terça-feira, 23 de abril de 2013

UMA AUSÊNCIA INEXPLICÁVEL

Arte de Paul Klee

Não xingue o pai de seu filho usando o que ele foi como marido.  Não xingue a mãe de seu filho usando o que ela foi como esposa.

Ele pode ser um excelente pai e um péssimo marido. Ela pode ser uma excelente mãe e uma péssima esposa.

É preciso separar as duas condições.

Para evitar represálias, para evitar que a criança não fique traumatizada.

O que costuma acontecer: os pais desabafam para o filho tudo o que deu errado no casamento.

Expõem o ódio. Criticam o ex abertamente. Lavam a roupa em público.

A criança fica em pânico, não entende qual lado defender.

Jura que o pai e o marido são uma única pessoa.

Contaminamos a paternidade e a maternidade com ressentimentos do relacionamento.

Os filhos assistem as crises, as brigas e os motivos do divórcio. Mas ninguém diz para eles como foi o início feliz da história.

Por que os pais, mesmo separados, não contam como se conheceram, como ficaram juntos?

Por que omitem de seus filhos o começo de tudo? Por que não provam que seus filhos são frutos do desejo, não erros, não descuidos?

Não mostram que seus filhos foram queridos, planejados.

Como estão em outros casamentos e para não gerar ciúme nas atuais companhias, sonegam o princípio do romance. Não descrevem como um dia se amaram.

Se você não conta o melhor da história, como seus filhos vão acreditar no amor quando adultos? Como?

Eles não vão querer se relacionar, mas pensar que casamento é apenas ódio e rancor, disputa e confusão.

Ouça meu comentário na manhã de terça-feira (23/4) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, apresentado por Antonio Carlos Macedo e Andressa Xavier:

7 comentários:

{ Scrappiness } disse...

Lágrimas nos olhos aqui... Passei por isso quando criança e agora estou do outro lado. Fiz questão de nunca falar nada do pai, porque vivi essa história e sei que não é bom. Mas daí a contar o que teve de bom no início... É uma ótima idéia, mas eu não coseguiria. Não pelo ciúmes que povicaria no atual marido, mas porque antes eu não sabia o que sei hoje. Uma ótima idéia, cada um faz o que pode, mas talvez eu ainda não seja um ser humano tão evoluído ainda.

Anônimo disse...

Há seis anos atrás, fiz isso com minha filha. Disse a ela que o pai era excelente pai, profissional, amigo, só nao era um bom marido. ESTAVA CERTA. A segunda parte da conversa é que nao sei...rsss Disse que nao queria alguém na minha vida que me enganasse, nao me valorizasse e que gostaria que ela também nao deixasse que ninguém a traísse, mentisse e que continuassem tudo bem. E aí Fabricío, que tal um comentário da segunda parte? Até hj nao sei se agi certo. Tivemos essa conversa os tres juntos, eu , ex e filha com 12anos. Abraços.

Alice Mânica disse...

Gostei muito desse comentário. É difícil mesmo separar as histórias, especialmente quando ainda há mágoa e tristeza. Mas pelo bem dos filhos é importante lembrar que podemos deixar de ser marido e esposa, mas nunca deixaremos de ser pai e mãe.

Por outro lado, há aqueles casos em que um ex-cônjuge que não tenha a guarda dos filhos decide simplesmente "sumir" para punir o outro, mas não lembra que quem mais sofre nesse caso são os filhos, que às vezes até são pequenos pra compreender que são papeis diferentes que se misturam...

Anônimo disse...

Nossa, me identifiquei muito, mas com o lugar dos filhos.
Passei toda minha infância e adolescência achando que amor de verdade em um relacionamento não existia, que casamento era uma piada. Meu sonho era ser mãe solteira.
Hoje tudo que quero é casar com meu amor e ter filhos lindos, junto com ele.
Eu tive sorte de encontrar alguém que me fizesse ver o outro lado, mas muitos filhos que passam por isso e não têm a mesma sorte, viram adultos amargurados.
Só espero que eu não estrague os meus futuros filhos dessa maneira.

Brobrão disse...

Viver é um eterno aprendizado, não se pode deixar se enganar com as falhas e não mostrar aos filhos o que valeu a pena.Existe ex-marido, ex-esposa mas ex-pai não.O melhor é transmitir o amor paternal e esclarecer o que deu errado, porque o pra sempre, sempre acaba.

... disse...

Concordo que não devemos destruir a imagem de bom pai ou boa mãe que nossos filhos têm de nosso ex-parceiro no final do casamento. Então construi para minha filha uma imagem de pai muito bacana, coisa que ele nunca foi. Quando ela cresceu descobriu por ela mesma que o pai era desinteressado e ausente. Marido ruim; mas péssimo pai. A decepção dela foi maior ainda.

Paula Marques disse...

Sabemos disso quando jovens,adultos esquecemos e cometemos os mesmos erros dos nosso pais. Fazemos parte de um ciclo. Meus filhos seguirão meus passos. Sim! É um ciclo.