terça-feira, 17 de janeiro de 2012

RETARDADO AOS OITO ANOS


Mãe é exagerada. Sempre romantiza a infância do filho. A minha, Maria Carpi, dizia que eu fui um milagre, que enfrentei sérias rejeições, que não conseguia ler e escrever, que a professora recomendou que desistisse de me alfabetizar e que me colocasse numa escola especial.

Eu permitia que contasse essa triste novela, dava os devidos descontos melodramáticos, entendia como licença poética.

Até que mexi na estante do escritório materno em busca do meu histórico escolar.

E achei um laudo, de 10 de julho de 1980, assinado por famoso neurologista e endereçado para a fonoaudióloga Zulmira.

“O Fabrício tem tido progressos sensíveis, embora seja com retardo psicomotor, conforme o exame em anexo. A fala, melhorando, não atingiu ainda a maturidade de cinco anos. Existe ainda hipotonia importante. Os reflexos são simétricos. Todo o quadro neurológico deriva de disfunção cerebral.”

Caí para trás. O médico informou que eu era retardado, deficiente, não fazia jus à mentalidade de oito anos. Recomendou tratamento, remédios e isolamento, já que não acompanharia colegas da faixa etária.

Fico reconstituindo a dor dela ao abrir a carta e tentar decifrar aquela letra ilegível, espinhosa, fria do diagnóstico. Aquela sentença de que seu menino loiro, de cabeça grande, olhos baixos e orelhas viradas não teria futuro, talvez nem presente.

Deve ter amassado o texto no bolso, relido sem parar num cantinho do quintal, longe da curiosidade dos irmãos.

Mas não sentiu pena de mim, ou de si, foi tomada de coragem que é a confiança, da rapidez que é o aperto do coração. Rejeitou qualquer medicamento que consumasse a deficiência, qualquer internação que confirmasse o veredito.

Poderia ter sido considerada negligente na época, mas preferiu minha caligrafia imperfeita aos riscos definitivos do eletroencefalograma. Enfrentou a opinião de especialistas, não vendeu a alma a prazo.

Ela me manteve no convívio escolar, criou jogos para me divertir com as palavras e dedicou suas tardes a aperfeiçoar minha dicção (lembro que me fazia ler Dom Quixote, e minha boca andava apoiada no corrimão dos desenhos).

Em vez de culpar o destino, me amou mais.

Na vida, a gente somente depende de alguém que confie na gente, que não desista da gente. Uma âncora, um apoio, um ferrolho, um colo. Se hoje sou escritor e escrevo aqui, existe uma única responsável: Maria Carpi, a Mariazinha de Guaporé, que transformou sua teimosia em esperança. E juro que não estou exagerando.





Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 2, 17/1/2012
Porto Alegre (RS), Edição N° 16950

54 comentários:

Fábio Ludwig disse...

Meu velho, leio seus posts com muita alegria, porque são diretos, retos e, ainda assim, absolutamente poéticos. Tenho um filho com uma deficiência genética e atraso no desenvolvimento. Também serviu para que eu o amasse ainda mais. Está com onze meses. E escrevo sobre ele aqui: www.flizam.com. Um grande abraço. Você tem razão. A confiança dos pais é determinante. O Antonio tem me ensinado isso a cada dia.

Cristiano Urso disse...

Isso só nos prova que o diagnóstico dado por uma mãe amorosa é melhor, e mais trabalhado, do que o de um "doutor", que tanto estudou, tanto sobia, que quase nos tirou um poeta.

Sibele disse...

Oi,Carpinejar!Parabéns a sua mãe pela coragem em te dar apoio,amor e por não desistir de ti.Realmente o mundo precisa de mais gente assim.Porque eu tenho pena viu de crianças que diante de diagnósticos como esse que foi te dado em tenra idade são abandonadas por seus pais e ficam praticamente atiradas a própria sorte.
Beijos,
Sibele

Angela disse...

SENSACIONAL...E IRÍAMOS PERDER UM MEGA ESCRITOR HEIN? UMA CAPA DE SUPER-HEROÍNA PARA TUA MÃE THE BEST.

Lívia Carolina disse...

Que linda sua história!!Fico realmente emocionada!!Parabéns pelo uso maravilhoso das palavras, parabéns por ser quem você é!!! Você me inspira :)

Vinícius Kern disse...

Tchê Fabrício
Eu leio teus tuítes e outros escritos e às vezes me pergunto que preço pagas por viver uma vida tão aberta, tão "em praça pública".
Mas ao ler esta história percebo que deves ter um sentimento de realização e liberdade muito grande. A tua exposição nesta história faz muito sentido, faz bem e servirá a muita gente - como os comentários anteriores já dão prova.
A poesia precisa da beleza e essa história é linda.
Obrigado por compartilhar.
Tanto estava certa a dona Mariazinha de Guaporé que, além de poeta, saiu um colorado da melhor cepa.

Sonia Sanches disse...

O importante é nunca desistir, ter fé, esperança, é saber que mesmo atrás das nuvens mais negras, as estrelas nunca deixarão de brilhar e como bem disse um trecho do texto: Na vida, a gente somente depende de alguém que confie na gente, que não desista da gente. Uma âncora, um apoio, um ferrolho, um colo.

Marília disse...

Nossa estou emocionada com tuas palavras hoje, sou mãe de um menino de 3 anos e não tenho esse diagnóstico nas minhas mãos, mas consegui imaginar a que a tua mãe sentiu, e a força dela em reverter tudo isso foi mágico. Ter lido a tua coluna hoje foi uma lição de vida para mim!!!Obrigada

Sandra Mara disse...

Amei o depoimento. Não sou mãe ainda, mas sou professora do EF e agora tenho mais uma referência para as mães que pensam em desistir da educação do filho pois não querem ou não entendem que cada um tem o seu ritmo próprio. Obrigado por compartilhar conosco.

Diário de Noiva disse...

Relato fantástico. Te sigo no twitter e acho você de uma sensibilidade impar. Esse texto, sem dúvidas, foi emoção em palavras. Parabéns a sua mãe e a você, que pode nos prestigiar com esses textos maravilhosos e pensamentos.

Grande beijo e mais sucesso.

Karen Dias

Auci disse...

:D

Chorei...

Tami disse...

Mãe, não tem como explicar.

Gislene disse...

Fabrício, entendo o que sua vivenciou, por minha experiência pessoal.
Ela foi forte, porque acreditou. E acreditar, basta.
Hoje, você venceu.

Te adoro!
Um abraço.

Gislene disse...

Esta sua história de vida vem comprovar o quanto é verdadeira a frase que você gosta: "Diagnóstico não é destino." Mário Corso.
:)

Izabela Cosenza disse...

palmas para a mariazinha de guaporé!
e para você, que não se vitimizou e é quem é.
lindo texto.
peço licença para postá-lo no meu blog... com os devidos créditos, é claro.
Iza =)

Christiane Neusser Sichinel disse...

Todo esforço vale(u) a pena, diante de uma declaração dessas, como deste hoje, Fabricio. Essa crônica foi uma linda homenagem à Dona Mariazinha, um depoimento digno de alguém que sabe seu valor. Certamente tua poesia vem daí, desse "ver a vida de outro jeito" (quem disse que todos os meninos de 8 tem que ter o padrão x?)
"Rejeitou qualquer medicamento que consumasse a deficiência, qualquer internação que confirmasse o veredito..." Quem hoje em dia tem tanta sabedoria pessoal, para acertar assim,confrontando o senso comum (comum em todos os sentidos!)? O fato de teres reconhecido isso, e teu saber colocar isso em palavras (belas), prova o grande homem que és! Parabéns, sou mais sua fã ainda!!!

Ramiro Conceição disse...

“A gente somente depende
de alguém que confie na gente.”

Fabro, a dicção está perfeita.

Marcia Rossales disse...

Que coisa mais linda!!! Só uma mãe dessas podia ter criado um filho maravilhoso desses

Claudia Collares disse...

TEnho um mini carpinejar em casa.
Não sei exatamente o teu diagnóstico na infância mas o meu filho tem os mesmos problemas.
Ele é inteligente e está em escola regular(embora sempre volte a ameça da escola especial).
Escreve histórias inteiras na cabeça dele.É imaginativo e criativo e diz que vai ser roterista de cinema.Depois de ler essa tua crônica comecei a achar que ele pode ser mesmo.♥

Anônimo disse...

Grande história. Quando falo com as pessoas a respeito do meu filho e elas vem com explicações pedagógicas ou clínicas tiradas de calhamaços, pesquisas ou experiências, eu só peço acreditem nele, esqueçam tudo e olhem como ele pode. E como pode.
Abraços,
Fabiano

Dani Amadeo disse...

Veio bem na hora certa, obrigada Fabrício e D. Maria!

Lenise disse...

Adorei teu texto. Me identifiquei com ele.
Tenho um filho de 5 anos, que começou a ler aos 2. Não eram frases, mas as letras ele as reconhecia muito bem. Aos três ele já contava até 30. Até 10 ele sabe contar em alemão e inglês também. Escreve, de modo 'grosseiro' cartas de amor pra mim. E fui chamada pela diretora da escola PARTICULAR, julga-se a melhor da cidade, a retirar meu filho da mesma, pois 'estava prejudicando o desempenho da professora para com os demais alunos da sala'. Não aceitei a proposta. E hoje eu tenho plena certeza e alegria em dizer que assim como o neuropediatra atestou: meu filho tem um aceleramento de aprendizado e um potencial que devia ser mais explorado e não 'cortado'. A gente sabe o filho que tem. E quem ama cuida.
E eu vou seguir em frente, ajudando-o a passar por cima de todas estas críticas e desinformações a respeito de seu comportamento. Pois eu sei que ele é capaz de ser brilhante no futuro e ainda escrever e rir sobre isso. Assim como tu, Fabrício, fizeste.
Abraços.

MSonia disse...

Isso e fantastico. Obrigada por escreveres sobre tua historia. Voce e mais um dos ex de testemunho vivo de que o cerebro e um sistema adaptativo complexo onde a nao linearidade e a propriedade mais significativa no que voce refere. Os pais de meus pacientes irao te ler e poderao ter mais um norte a perseguir: o teu exemplo e o da tua mae!
Abraco

Laura disse...

Querido colega, lindo, de grande sensibilidade, uma das maiores demonstrações de amor, passível de mãe para filho.
Um dia quero pode falar com vc sobre o tema, bj
Laura Severo da Cunha

Versos que eu fiz e ainda espero respota disse...

Engraçado como a gente acaba pensando que certas coisas só acontecem com a gente. Quando criança, logo que entrei no colegio, a professora disse algo parecido a minha mãe, eu não tinha nenhuma deficiencia, mas era mais lerdo que os outros, e minha mãe me deu a mior força. Realmente ter um colo, alguem q não desista de vc, é sempre MTO importante.

Parabenss!!!

http://www.luismacedo.com/

Ambiente de Teste disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Maria Helena (Londrina) disse...

Benditos os "retardados"!
Fico imaginando se vc tivesse nascido "normal"!
Acho que não gostaria tanto de você, como gosto!
Beijos
Maria Helena

Lia disse...

Sem dúvidas você não poderia ter escrito nada mais bonito para demonstrar o amor por sua mãe.
O que todo mundo precisa é de alguém que não sinta pena de nós em nenhum momento.

Anônimo disse...

Fabrício: já pensaste que o diagnóstico poderia estar correto? Que o amor e dedicação da tua mãe te curou? Que tua liberdade de expressão te curou? Eu realmente gosto cada vez mais do que tu escreves, e principalmente da maneira que escreves, abrindo o peito e colocando no texto cada palavra que tiras do coração; às vezes um pedaço de unha roída (hehehe). Um abraço.

Mara Melinni disse...

Que texto MARAVILHOSO... que relato de amor mais lindo, digno de ser lido por educadores e pais que, muitas vezes, desacreditam nos seus filhos.

Parabéns pela sua trajetória de vida e pela grande Mãe é a sua.

Por isso que nada me surpreende no que leio sobre ti.

OBS.: o meu modesto blog completa hoje 1 ano. Se puder, dá uma olhada... tem um post sobre vc, em setembro/2011:
http://melinni.blogspot.com/2011_09_01_archive.html

Abraçossss by Caicó-RN!!!

Geise Ribeiro da Silva disse...

Tenho, entre os vizinhos, uma senhora com filho 'meio esquisito'. Todos dizem que não tem jeito... Mas depois desse texto, com a possibilidade dele se tornar um outro Carpinejar em nossas vidas, vou passar a incentivar o guri e até enfrentar os vizinhos em favor dele.
Adorei o texto!

Lya Fer disse...

Emocionante!
Eliane/ SP

Glória disse...

Sua mãe não foi exagerada, foi sábia. A inteligência e criatividade de muitas crianças sâo atrofiadas nas escolas por críticas desse naipe. Certamente o que sua mãe leu do "profissional"(sic) já tinha ouvido da professora. São raríssimos os sobreviventes como você. Parabéns!

Giulia disse...

Lindo depoimento, Carpinejar! Veja nossa homenagem no blog http://educaforum.blogspot.com/2012/01/carpinejar-premio-jabuti-em-2009.html
Um abraço!

Simone disse...

Obrigada por seu depoimento. São histórias assim que nos dão força pra continuar. Tenho um filho de 2 anos que tem um severo atraso na parte motora e neurológica e tem hipotonia. Nossa luta é diária, mas histórias como a sua nos trazem de volta o ânimo que muitas vezes perdemos ao longo da caminhada. Como mãe, entendo perfeitamente o que sua mãe sentiu ao ler esse diagnóstico, já que ouvi isso de muitos médicos. Parabéns a ela pela força!!

Vanessa Bencz disse...

Meu Deus!! arrebatador!
http://garotadistraida.wordpress.com

vervedirlass disse...

Óh mamãe Carpi, és linda criatura; em teu filho!

Rouxinol disse...

Ahhhh!!!! Que história mais bacana!!
Ahhh, se o próprio médico neurologista tivesse um pouquinho da sabedoria de sua Mãe......Dona Maria Carpi.
Nada como ter um abraço acolhedor, alguém que te ajude pelo caminho, e acredite em você, quando as vezes nós mesmos não acreditamos.
Tenha um lindo dia!!!

PS: essa "estória" me fez super refletir sobre mim mesma e todas as dificuldades que superei até hoje justamente porque sempre tive alguém por perto que nunca deixou de acreditar em mim.....de que eu sou capaz. (bacana isso)...rs

Débora Aquino disse...

Nós também temos muito a agradecer a Dona Maria Carpi! Lindo texto, Fabrício! Amar é o melhor remédio!

Anônimo disse...

que lindo!
snif

beijito, querideza,

da lorena,
cuja vida vc mudou com o poema "novíssimo testamento". já pensou? se não fosse a tua mamis....

Prof. Adri disse...

Carpinejar, agradeça todos os dias por essa mãe. Abração!

Silmara Franco disse...

Mães não exageram. Médicos erram.

Anônimo disse...

você é um caso a ser estudado assim como várias outras pessoas. Conheço algumas com o teu perfil de infância que se deram bem na vida, são profissionais de sucesso e ganhando muita grana e inteargem com a sociedade e família.
E os médicos são culpados? É claro que não; são só ignorantes no sentido filosófico.

diariodagataborralheira disse...

Você tem poder de me fazer chorar na hora certa. Textos lidos para a a hora exata. Obrigada.

Geovanebelo disse...

Um dia me perguntaram numa palestra como se faz um cronista. Eu respondi: primeiro, emoção; segundo, criatividade; terceiro, um pouco de sorte; quarto, bom humor; por último, não seguir nenhuma lista.

Geovane Belo

www.geovanebelo.com.br

Queila disse...

Mãe maravilhosa a sua!

Anônimo disse...

Fabrício!!!
Que historia forte, ao mesmo tempo delicada por se tratar de um crianca de apenas 8 anos e cheia de AMOR, o verdadeiro AMOR!
Acompanho seus textos, e depois dessa licao de vida, acompanho com mais PAIXAO.

Beijo a voce e a sua mae.

Areta

Anônimo disse...

VIVA MARIA CARPI! Uma mãe tão maravilhosa só poderia mesmo ter criado um filho tão soberbo! Essa é a poesia da vida.

Anônimo disse...

Vou levar o texto do neurologista agora na volta às aulas para a semana pedagógica. Vou ler e perguntar se imaginam de quem é o diagnóstico. depois vou ler um dos teus excelentes poemas. Sou professor e sei que basta acreditar e colocar energia nas crianças, o retorno é garantido. Abraço pra ti!

Aline Delwing Pedroso disse...

Prezado Fabrício, sou professora de Português há 25 anos e agora estou fazendo Pós graduação em Psicopedagogia. Após todos os estudos da pós, tua crônica veio na hora exata: hora de confirmar todas as teorias que estudei. Com certeza a psicopedagogo poderá dar conta de analisar com todo o cuidado os laudos como os que tu citaste. A fé, a confiança e a perseverança removem montanhas. Aos olhos de Deus tudo é possível.Pais e professores, confiem sempre! Nada é impossível para quem crê!

Cristiane Koehler disse...

Oi Fabrício, cada dia te admiro mais e agora tua mãe também :) Toda mãe quer o melhor para o seu filho e vai em busca do impossível para ajudá-lo. Nos últimos dias vivi uma situação parecida com a tua, com meu filho de, também, quase 8 anos ... Ele estava matriculado num dos melhores colégios particulares de São Leopoldo/RS (que por sinal tem uma mensalidade caríssima) e ouvi da professora dele no 2o ano do ensino fundamental: "por favor, não incentivem ele a escrever com letra cursiva porque ainda não iniciamos este processo na escola. Ele não sabe escrever cursivo e insiste em escrever errado" ... Eu escuto e caio para trás, assim mesmo, fico pasma, não acredito que numa escola bem sucedida ainda tenhamos professores com esse pensamento. Um pensamento arcaico de que o professor "precisa passar conhecimento ao aluno". Não consegui aceitar isso. O pior foi que ela pedia para o meu filho apagar tudo o que ele escrevia em letra cursiva, dizendo assim: "apaga tudo que está errado, tu não sabes escrever cursivo, faz do outro jeito" .. Até que um dia, ele não copiou mais nada do quadro, e mais outro dia, e mais outro dia, e ela nos chamou para conversar: "ele não copia mais nada, conversa muito, atrapalha a aula, estamos conversando para dizer que toda vez que ele não se comportar em sala de aula, ele será retirado da sala e irá ficar na coordenação" ... Fabrício, fiquei muito enlouquecida ... e resumindo ... eu e meu esposo procuramos outra escola para o nosso filho !!! Quando isso aconteceu, agora a pouco tempo, lembrei-me da tua crônica ... te admiro muito e a tua mãe também :) continue escrevendo sempre :) abraço com carinho, Cristiane Koehler - São Leopoldo/RS

Anônimo disse...

Sr. Fabrício,

Parabéns pela coragem em relatar o seu caso pessoal. Tenho uma filha que também foi diagnosticada como sendo autista por um psiquiatra muito famoso no Brasil, e depois de procurar outros médicos, foi constatado que na realidade o que ela tinha era um "Espectro Autista", e hoje graças também ao carinho, paciência, compreensão, dedicação absoluta e muito amor, principalmente de sua mãe, que assim como a sua, as classifico de Super Mães, hoje minha filha está totalmente curada. É uma criança com 10 anos de idade, inteligente, meiga, amorosa e adorável. Pelos comentários que li, tomo a liberdade de recomendar um livro brilhante, recém lançado, chamado "Mundo Singular", entenda o autismo, de Mayra B. Gaiato, Ana Beatriz B. Silva e Leandro Thadeu Reveles, publicado pela Fontanar, que além de esclarecer em detalhes, o diagnóstico, as categorias e o tratamento, principalmente desmistifica de vez que o Autista está condenado a viver à margem da sociedade e tem uma vida limitada. Não me identifiquei simplesmente para preservar a minha filha, que quando começou a frequentar o colégio, foi discriminada por uma das mães, como se ela tivesse uma doença contagiosa. Pura ignorância. Abs

disse...

Chorei e tô chorando ainda...a crônica mais linda pra mim é essa, cada palavra tua ia descrevendo o dia a dia com minha filha...e tenho a certeza que de não posso desistir, que com muito amor e carinho ela vai ultrapassar todas as barreiras e calar a boca de muita gente. Obrigada por fazer meu domingo mais feliz e um obrigado mais especial ainda a Dona Mariazinha lá de Guaporé, somos quase vizinhas...eu sou de Casca.

Priscila de Sá Pri disse...

Um Muito Obrigada a sua mãe por nos ter dado esse presente !