
 
Eu temo a discussão ridícula. É a que mais causa a mortandade do amor.
 
Ele confessou que estava interessado por outras, não que teve uma história.
 
Óbvio que era uma observação infantil para produzir ciúme. Nem sei se é real. Não precisava ter caído na armadilha, preocupou-se como se fosse uma ameaça.
 
Poderia brincar que estava atraída por outros sujeitos. E ele iria ruir, e desistir das chantagens para conseguir ainda mais carinho, compreensão e amor.
 
O que vem acontecendo com vocês é que não admitem a ideia de terem se apaixonado tão jovens. Entraram num jogo diabólico de maltrato.
 
Como não têm antecedentes de infidelidade, inventam situações, personagens e cenários para ver como reagiriam se isso acontecesse.
 
É um delírio a dois. Ele percebe que é ciumenta e larga mais corda para se enforcar. Você percebe que ele odeia pressão e intensifica a patrulha.
 
Não é salutar expor todos os pensamentos para seu par, muito menos cobrar que ele fale quando mergulha em silêncio.
 
Guarde algo para si. Selecione o que contar. Aceite que ele realize o mesmo.
 
Franqueza não é descarregar preguiçosamente a mente. É escolher o melhor a ser dito e a melhor hora de dizer.

 
Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, Caderno Donna, p. 6
Porto Alegre (RS), 30/09/2012 Edição N° 17208
Preservamos a identidade do remetente com nome fictício.

5 comentários:

ana disse...

No primeiro caso , largue o grupo. Você nāo poderá ter um relacionamento agradável se continuar com amigas tāo chatas. Nāo poderá ser totalmente feliz tendo que falar mal
do seu namorado, nem estará sendo honesta com ele. Cumplicidade você tem que ter com Ele e falar com Ele sobre o que a desagrada.
No segundo caso, ele deve estar com ciume ou com raiva por algum motivo e quer te chatear. Proponha um diálogo franco para saber o que está incomodando..

sandra disse...

Discordo de você Ana, sobre o que diz ... Largar o grupo que já faz parte porque não fica legal falar mal do seu namorado. Na vida a gente precisa momentos de desabafo. Nem sempre somos dignos só de elogios, falar mal faz parte de nossa historia. E porque não junto as amigas. Esse momento "Luluzinha" é só delas. Depois a vida segue o seu curso cotidiano...

Cris PS disse...

Este encontro com as amigas deve ser uma vez ou outra, abdicar deste encontro pelo namoro é excluir estas pessoas da sua vida.
Concordo com o Carpinejar, os amigos são os que nos dão força para, muitas vezes, continuar o relacionamento ou enfrentar a dor causada pela relação.
Há de se administrar as duas relações: amigos e namoro.

ana disse...

Eu nao me sentiria à vontade com meu namorado, sabendo que ele tem um grupo de amigos para falar mal das mulheres , inclusive de mim.Talvez eu iria ser um pouco superficial com ele e perderia a naturalidade. Eu preferiria que meu comportamento e minhas opinioes ficassem preservadlos do julgamento dos outros. Mas têm pessoas que nao ligam, entāo nao haveria maiores problemas.

ganhar dinheiro disse...

parabens pelo belissimo blog, acompanho o mesmo desde 2010, recomendo a muitas pessoas. Parabens