segunda-feira, 24 de maio de 2010

DICAS


Publicado no jornal O Globo
Segundo Caderno, coluna Gente Boa, p. 5
Joaquim Ferreira dos Santos
Domingo (23/5/10), Rio de Janeiro (RJ)

sábado, 22 de maio de 2010

INTIMIDADE DOS DEFEITOS

Eu e minha namorada Cínthya Verri, autora do blog Matando Carpinejar, participamos do programa Galera de Atitude, da TVE/RS (exibido em 20/05). Conversamos sobre amor, amizade e ciúme. Um calor danado no estúdio.


sexta-feira, 21 de maio de 2010

LONGE DE UM LAR

Arte de Tristan Tzara



Casal inteligente enriquece junto?

Por favor, me dá um desconto.

Ter objetivos em comum separa o casal. É confundir a relação com um negócio. Daí não será um namorado, mas um sócio. Daí não será uma namorada, mas uma investidora.

Não há engano maior do que partilhar metas. Trocar a televisão pelas planilhas do Excel. O que parece uma referência de parceria, tampa de margarina, é um se aproveitando do outro.

Estão preocupados em não perder tempo, em render o máximo desempenho com o mínimo esforço, em aproveitar as chances e as ocasiões para eliminar as exigências domésticas. Não têm afinidades, a não ser a vontade de crescer profissionalmente.

Invente de retirar o interesse dos dois, não sobrará coisa alguma, pedra sobre pedra, cartão sobre cartão. Não terão assunto. Adoram a distância para simular saudade. A única sintonia é a carreira, o que um oferece e o segundo aceita, não vão partilhar o futuro. O mercado é muito instável para um casamento. Afinal, é preciso ser livre para atrair ofertas.

Alguns podem até delirar que é amor, chegue perto com o olfato: o perfume excessivo é ambição. Dividir o poder não significa cumplicidade, é adoração de si. A paixão é o espelho da obsessão. Um espelho que nunca fica embaçado.

É conveniente amar a prosperidade de um homem ou sucesso de uma mulher. Tomar carona.

Amor é empobrecer junto, se for o caso. É ser inútil e continuar tentando. É não ter medo de começar com um colchão no chão e com as mesas dos joelhos. Não aguardar o momento, ficar ao lado até que ele venha ou não venha. Suportar as dívidas, os credores, as piores fases e encontrar humor dentro das contas.

É admirar mesmo sem qualquer identificação imediata. Respeitar os caminhos diferentes, opções distantes, vocações opostas e procurar entender para conversar e recolher os farelos de pão e arrumar a gola na hora de partir.

Não se escolhe uma companhia por aquilo que ele faz, porém por aquilo que deseja. Por aquilo que ele guarda no desejo.

Sempre estranhei casal que se esbarra no corredor de casa e passa reto. Encontra seu par e não diz nada. Como dois desconhecidos, mesmo que já tenham se visto há um minuto. Alheios, fantasmagóricos. Não contraem culpa pela desatenção, acham natural ver e não ver, estar ocupado e seguir adiante. Não se intrigam de ternura, não se espantam com a falta repentina. Não mencionam um toque. Não se pronunciam com um beijo ou um abraço. Não se provocam com as perguntas irritantes e tão necessárias: "O que está pensando?" ou "O que está fazendo?"

Estão longe de um lar. Suas casas são escritórios.

DUELO NO ESCURO

Inter na semifinal da Copa Libertadores.

Os torcedores passam a procurar coincidências com a campanha vitoriosa de 2006: o time também perdeu o Gauchão, enfrentou o São Paulo e Chivas estava entre os quatro finalistas. Coisas que somente a sorte explica, como o gol de Giuliano no final da partida contra o Estudiantes.

Após muito Jack e tequila na madrugada, Rolo Compressor analisa a borra do café.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

AUTÓGRAFOS DE MULHER PERDIGUEIRA


4/6 (sexta), 19h30 - Rio de Janeiro (RJ)

Debate com a cantora Ana Carolina
Sessão de autógrafos do meu novo livro de crônicas Mulher Perdigueira (Bertrand Brasil, 336 páginas)

Livraria Argumento
(Rua Dias Ferreira, 417)
21 2239-5294


7/6 (segunda), 19h30 - Porto Alegre (RS)

Debate "O AMOR É SIMPLES", com Martha Medeiros e José Pedro Goulart
Sessão de autógrafos do meu novo livro de crônicas Mulher Perdigueira (Bertrand Brasil, 336 páginas)

Livraria Cultura
Bourbon Shopping Country
(Av. Túlio de Rose, 80 - Loja 302)
51 3028-4033

OFICINA LITERÁRIA DE TWITTER NO RJ

Arte de Peter Blake


O QUÊ: Conduzo uma inédita oficina de literatura no twitter, aperfeiçoando a síntese e a concisão do pensamento. Pretendo mostrar a importância do aforismo, da frase de efeito e das máximas para criar um espaço poético, bem humorado, particular e sensível nas redes sociais. A partir de brincadeiras e jogos interativos, o propósito é contrariar certezas e desafiar clichês. Acredito que 140 caracteres não são uma limitação, mas um afrodisíaco na arte do corte e da captura do que é essencial a ser escrito. É uma oportunidade criativa para sugerir mais e acentuar a ambiguidade e a duplicidade das experiências do cotidiano.

Serão trabalhados versos e minicontos, assim como o estilo de grandes frasistas como Otto Lara Resende, Antonio Maria, Millôr, Nelson Rodrigues, Rubem Braga, Mario Quintana e de pensadores como Karl Kraus, Chamfort, La Rochefoucauld, Rousseau e Pascal.

QUANDO: 4/6 (sexta), das 14h às 17h, e 5/6 (sábado), das 9h às 12h.
VALOR: R$ 200,00
ONDE: Estação das LetrasRua Marquês de Abrantes, 177 Loja 107
Flamengo Rio de Janeiro/RJ
CONTATO: (21) 3237-3947
estacaodasletras@estacaodasletras.com.br

ESTAREI EM BRASÍLIA

Arte de Vicente Carpinejar


Taguatinga (DF)
27/5 (quinta), 8h

Debate com João Gomes e Fábio Yabu
Mediação: João Bosco

Local: Auditório do Colégio e Faculdade Projeção – Prédio II
(CNB 14, Lotes 7/9)


Brasília (DF)
27/5 (quinta), 14h

Debate com Nurit Bensusan, Marcelo Duarte e Bruno Berlendis.
Mediação: Lucília Garcez

Local: Auditório do Colégio Sigma
(SGAS 912 SUL - Conjunto A)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

MELHOR DO QUE CONCHINHA

Para Eduardo Nasi, amigo de boas ideias


Arte de Tereza Yamashita



Não será dormindo de conchinha que revelamos amor na primeira noite.

A posição é excessivamente controlada. Posada.

Tem até lógica: prevenir o roubo do lençol. Mas a cena não ultrapassa a praticidade romântica. É um pouco infantil, uma regressão ao ventre. Nesta hora, ninguém precisa mais de posições fetais. E do colo de mãe.

Amor se revela quando os dois vão dormir e se acordam amontoados. As pernas femininas sobre as pernas do homem, os braços enrolados como fantoches, os beijos agora suspirados; uma sensação de clandestinidade no próprio corpo. Como um barco cubano, absolutamente ilegal, atravessando o Oceano Atlântico em direção à Miami.

Quem apaga amontoado confessa atração química. Não se rendeu, apesar do gozo, do sono, do medo de ser inconveniente. Sentirá câimbras, formigamentos. Ou não sentirá nada de manhã com a dormência dos movimentos. Qualquer que seja o imposto, não se mexe. Não abandona sua vigília. Não confia que conquistou, que seduziu, que concluiu.

O casal amontoado é ambicioso. Ambos não dormem juntos, já moram juntos um na nudez do outro. Como se estivessem mortos, porém intensos, vivos, alucinando mais do que sonhando.

Os longos cabelos negros encordoando o peito masculino, as coxas ainda atentas, os seios curiosos. A tensão permanece, a conversa prossegue no escuro com exclamações ilegíveis, a mão é um abajur aceso. Não é um descanso organizado, planejado; é um sono de fundo falso, agitado de sons, sobrevoando o conforto. Uma ânsia de ficar junto de qualquer jeito, aproveitar toda a pressa da pele. Finge-se desmaio para prosseguir o trabalho com a respiração.

O casal pode estar exausto, arrebentado por tudo o que foi dado, mas ele e ela ainda se caçam de modo involuntário. Entendem que o sexo pede mais carícia. Não foram cada um para seu lado, aliviados do prazer. Muitos menos desejaram a tranquilidade caseira do encaixe. Não se cansaram da proximidade. Estão lutando pela permanência na memória, brigando para não serem esquecidos, insistindo para que se telefonem no dia seguinte, arrumando motivos e desculpas.

Amontoar é o momento em que mostramos que o cheiro nos agrada, que não há como voltar a ser como antes.

Significa que nenhum dos dois vai se separar de manhã. Não terminaram de se encontrar.






Crônica publicada no site Vida Breve

MULHER PERDIGUEIRA VEM AÍ!

NARRA E COMENTA

O escritor Fabrício Carpinejar, ganhador do prêmio Jabuti em 2009, vai instalar telões para tuitar - e exibir os comentários ao vivo - durante os eventos de lançamento de seu próximo livro, "A Mulher Perdigueira" (Bertrand Brasil), em junho. A obra, uma coletânea com 125 crônicas em defesa das "mulheres que vivem no encalço do homem, que mexem no celular, no computador e no Orkut dele e ligam 15 vezes ao dia", como define o autor, terá sessões de autógrafo em Porto Alegre, SP e Rio.

Publicado na Folha de São Paulo, caderno Ilustrada
Coluna de Mônica Bergamo, 19/05/2010

terça-feira, 18 de maio de 2010

EM DEFESA DA TIMIDEZ

Confira o programa Estilo Zen (30/4), da TVCOM, em que falo do temperamento de meu filhote Vicente, 8 anos, e de seu blog EUVIBICHOS. Apresentação de Lú Adams.