terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

PENHOR

Arte de Patrick Heron
 
Se você recebeu um presente que não gostou não dê para outra pessoa. Já não funcionou uma vez.
 
É ser camelô do afeto, contrabandista da amizade, traficante da própria casa.
 
Por que você acredita que alguém vai gostar de algo que você não gostou?  Ou você acredita que o outro tem mau gosto?
 
Acertei? Você tem bom gosto e dá para quem tem mau gosto? Está chamando o presenteado de cafona? Está ofendendo o presenteado?
 
E ainda lança aquela frase hipócrita: “Pensei em ti, pensei que é tua cara”.
 
Nossa, reembrulhar um presente traz azar, tem energia negativa, todo mundo nota o embrulho solto e o durex sem cola.
 
Não se pode remanejar presente. Reutilizar. Não favorece o carma. É muita avareza entregar algo de segunda mão. É para economizar duas vezes (poupar tempo e poupar dinheiro).
 
Presente não é obrigação. Presente não é se livrar da tarefa. Não é disque-entulhos.
 
Melhor esquecer a data do que passar adiante algo rejeitado.
 
Oferecer jóia da ex-mulher para a nova namorada, por exemplo, é de última categoria.
 
Você não é uma casa de penhor, querido.
 
Pior que isso é só reciclar camisinha.
Ouça meu comentário na manhã de terça-feira (26/2) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, apresentado por Antonio Carlos Macedo e Daniel Scola:
 

Um comentário:

Marccelo Pereyra disse...

Carpi,guardo todos para um amigo oculto de fim de ano!