segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

FAZER GOSTOSO

A feiúra é uma noção secundária para quem faz gostoso.

O sexo prende. O sexo cativa. O sexo caprichado é a moldura para a janela da alma.

É deixar de enxergar no plano unidimensional dos preconceitos e pôr os óculos 3D da fissura.

Tarados não se prendem às fachadas.

Porque fazer gostoso é confiança, é desenvoltura, é merecimento.

Queima a vaidade das selfies, dispensa a futilidade de manter alguém para exibir aos amigos, descarta a insegurança de namorar para impressionar nas redes sociais.

Fazer gostoso é ser inteiro na cama, devoto ao momento e ao monumento, sincero com o gozo, alucinado de tesão, independente do que os demais pensam.

É quando o prazer manda no amor e liberta a sensualidade das aparências.

Fazer gostoso é encontrar o ritmo do outro, o encaixe perfeito, definir o que realmente excita, descobrir as fantasias prediletas e executar as poses favoritas. As palavras sussurradas são as certas, os desaforos são os exatos, a entrega é a ideal.

Nariz grande desaparece com a ginga. Barriguinha some com o rebolado. Estrias não existem com a volúpia.

Se você não entende como que o amigo namora uma mulher nada bonita, até acima do peso, sem nenhum atributo suntuoso, saiba que ela transa bem, muito bem, fora do normal. Nunca terá condições de competir com a sua sabedoria secreta.

Publicado em O Globo em 30/11/2017

Um comentário:

Natália Corcetti disse...

Boa noite,

Pois é, nem sempre a beleza é tudo.

E quem não tem cão cação com gato.