domingo, 22 de janeiro de 2012

MULHER TRANSFORMOU O CARRO NUMA BOLSA


Dificilmente o homem entenderá, mas carro para mulher é bolsa, é camarim, é quarto de solteira. Não entre sem bater. Ouça meu comentário na Rádio Gaúcha de sábado (21/1):
 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

DICAS DE VIDA A DOIS

Participei do Jornal do Almoço na sexta (20/1), ao meio-dia, programa da RBSTV. Interagi com atores e atrizes do Porto Verão Alegre. Muitas risadas e pitadas de ironia. Veja:

DEPOIS DA SEPARAÇÃO

O que fazer no primeiro dia de separação, após brigar com a mulher? Respondo a dúvida em meu comentário na Rádio Gaúcha na manhã dessa sexta (20/1). Acompanhe:



Você se separou da namorada, não se mexa, não faça nada no dia seguinte, não converse com ninguém, apague o celular. Se possível, não vá ao serviço, arrume um atestado, não atenda o interfone, não ligue o computador.
Procure o silêncio, o isolamento, o mosteiro de Três Coroas. Não caía na tentação da fofoca, não conte para ninguém o que aconteceu, as coisas podem mudar, tudo é muito recente, calma. Durma. Durma muito. 
Conviver aumenta o risco de ferrar a relação de uma vez por todas. 
Estamos magoados, feridos e loucos para nos vingar.
Somos terroristas explodindo o passado. Temos grandes chances de fazer bobagem. De falar mal dela para os amigos e romper os laços de confiança.
Com cabeça quente, vamos apagar as fotos no orkut e ela se sentirá um lixo.
Com cabeça quente, vamos mudar nosso status no Facebook e ela achará que temos outra.
Com cabeça quente, vamos reunir e entregar as coisas dela numa caixinha como se ela fosse uma leprosa.
Com cabeça quente, mandaremos torpedos e mensagens com as piores ofensas - palavrões que nem o dicionário  do mundo.
Com cabeça quente, daremos finalmente motivos para que ela se separe para sempre.
O amor precisa de dois dias de luto, no mínimo. Demoramos tanto para conquistar alguém, não podemos desistir tão facilmente.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

RETARDADO AOS OITO ANOS


Mãe é exagerada. Sempre romantiza a infância do filho. A minha, Maria Carpi, dizia que eu fui um milagre, que enfrentei sérias rejeições, que não conseguia ler e escrever, que a professora recomendou que desistisse de me alfabetizar e que me colocasse numa escola especial.

Eu permitia que contasse essa triste novela, dava os devidos descontos melodramáticos, entendia como licença poética.

Até que mexi na estante do escritório materno em busca do meu histórico escolar.

E achei um laudo, de 10 de julho de 1980, assinado por famoso neurologista e endereçado para a fonoaudióloga Zulmira.

“O Fabrício tem tido progressos sensíveis, embora seja com retardo psicomotor, conforme o exame em anexo. A fala, melhorando, não atingiu ainda a maturidade de cinco anos. Existe ainda hipotonia importante. Os reflexos são simétricos. Todo o quadro neurológico deriva de disfunção cerebral.”

Caí para trás. O médico informou que eu era retardado, deficiente, não fazia jus à mentalidade de oito anos. Recomendou tratamento, remédios e isolamento, já que não acompanharia colegas da faixa etária.

Fico reconstituindo a dor dela ao abrir a carta e tentar decifrar aquela letra ilegível, espinhosa, fria do diagnóstico. Aquela sentença de que seu menino loiro, de cabeça grande, olhos baixos e orelhas viradas não teria futuro, talvez nem presente.

Deve ter amassado o texto no bolso, relido sem parar num cantinho do quintal, longe da curiosidade dos irmãos.

Mas não sentiu pena de mim, ou de si, foi tomada de coragem que é a confiança, da rapidez que é o aperto do coração. Rejeitou qualquer medicamento que consumasse a deficiência, qualquer internação que confirmasse o veredito.

Poderia ter sido considerada negligente na época, mas preferiu minha caligrafia imperfeita aos riscos definitivos do eletroencefalograma. Enfrentou a opinião de especialistas, não vendeu a alma a prazo.

Ela me manteve no convívio escolar, criou jogos para me divertir com as palavras e dedicou suas tardes a aperfeiçoar minha dicção (lembro que me fazia ler Dom Quixote, e minha boca andava apoiada no corrimão dos desenhos).

Em vez de culpar o destino, me amou mais.

Na vida, a gente somente depende de alguém que confie na gente, que não desista da gente. Uma âncora, um apoio, um ferrolho, um colo. Se hoje sou escritor e escrevo aqui, existe uma única responsável: Maria Carpi, a Mariazinha de Guaporé, que transformou sua teimosia em esperança. E juro que não estou exagerando.





Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 2, 17/1/2012
Porto Alegre (RS), Edição N° 16950

FELIZ DE OUTRO JEITO

Ouça meu comentário de terça (17/1/2012) na Rádio Gaúcha, sobre a diferença entre diagnóstico e destino e citando a experiência de Léa Chagas, protagonista de Feliz de outro jeito, livro de autoria do seu marido Carmo Chagas.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O QUE É INSUPORTÁVEL NA MULHER?

Arte de Jean Fautrier

O que o homem não aguenta enxergar ou ouvir de sua companhia? O que arrebenta a paciência masculina? O que nos tira do sério?

1) Sovaco cabeludo (só fazia sucesso entre as atrizes comunistas da Alemanha Oriental);
2) Pernas lixas de parede (você vai dançar sertanejo universitário com ela e, no momento de coxear, acaba esfolado);
3) Calcinha cor de pele (o mesmo que encontrar a avó nas pernas de sua mulher);
4) Calcinha no box (a tendência é a torneira virar um cabide);
5) Puxar a calcinha do rego (o equivalente a coçar o saco para o homem);
6) A tradicional pergunta terrorista: O que está diferente em mim?;
7) Inventar que a gente está precisando de roupa para nos arrastar ao shopping e aproveitar a liquidação de sapatos femininos;
8) Não acreditar no nosso elogio. Nem no verdadeiro nem no falso.
9) Perguntar se ela está em TPM ofende, não perceber que ela está em TPM ofende;
10) Chorar no meio de uma briga (ela ganha a discussão porque chorou primeiro);
11) Mania de dizer que esqueceu algo quando acabou de sair de casa;
12) “Só um minutinho”, aquela enrolação na hora de se vestir;
13) Unha descascada;
14) Buço (não dá para engolir mulher com sobrancelha na boca).

Acompanhe como foi meu comentário na Rádio Gaúcha na manhã desse sábado (14/1):

sábado, 14 de janeiro de 2012

SONHO DE GURI

Dirigido por Liliana Sulzbach, Sonho de Guri acompanhou durante um ano a vida de meninos que sonham com o estrelato do futebol. O documentário foi exibido pela RBSTV no sábado (14/1/2012), às 12h30. Dou um depoimento ao final sobre minha experiência na peneira do Inter. Confira outros episódios da série.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

COMPOSITOR DA SAÚDE MENTAL

Fotos de Cínthya Verri

Paulo Sérgio Rosa Guedes era extremamente ligado ao seu avô, que contava histórias saborosas e brincava de cartas. Otelo morreu de infarto fulminante numa terça chuvosa de 1956. Durante décadas, Paulo Sérgio, na época com 15 anos, reprisou a cena e pensou ter condições de socorrer e salvar o familiar. Carregou a culpa pela morte. Raciocinava por condicionais: "Se eu tivesse dormido na casa dele, não teria morrido"...

Foi seu trabalho de psicoanálise que o possibilitou a se desfazer da onipotência e ajudar centenas de gaúchos a perceberem que a culpa, na maior parte das vezes, é inventada.

"A culpa em si é a única causa de doença mental, é um delírio de grandeza, que faz com que a pessoa acredite que é causadora de tudo", explica.

Autor de livros como O "Sentimento de Culpa" e "A paixão, caminhos & descaminhos", poeta e ensaísta, Paulo Sérgio, 70 anos, mostra o quanto é possível ter mais prazer e menos decepção, o quanto a culpa indica uma vontade insustentável de ter controle sobre qualquer coisa. É hábito dizer que algo deu errado porque não se agiu de determinada maneira, mas - na verdade - o sucesso ou o fracasso de um negócio ou relacionamento não depende somente de nossas ações.

"Não somos o centro do mundo, talvez tenhamos que descobrir qual é o nosso mundo para aprender a ser livre".

Em sua residência-escritório no alto da avenida Carlos Gomes, em Porto Alegre, Paulo Sérgio tem o despojamento da alegria. Sabe que o "riso é a coisa mais séria que existe". Gargalha entre frases de efeito. Articula pequenas teses em aforismos: "O que leva o jovem à insônia é o que faz o velho dormir" ou "É insuportável sermos tão diferentes uns dos outros".

Não se veste de modo pomposo, está sempre esportivo e tem a mania curiosa de calçar sapatos brancos. Na hora de comprar, não usa cartão de crédito ou cheque especial. Não sofre com aquilo que não é, muito menos pretende gastar o que não tem. Mantém o mesmo carro de 1994 na garagem, um Ford Taurus.

Paga à vista cada palavra. Não remói amargura.

"O que foi já me ensinou, o que virá não sei".

Poderia ser um xamã, um líder espiritual, mas é um dos psiquiatras mais conceituados do Rio Grande do Sul, com 42 anos de atuação, um exército de fãs e uma tropa de imitadores. Identifica a psiquiatria como música, converte conceitos em fala simples e comunicativa, transforma o jargão em sinfonia: ouvir é entender, amar é cuidar.


"Como ajudaremos com termos técnicos?", pergunta.

Quando recebeu de presente o piano de sua mãe Zuleika, na adolescência, teve vontade de recitar o texto “Gradiva” de Freud. É um compositor da saúde mental. Seu pendor acústico - toca igualmente violão e cavaquinho – emana de uma casa tomada pela arte, em que seu pai, também psiquiatra, professor da UFRGS, recebia amigos para longas e acaloradas discussões.

"Meu pai Paulo Luís Vianna Guedes morreu jovem, aos 52 anos, mas escondeu o riso no meu para continuar nossa serenata".

Seu pensamento é um antídoto numa época de festas de Natal e virada, de receio pelas férias, de excessivos gastos, de encontros familiares e ressentimentos.

"Final do ano é uma continuação do ano anterior. Sem pânico diante da página em branco, é apenas prosseguir escrevendo."

Hoje existe uma descarga desproporcional de cobrança: é cuidar do corpo, é atender as metas no trabalho, é sofrer por não acompanhar os filhos ou por não se dedicar ao namoro.

"Para que enlouquecer?", questiona. "Paga-se caro por preocupações irrelevantes".

Um de seus achados de percepção é desenvolver as diferenças entre culpa e responsabilidade. Por mais que soem parecidos, não são sinônimos.

Culpa é se isentar da ação, como se não tivesse envolvimento com as escolhas da própria vida. Responsabilidade é aceitar a vida como aconteceu - ainda que não tenha sido perfeita.

Quem é culpado vai adiar um prazer inúmeras vezes, é capaz de reclamar do trabalho e não mexer uma vírgula para mudar de emprego, criticar seu marido ou mulher e manter a rotina do jeito que não gosta para permanecer praguejando.

"É mais confortável se portar como culpado do que assumir os próprios desejos. Há gente que desabafa que não tem tempo para os filhos, mas não reivindica seu tempo, não abre seu tempo e procura encontrar desculpas externas para não ser criticado".

Então, a culpa traz uma dupla fantasia: de controle, em que a pessoa se vê geradora do que de ruim acontece em sua volta, e de fatalidade, em que não se sente apta a modificar o comportamento.

De acordo com Paulo Sérgio, o cotidiano depende de sorte e azar, daquilo que chamamos de acaso. Nada mais do que isso. E grande parte dos aborrecimentos surge da ilusão de ser importante em todo momento.

O culpado não faz por mal, ele mente para si e para os outros, é um enganado e um enganador. Sua atitude garante benefícios, senão não seria largamente adotada: preserva a idealização, cria amizades pela dependência do sofrimento e anula a autoridade de suas opções.

No período em que fumava, Paulo fingia que consumia um maço por dia, porém já destrinchava três carteiras. Prolongou a mentira para não arcar com as consequências de seu vício.

"Imaginamos que mentindo para si os demais não descobrirão. O que me faltava era opinião própria, reconhecer que não deveria ser melhor do que eu era, mas melhor no que eu realmente era".

É uma espécie de transe, de glorificação da vítima, de coitadismo insaciável; o problema passa a ser eternamente alheio, do governo, dos pais, do casamento, do mercado de trabalho, do trânsito.

"Na terapia, o culpado não procura ajuda, e sim um fiador, quer que concordemos com seus motivos para continuar sofrendo em vão. Chega com a alma vendida. A psicoanálise é o oposto: a arte de restituir a uma pessoa a alma que ela tem.”

A devolução da alma se desenrola pelo caminho da simplicidade: admitir o tamanho da experiência, acolher os defeitos e as falhas, permitir-se essencialmente errar e seguir adiante. Não ser superior ao passado, mas se contentar com o possível, o deliciosamente possível.

Paulo Sérgio é tão comum, que talvez ninguém repare na rua a desenvoltura de seu olhar. O brilho malandro de alguém que desvendou a verdade, recusando atalhos e assumindo suas vivências. Ele é um homem que trocou o poder pela confiança. Um negócio sábio.

June Schuck, 64, esposa há cinco décadas, é testemunha de sua enxurrada de idéias. Assim como seus filhos Luciana, Paulo Roberto, Ana Luísa e o neto Pedro. A família ri quando revela que o marido-pai-avô só poderia ter nascido em 1941, na maior enchente de Porto Alegre.

Não há dique que o contenha.


DECÁLOGO DA CULPA

1. O sentimento de culpa nunca é conseqüência, e sim causa.
2. Evite lista de intenções. Intenção não existe. Caso pretende fazer algo, faça agora. A ação é terapêutica.
3. Superfaturamos os dissabores. Tudo é muito dramático, inesquecível, incontornável. A vida é bem mais simples do que se imagina.
4. Ao invés de dizer o que se deseja, existe a fantasia de que o outro nos conhece e pode nos antecipar. É uma cilada: cobrará por não ser adivinhado.
5. Desconfie de sua importância: aquele inimigo mortal nem sequer sabe que você existe.
6. Reconheça que o outro não é igual: a diferença entre duas pessoas é maior do que entre dois animais de espécies distintas (Montaigne).
7. Em vez de interpretar, escute com atenção. Interpretar é se defender mais do que receber.
8. Não procure justificar o que fez, apenas diga que fez.
9. Se mantém a mesma opinião sempre, algo está errado. Coerência é mudar de opinião.
10. Inverta o mandamento “ame o próximo como a si mesmo” para “ame a si mesmo para amar o próximo”.

Publicado na Revista Contigo!
5 de janeiro de 2011

O QUE É INSUPORTÁVEL NO HOMEM?

Arte de George Grosz

O que é mais abominável no macho? O que é mais nojento? O que as mulheres detestam no homem? O que forma nosso índice de rejeição na corrida eleitoral pelo coração feminino?

1) Palitar dentes usando o interlocutor em espelho;
2) Cuspir na rua, e ainda olhar onde caiu;
3) Assoar com as mãos;
4) Bafo de cerveja;
5) Arrotar com orgulho, como Pavarotti do arroto ;
6) Unha do pé quebrada e suja;
7) Bago para fora do calção esportivo;
8) Cofrinho de mecânico;
9) Braguilha aberta;
10) Pêlo na orelha;
11) Tirar sujeira do nariz dentro do carro;
12) Chiclete em voz alta, de boca aberta;
13) Soltar gases na cama;
14) Coçar o saco;

Se não tem nenhuma dessas atitudes, parabéns, você é um anjo, um querubim, certamente você não é homem.


No sábado (14/1), às 7h20, na Rádio Gaúcha, a lista do que é insuportável numa mulher.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

LASIER AVIADOR

O apresentador Lasier Martins não é sisudo. É mais fama das gravatas do que verdade. Durante programa na TVCOM, ele experimentou meus óculos de aviador. O céu é o limite.