terça-feira, 7 de maio de 2013

A POLIDEZ NÃO AJUDA A CONVERSA



Minha namorada Juliana me chamou atenção.  

Eu respondia “não precisa” em vez de “não quero”.  Era um cacoete cansativo. 

"Não precisa" sugere que você quer, mas não deseja incomodar. 

"Não precisa" é esconde-esconde, cabo de força. 

E o outro vai insistir. Vai oferecer de novo. Vai ficar sofrendo esperando confirmar sua vontade. 

Já o "não quero" é direto e não traz dúvidas. 

"Não precisa" repassa a decisão. "Não quero" decide. 

- Você gostaria de comer no restaurante japonês?
- Não precisa.

O que se entende? Que a pessoa está a fim, e depende de um empurrão, de um entusiasmo, de nossa alegre insistência. 

- Você gostaria de ajuda no trabalho?
- Não precisa.

"Não precisa" é quase um socorro, um pedido de ajuda, é um sim tímido. 

O "Não quero" desfaz incertezas, limpa a cena, 

- Você gostaria de comer no restaurante japonês?
- Não quero. 

Não há suspeita, não há incerteza. Acabou o assunto. 

- Você gostaria de ajuda no trabalho?
- Não precisa.

Melhor é usar o "não quero". Evita a teimosia chata, a incompreensão.

A polidez é a maior falta de educação.

Ouça meu comentário na manhã de terça-feira (7/5) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, apresentado por Antonio Carlos Macedo e Jocimar Farina: 

2 comentários:

Por que você faz poema? disse...

Excesso de polidez, definitivamente, não ajuda em nada.

disse...

Outra resposta que me irrta: "pode ser"