segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A TEXTURA DO MUNDO É MEU TEXTO

Arte de Egerton Coghill

Quando criança caminhava para a escola raspando a mão nos muros. Pela textura, pelo cal, pelas heras, eu sabia se estava chegando ou não.

Conhecia cada muro da vizinhança como um degrau da própria escada de casa. Eu caminhava mais pelo tato do que pelos olhos. Assim, do mesmo jeito, o olfato me guiava.

Conhecia pelo cheiro a cerração das manhãs ou a luz alvoraçada da primavera. Identificava a floração e o pólen das árvores de meu bairro. As árvores eram pessoas que eu cumprimentava.

Eu despertava para a aula não com nenhum alarme, e sim com o barulho da porta pesada de ferro do armazém se levantando.

Quando amo, não são os meus olhos que me avisam que estou amando, mas a minha pele.

Desconfie do que vê. Que mantenha a infância dos outros sentidos abertos para não cometer nenhum preconceito.

Ouça meu comentário na Itapema FM RS, na tarde dessa segunda-feira (09/11), às 13h, apresentação de Denise Cruz:

domingo, 8 de novembro de 2015

GLICOSE DO AFETO


Bêbado tem dono, sim. Tem endereço. Tem memória. E merece todos os cuidados.

Quem abusa de bêbado já extraviou o caráter. Quem troça de bêbado não guarda lembrança dos extremos da adolescência e da fragilidade do corpo. Quem zomba de bêbado não enfrentou a severa humildade de dormir abraçado numa privada.

Não se fica com mulher embriagada ou que não responde pelos seus atos. É covardia, golpe baixo, desaforo. O que se deve fazer é dar carona e largá-la em casa – nada mais do que isso. Sedução requer igualdade de condições. Se ela não desfruta de equilíbrio para rejeitá-lo, não resta prêmio em conquistá-la. Zerar na noite é melhor do que não poder se olhar no espelho de manhã.

Não é homem aquele que se aproveita do porre alheio para tirar vantagem. Não cultiva o próprio respeito. Não conta com a mínima compreensão de solidariedade, de educação, de decência (palavra em desuso, infelizmente).

Bêbado é um cachorro atravessando a BR – precisamos diminuir a velocidade para não atropelar.

Não existe nenhuma graça de ver alguém cambaleando, derrubando copos e objetos em dança suicida. O riso excessivo é enganador, significa descontrole, deixou de ser divertido há quatro copos. O sofrimento se expressa também na comédia.

Sempre que um amigo passa de seu limite na bebida, eu sereno imediatamente. Acordo impulsivamente do efeito do álcool.

Um amigo em apuros é o meu café, o meu guaraná cerebral. Desperto de qualquer torpor. Não acentuo o constrangimento e não finjo euforia para cavar confissões e frases engraçadas.

Não debocho dele. Ele não se torna uma piada pela fala presa, pelos tombos ou gafes desesperadas. Não o exponho para os outros. Falo cada vez mais com calma, soletrando, explicando o que está acontecendo e que é recomendável recuar com água ou refrigerante. Sou o chato, sou o careta, sou o pai de meu comparsa, sou a figura que ele vai odiar na balada e chamar de estraga-prazer. Pois tentarei ajudar enquanto ele somente busca enlouquecer. Meus ombros serão passarelas, jamais permitirei que ele seja um mico de auditório, ainda que eu cumpra o papel desagradável de leão de chácara.

É o meu momento de protegê-lo de si mesmo – seu pior inimigo.


Publicado no jornal Zero Hora
Revista Donna, p.40
Porto Alegre (RS),  08/11/2015 Edição N°18349

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

ABENÇOADA SEJA A LOUCURA


Eu fico envergonhado quando alguém bate palmas no momento em que o avião pousa, quero me esconder na poltrona. Desde quando avião é espetáculo?

Eu fico envergonhado quando o público aplaude o fim de um filme no cinema. O diretor e os atores não estão ali, para quem?

Nestes dias, caminhando na praça da Encol, a minha mulher pergunta: vamos abraçar uma árvore? Fiquei novamente envergonhado. Como sempre envergonhado.

- Tá maluca? Todo mundo vai me ver abraçando uma árvore, o que as pessoas pensarão de mim?

Como estou errado! Como sou bobo em não ser bobo!

Deveria me envergonhar da corrupção, da violência, da insegurança neste país. Não daquilo que é espontâneo, puro e alegre.

Que os aviões e sessões de cinema sejam ovacionados. Que as árvores sejam abraçadas.

Acabamos nos controlando demais com medo dos outros. Viver com medo é nunca ter nascido.

Abençoado seja o vexame. Abençoada seja a loucura do bem.

A vida precisa de mais entrega, de mais emoção, de mais autenticidade.

Este foi o meu comentário na manhã de sexta-feira (6/11) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, apresentado por Antonio Carlos Macedo e Jocimar Farina.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

MINHA PORTO ALEGRE



Como é difícil mostrar a própria cidade. Dois amigos argentinos – Lorenzo e Tomás – vieram visitar Porto Alegre depois de tanto professar a minha paixão. Acostumados com as praias brasileiras, chegaram aqui por absoluta crença nos meus elogios escandalosos para a capital gaúcha.

Fiquei encarregado de provar o meu gosto, e somente me confundi e me amargurei. Apresentei a Usina do Gasômetro no entardecer e aconteceu num dia nublado e o sol não deitou no horizonte, não prateou o Guaíba, e os olhos castanhos da água não se transmudaram em verdes pela luz refletida.

A curiosidade não produzia atenção, não prolongava nenhum lugar na memória da dupla estrangeira. Eles me olharam com pena, como que pedindo mais, e levei os dois para a Feira do Livro, mas ambos conheciam um projeto semelhante em Córdoba, não se mostraram arrebatados e não tinha jeito de singularizar a minha cidade. As palavras escapavam. E corri para o terraço da Casa de Cultura Mario Quintana e o meu espanhol era curto para explicar a importância de nosso poeta pensador. E fomos ao porto do Guaíba, ao morro Santa Tereza, aos chopes na ladeira, e a comoção não vinha e a monotonia já parecia eterna.

Eu estava cansado de falar, gesticular e rir de nervoso. Desisti de esclarecer a minha cidade. Entendi que é o mesmo que justificar o porquê de amarmos uma mulher. Como expor visivelmente o que é subjetivo? Como descrever a minha emoção de atravessar a Rua da Praia, calçadão que frequento desde menino? Como detalhar o efeito de caminhar em bairros com a copa fechada das árvores? Como alfabetizar o arrepio, o coração acelerado, o sotaque, o aconchego de um chimarrão na Redenção?

É igual a fundamentar o amor pela esposa, já que não alcançarão o poder da nossa cumplicidade, a telepatia das mãos dela em meu rosto, as longas conversas de apoio quando quero desistir de tudo, o sabor do nosso beijo, as festas e gafes conjuntas, as vitórias e superações sigilosas.

Porto Alegre é inexplicável para os turistas e, paradoxalmente, adorada pelos seus moradores. Os meus amigos só enxergavam os defeitos, e eu com as virtudes engasgadas na garganta.

Voltei para casa ouvindo Nelson Coelho de Castro no carro e cantando sozinho o que é intraduzível, o que não tem rima em outra língua, o que não tem versão em outro crepúsculo.

A única forma de conhecer uma cidade é amando.





Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 4,  03/11/2015
Porto Alegre (RS), Edição N°
18344

INVASÃO DA PRÓPRIA PRIVACIDADE

Arte de Georg Arnold-Graboné

Vem vindo o verão. Vem vindo a praia. Só que você, homem, não terá fotografia da primeira viagem com a mulher. A primeira viagem do ano não existe.

Como ela ainda não está bronzeada e se acha fora de forma, não vai deixar você tirar nenhuma selfie junto, separado, de lado, do alto. Nem de helicóptero. Nenhum flagrante. Nenhuma imagem de surpresa e, muito menos, supervisionada.

Mesmo que você diga que ela é linda e que é loucura de sua parte.

A praia que sucede o inverno é absolutamente confidencial. Não haverá provas. Não haverá vestígios. Não terá como esnobar os amigos dos lugares que frequenta com poses amorosas no Facebook.

Não ouse preparar declarações nas redes sociais - ela vai abominar qualquer cena de sua intimidade.

Nesta época, marido é paparazzi, e poderá sofrer agressão e ter o celular e a câmera quebrados pela esposa.

Não adianta insistir, ela não se vê pronta, não deseja que ninguém a veja assim. Quer aparecer de repente, gloriosa, sem rascunho conhecido.

Ouça meu comentário na Itapema FM RS, na tarde dessa terça-feira (03/11), às 13h, apresentação de Denise Cruz:


domingo, 1 de novembro de 2015

MATURIDADE OU INDIFERENÇA


– Você é jovem e ainda viajará bastante, conhecerá o mundo, não deve adiar os seus sonhos por ninguém.

– Gosto do jeito que é, não mudaria coisa alguma em você.

– Sou contra pagar a conta, pois dividir valoriza o seu trabalho.

– Não tenha pressa de se envolver, vamos devagar, seguindo o seu ritmo. A relação é uma construção.

– Já teve quantas histórias? Afinal, se você transa bem é consequência daquilo que já viveu.

– Hoje é melhor eu ficar sozinho para aumentar a saudade.

– Pode se abrir e me contar o que quiser, não há com que se preocupar. Antes de tudo, somos amigos

– Não precisamos nos encontrar todo dia, desejo que não perca a sua independência.

– Você está certa, como sempre.

– Estou passando por uma fase de autoconhecimento e você tem sido extremamente compreensiva.

– Beba com as amigas, vá a festas, a sua felicidade vem em primeiro lugar.

– Eu entendo o que você sente, somos muito parecidos.

– Não quero que sacrifique a sua liberdade por mim.

– Ciúme é burrice, feito para quem busca mandar no outro.

– Estarei aqui quando precisar.

– Tem todo o meu apoio.

– Você é muito importante para mim, não há necessidade de nenhuma prova.

– Sexo não é tudo, há tanto numa relação para se aproveitar.

– Estava escrevendo para você quando me escreveu.

– Você não me sai do pensamento.

– Não ligo para a beleza, eu presto atenção na autenticidade das pessoas.

....

– Nossa, como você me aceita!, nunca encontrei um homem tão seguro, independente, maduro, compreensivo, equilibrado, calmo, esclarecido, nem um pouco possessivo, capaz de me incentivar sem nenhum egoísmo, sem nenhuma pressão.

(O que ela não sabe é que ele só é assim porque não está apaixonado.)


Publicado no jornal Zero Hora
Revista Donna, p.32
Porto Alegre (RS),  01/11/2015 Edição N°18342

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

"A RESPONSABILIDADE É MINHA!"

Arte de Vicente Dopico Lerner

Quando você é solteiro não tem em quem colocar a culpa pela sua infelicidade.  Ou culpa por não conseguir fazer as coisas. Ou culpa por se atrasar ou por não dormir direito. É só você com você. Não há culpados: ninguém está perto para acusar.

A responsabilidade não muda com o casamento. Continuamos responsáveis pelas nossas escolhas e desejos, tristezas e mágoas.

Não culpe a sua companhia por aquilo que sempre existiu. O que não deu certo ainda é seu, por mais que seja uma tentação jogar a culpa no marido ou na esposa. Os defeitos ainda são seus. Os problemas ainda são seus. As limitações ainda são suas - exatamente igual como na vida de solteiro. Não foi inventada a partilha dos defeitos no matrimônio.

Não busque tirar o corpo e a alma fora. Não enrole como Homer Simpson: "A culpa é minha e eu boto em quem quiser!”.

Ser honesto é mais bonito do que ser perfeito.

Ouça meu comentário na manhã dessa sexta-feira (30/10) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, com Antonio Carlos Macedo e Jocimar Farina:



quarta-feira, 28 de outubro de 2015

FILHOTE DE URUBU

Arte de Eduardo Nasi

Nada era mais importante do que não ir para aula.

Criança faz vodu, reza por tragédias, assina pacto com a preguiça. Tudo para não se levantar cedo e enfrentar cálculos e regras de português.

Quantas vezes torci pela paralisação do magistério, absolutamente indiferente às reivindicações mais que justas?

Os professores enfurecidos e eu absolutamente alegre. Os professores badalando sinetas na Praça da Matriz e eu com o badalo da língua em um sorvete italiano de máquina. Não tinha nenhum engajamento ou compaixão, apenas pensava em mim com o egoísmo puro de um Anticristo. Mentalizava para o Governo jamais atender o aumento salarial da categoria, resmungava ofensas, mais intransigente do que o Secretário da Fazenda. Acompanhava a votação no Gigantinho aguardando, fervorosamente, os braços estendidos da multidão de servidores. Como amava a greve! Azar que perderia as férias em seguida, que as aulas avançariam janeiro, eu me interessava pelo prazer imediato.

Festejava porque me permitiria assistir O Balão Mágico a manhã inteira. Não precisaria me preocupar em despertar, tomaria o meu Nescau tranquilamente, e ainda poderia jogar videogame com os amigos.

Estudante é bicho triste. Comemora doença, hecatombe, confusão em nome de uma folga e de um feriado imprevisto.

Minha mãe chorava com a morte do Papa João Paulo I numa quinta-feira e eu ria à toa devido ao luto e ao sábado e domingo de graça no meio da semana.

Não fui um menino bom, fui um urubu de pequeno, um corvo disfarçado de gente.

Quando faleceu Tancredo Neves, o primeiro presidente civil do Brasil depois de 20 anos de ditadura, eu dei um pulo de gol na sala. Um urra de contentamento. Um soco no ar de Pelé. Lembro do porta-voz da presidência, Antônio Britto, noticiar, com voz pesarosa, o fim prematuro do nosso líder político: “Lamento informar que o excelentíssimo senhor presidente da República Tancredo de Almeida Neves…”

A família inteira fungava, perplexa, no sofá da sala, e eu não pertencia àquele quadro de consternação. Enxergava o benefício pessoal do enterro e da comoção nacional.

Aconteceu na noite alta de um domingo, 21 de abril de 1985. Estava começando a revisar conteúdo para a prova de matemática. No momento do anúncio fúnebre, não me contive de entusiasmo, joguei o caderno para cima. Não haveria prova, não haveria escola aberta, não haveria nenhuma obrigação. O país parou e me deixou livre para brincar. Lembro de ter dito, baixinho: “Obrigado presidente, morreu bem na hora”.

Arrependimento só não mata criança.







Crônica publicada no site Vida Breve
Colunista de quarta-feira 28/10/2015

terça-feira, 27 de outubro de 2015

A BELA E A FERA


A mulher linda é a alma gêmea do homem feio.

Os dois são vítimas da aparência, com grandes dificuldades para demonstrar o que são por dentro.

Sou o feio de minha casa. Mas não enfrentei um bullying como o que aguentou a minha irmã Carla, uma boneca de tão formosa.

Eu fui debochado, chamado de ET, de monstro, de apelidos inimagináveis. Cansei de me envergonhar e de suportar os colegas rindo do meu jeito desengonçado. Porém mantenho o discernimento de que a Carla sofria mais: as pessoas por perto desconfiavam de sua inteligência. Não podia ser bonita e inteligente ao mesmo tempo.

A gozação era de outra ordem, caracterizada pelas indiretas.

No meu caso, o bullying era a gargalhada escancarada; no caso dela, era a conversa sussurrada.

No meu caso, o bullying era a ofensa gritada; no caso dela, era a suspeita silenciosa.

No meu caso, o bullying era a troça; no caso dela, era a fofoca.

No meu caso, o bullying era feito em minha presença; no caso dela, era construído em sua ausência.

Qualquer avanço precoce que ela alcançava na vida, pelos seus méritos e estudo, terminava creditado para a sua beleza. Os colegas insinuavam que encontrava facilidades por ser exuberante.

Não podiam admitir a sua genialidade, e suas proezas como a láurea na faculdade de Direito da UFRGS ou o primeiro lugar no concurso do Ministério Público.

Ela cresceu obrigada a se defender do senso comum, que não admitia que ela pudesse ser também competente, que conservava a mania de achar que toda a miss é burra, de que todo mulherão precisa seduzir para conseguir os seus objetivos.

Enquanto muitos deduziam que ela lesse O Pequeno Príncipe, ela conhecia O Príncipe, de Maquiavel, de cor e desbravava os clássicos da política e da literatura.

A beleza nunca a favorecia, apenas atrapalhava. Trabalhou o dobro para ser aceita, e o triplo para ser reconhecida.

A mulher linda é tratada somente pelo seu físico, esvaziada de personalidade. São um preconceito e um machismo invisíveis, traficados pelo elogio do corpo.

A agressão acontece de modo psicológico e sutil, e o isolamento torna-se quase certo. Tem que se desvencilhar de cantadas ininterruptamente. Há uma dificuldade para encontrar amigos e chefes desinteressados. Sair na rua é aturar os assobios da construção civil e os olhares pornográficos. Existirá a inveja das amigas que procurarão desmerecer o seu sucesso profissional. Professores esnobarão a sua imagem bem-vestida.

A mulher bonita corre sérios riscos de virar um alvo meramente sexual e jamais ser vista por inteiro.

Só ela entende o que o homem feio sente.






Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 6,  27/10/2015
Porto Alegre (RS), Edição N°
18337

DESFILE

Arte de Eugenio Granell 

Homem não compreende quando sua mulher vem apresentar a sua lingerie nova.

Ele já quer tirar. Nem finge interesse. Ela gastou duzentos reais para nada.

Poderia existir sutiãs e calcinhas descartáveis, que daria igual trabalho.

O marido não memoriza quais são as peças recentes de sua esposa. Ela mostrará um conjunto que usa sempre e ele achará que foi comprado ontem.

Homem crê que a roupa de baixo não é para ser vista. Não entende o preço de um sutiã e de uma calcinha, ou a imensa paciência para escolher a ideal.

Olha como é complicado: a alça do sutiã deve ser centralizada nos ombros; quem possui seios menores, enchimento e push-up são uma ótima alternativa, quem possui seios maiores, o correto é optar por laterais e costas reforçadas; não convém alça de silicone ficar exposta, cuidado com a cor da pele não destoar demais do conjunto; quadril mais estreito tem o direito de abusar de calcinhas com alças finas, estampadas, com babados e laços nas laterais; já quem conta com um quadril avantajado é aconselhável calcinhas com cós mais alto e lateral mais larga, de preferência lisas ou com estampas pequenas.

Convenhamos, não é igual a selecionar uma cueca. É uma trabalheira sem fim.

O homem deveria ser mais solidário, aplaudir a caminhada que será feita na passarela do quarto e não querer ir direto ao finalmente.

O homem confunde desfile de lingerie com strip-tease. Não é a mesma coisa.

Ouça meu comentário na manhã dessa terça-feira (27/10) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, com Antonio Carlos Macedo e Jocimar Farina: