segunda-feira, 26 de outubro de 2015

MALANDRO COM MALANDRA

Arte de Jorge Castillo

A gente supõe que um malandro quando casa com uma malandra desfrutará de uma relação livre, excitante, louca, só aventura, sem amarras, já que ambos amam festa, dançar, bagunçar.  

É um engano. Tem tudo para ser uma relação conservadora.

Quem aprontou muito sempre sofrerá o medo que alguém apronte com ele.

Quem muito passou para trás em seus namoros não anda olhando para frente, caminha de costas. Viverá com receio de ser castigado, de levar o troco, de ser o último a descobrir.

Como os dois fizeram o pior antes do relacionamento, ficarão delirando monstruosidades de seu par. Não permitirão a sua companhia sair em paz, passear, conhecer novas pessoas.

Serão paranoicos, prevenindo deslealdades e infidelidades a qualquer momento.

Serão ciumentos, possessivos, desconfiados.

Conhecem todos os macetes e as manhas para enganar e não deixarão nada passar em branco.

Vão sair da libertinagem para o convento, da boemia para a prisão.

Dois ex-malandros juntos é uma casamento quadrado, sem graça, infestado de regras e restrições.

Ouça meu comentário na Itapema FM RS, na tarde dessa segunda (26/10), às 13h, apresentação de Denise Cruz:

domingo, 25 de outubro de 2015

BRIGANDO DIREITO



Sou fã de seriados, venho assistindo três ao mesmo tempo: Elementary, Narcos e Newsroom.

Neste último, um dos personagens jornalistas diz para a sua colega de trabalho que vive se separando do namorado: “Vocês precisam aprender a brigar direito”.

É um conselho que deveria ser levado para o ouvido do noivo e da noiva ao pé do altar: aprender a brigar direito é reduzir os danos e evitar as rupturas (e desgastantes reconciliações).

Briga boa é discussão curta, sem tempo para envolver outras pessoas e com espaço reduzido para não produzir ressentimentos. É falar o que feriu, explicar o ponto de vista, ouvir o contraponto, acolher as desculpas e seguir em frente, sem o risco de retaliações e excessos. Dependendo do que aconteceu, um longo telefonema ou um chimarrão ao entardecer resolve a pendenga.

Briga boa é aquela que não sai de casa, permanece dentro do círculo do relacionamento, a portas fechadas. Não vira cobrança, sermão e dívida. Mágoa longa sempre gera fofocas e opiniões incontroláveis de terceiros.

Briga boa não deve ultrapassar 24h, pois o mal-estar faz vítimas rapidamente. Nem todos têm paciência para ruminar desentendimentos. O suspense pela paz desperta o pessimismo nas almas amorosas. É duro controlar a ansiedade. O tema só chegará ao terapeuta depois de passar pela comunidade inteira.

O ideal é ter simplicidade para falar o que incomoda, não dependendo de conversas sérias e avisos de despejo.

Saber brigar é solucionar o impasse procurando as palavras certas, respirando fundo, prevenindo-se das agressões gratuitas, cuidando para não recorrer a afastamentos.

Ao banalizar o término, estará abrindo caminho para chantagens cada vez mais pesadas.

Briga boa significa preservar o seu par de algumas ofensas. Ultimatos são perigosos e costumam ser aceitos no momento de raiva. Desaconselhável desafiar a sua companhia com o fim – apressando a chance de ela fazer as malas.

Afinal, na gritaria, é o orgulho que manda, jamais o amor.

Briga boa é manter o foco de tudo o que é vivido a dois, e não apenas sublimar um momento ruim. Acima de tudo, cabe a delicadeza de trazer o contexto do romance à tona, o dia anterior, a sequência da intimidade. Fica mais fácil compreender a falha diante do conjunto da obra.

Ninguém está livre do erro, do engano e da distração. Brigas são desabafos. Não distorça a sua natureza catártica para um desproporcional acerto de contas.

Briga boa é, depois de reclamar, devolver a esperança com um beijo e um abraço apertado.


Publicado no jornal Zero Hora
Revista Donna, p.48
Porto Alegre (RS),  25/10/2015 Edição N°18335

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

A MINHA TRISTEZA PASSA RÁPIDO

Arte de Cundo Bermudez

Hoje completo 43 anos.

No primeiro aniversário que fiz para a os amigos, ninguém foi.

Foi um vexame. Foi um desastre. Foi um mico.

Tinha sete anos, cursava a primeira série, a mãe inventou de fazer a minha festa num feriado. A minha primeira festa para os outros.

O convite era do Flash Gordon, meu herói predileto na época.

A mãe e as irmãs passaram a semana preparando brigadeiros, branquinhos e salgados.

Estava me sentindo muito importante.

Eu fiquei na frente da casa esperando os meus convidados. Vestido de macacão e gravata borboleta. Jamais repeti esta combinação maluca na vida.

Morava numa residência de esquina.

Todo mundo que subia a lomba da Rua Corte Real, eu pensava que era alguém que chegava para a minha festa.

Gritava para os irmãos: - Agora sim!

Mas me enganava, as pessoas seguiam reto para seus compromissos. Não era para mim. Nunca era para mim.

Fiquei mais de duas horas plantado na frente de casa controlando todos que se aproximavam. Tão plantado que devo ter dado frutos e pássaros pousaram em meus ombros.

Até que anoiteceu, até que o pai pediu que entrasse, até que acabou o meu sonho de receber presentes dos colegas da escola.

Quando vi a mesa posta, com docinhos, cachorro-quente e salgadinhos para um exército, me deu uma pena de mim. Depois vi a torta imensa e a cara triste da minha mãe, daí me deu uma pena imensa de minha mãe. Guardei a lágrima, mais preocupado com ela, e busquei consolá-la:

- A gente pode congelar a torta para o ano que vem, não fica triste, mãe.

Sempre a tristeza dos outros é mais importante do que a minha tristeza, por isso a minha tristeza passa rápido.

Ouça meu comentário na manhã desta sexta-feira (23/10) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, com Antonio Carlos Macedo e Jocimar Farina:


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

TORTURAS DO AMOR MENINO

Arte de Eduardo Nasi

Quando o homem começa a acertar no relacionamento, já sofreu muito.

Quando o homem começa a ganhar na paixão, já tem um histórico de derrotas no coração.

Quando o homem começa a ser feliz no romance, já apanhou bastante em sua infância.

Atravessou os piores sentimentos como a inveja, o ciúme, a desvalia e a saudade antes de experimentar o amor.

Como ele amadurece bem mais tarde do que a mulher, não tem igualdade de condições para arrebatar suas colegas de escola.

As gurias do fim do Primeiro Grau, na minha época, por exemplo, de 13 anos, só ficavam com os caras mais velhos, de 16 anos para cima.

A concorrência era desleal.

Nós, da mesma faixa etária, rascunhávamos bilhetes e jogávamos fora, ensaiávamos frases por dizer e gaguejávamos na hora de reproduzir o seu conteúdo arrebatado. Nossa interação resumia a dividir a pastelina e o refrigerante. Ou sonhar com uma aproximação durante o trabalho em grupos.

Mas bastava sair dos limites da escola que desaparecíamos. Não existíamos. Evaporávamos.

Vinham os forasteiros. Alguns na universidade, alguns de carro, alguns falando grosso, alguns de barba enquanto ainda exibíamos a penugem transparente de um bigodinho.

Sequestravam intelectualmente as nossas garotas. Para além da noite e dos nossos olhos.

A maior parte delas namorava com os caras fora do nosso círculo. Não tínhamos chance. Representavam homens feitos, com quarto para namorar e dinheiro no bolso.

Além da desvantagem do tempo, havia uma injustiça na divisão dos recursos. Sem privacidade, seguíamos com uma rotina cigana, migrando da praça de alimentação dos shoppings para os bancos das praças, indo a pé da escola naquela vaga esperança de economizar a grana do ônibus. Impossível levar qualquer menina para casa, sofreríamos com o inquérito e espionagem da mãe.

Aspirávamos a primeira relação com elas, mas nem atingíamos o degrau do beijo. Não queriam saber dos piás, dos fedelhos, das crianças que voltavam suadas do recreio, com o gambito das pernas e as costas arqueadas.

Não desfrutávamos de peitoral e da simpatia bronzeada dos surfistas.

Quantas meninas amei sigilosamente no Ensino Fundamental e jamais me declarei? Por quantas meninas chorei em segredo?

Restava-me ser o melhor amigo delas, o confidente, o corno manso do amor platônico.

Por isso, faço questão de ser mais velho. Sempre adianto a minha idade. Para recuperar os três anos que perdi no princípio da adolescência.






Crônica publicada no site Vida Breve
Colunista de quarta-feira 21/10/2015

terça-feira, 20 de outubro de 2015

GAVETA DOS MISTÉRIOS


Na cozinha, tenho a gaveta dos mistérios. Foi dessa forma poética que a minha mulher chamou a segunda gaveta do armário.

Uma gaveta das extravagâncias caseiras, com tudo o que eu não imaginava possuir, que não lembro de ter comprado ou recebido de presente.

É o Estreito de Bering dos meus objetos, onde as coisas mais estranhas se misturam e criam novas vidas, ajudando-me a ser menos primata.

São inutensílios mais do que utensílios.

Quando a minha esposa pergunta se contamos com algo, mesmo que não compreenda do que está falando, já assimilei que pode estar na gaveta dos mistérios.

“Dá uma olhada ali!” é a minha resposta mais adequada.

Foi assim com o esmagador de alho. Nem passava pela minha cabeça que alguém excêntrico e louco tivesse inventado um espremedor para não feder as mãos.

Foi assim com o fuê e seus cabelos metálicos para bater as claras. Dez contra um que ignorava o batismo dessa colher.

Foi assim com o almofariz, um delicado pilão, moedor de grãos, cujo formato desconhecia.

Foi assim com a mandolina. Quando a esposa questionou sua existência, pedi que repetisse três vezes. Achava que escutava errado a palavra. O incrível é que havia uma mandolina na gaveta dos mistérios. Como pode? Fui descobrir que é para ralar vegetais. Não prestei a devida atenção nas aulas de técnicas domésticas na escola.

Entre os conhecidos cutelo, concha, funil, espátula e saca-rolhas, a despensa convida habitantes irreais para se juntarem à mesa. Há sempre um nome difícil e de pronúncia misteriosa. Às vezes, penso que aquilo não é uma gaveta, mas um dicionário.

Não posso mentir que me deu medo no instante em que a mulher me pediu para passar o cuscuzeiro. Tudo tem limite. Vá lá que eu ache.






Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 6,  20/10/2015
Porto Alegre (RS), Edição N°
18330

LAVAGEM CEREBRAL

Arte de William Baziotes

Homem tem a mania de não separar sua roupa na hora de colocar na máquina. Deixa tudo amontoado no cesto. É uma preguiça de infância que carrega para a vida adulta. É uma característica de filhinho da mamãe que não desapega.

Ele não se despe, ele se abandona.

Confunde seu figurino com um macacão eterno. É sempre uma peça única apesar de várias peças.

Pois a cueca está dentro da calça, as meias estão dentro da calça também, a camiseta está dentro do blusão. Isso quando não esquece o cinto junto.

Mais fácil pôr o homem inteiro na máquina de lavar.

Ouça meu comentário na manhã desta terça-feira (20/10) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, com Antonio Carlos Macedo e Jocimar Farina:

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

ANTES DO ANTES

Arte de  Paul Delvaux

O dilema do ciúme possessivo : a pessoa se sente melhor do que o outro porque se acha pior do que o outro.

A insegurança não vem do medo de perder alguém, mas da certeza de que não vale nada.

Ela não confia em si e passa a desconfiar de sua companhia.

Ela não ama a si e cobra amor de sua companhia.

Ela não respeita os seus limites e é grosseira com a sua companhia.

Ela suspeita da natureza de seus sentimentos, e vive querendo desmascarar o quanto a sua companhia não é fiel e leal.

Ela não acredita que pode ser amada e não deixa qualquer um amá-la.

Ela não se julga merecedora da convivência, portanto tenta apressar o fim.

Ela não quer ser feliz para continuar reclamando de sua tristeza.

Só pode ser dependente, ser cuidado, quem já era independente e cuidava de si.

O amor não conserta nada, apenas evidencia o que foi feito antes da relação.

Ouça meu comentário na Itapema FM RS, na tarde dessa segunda (19/10), às 13h, apresentação de Denise Cruz:

domingo, 18 de outubro de 2015

LIBERDADE É PODER BRIGAR


Se a minha mulher fizesse tudo o que eu quero, eu seria livre, mas ela não.

Se eu fizesse tudo o que a minha mulher quer, ela seria livre, mas eu não.

Como ambos não realizam o que o outro sempre deseja, vivemos brigando. Ou discutimos por ciúme. 
Ou por algum descaso. Ou para manter a vontade de cada um.

E não brigamos por qualquer coisa, isso é neurose, porém brigamos para manter pontos fundamentais das nossas personalidades.

Quem enxerga de fora não alcança o motivo de nossa união, já que parecemos divergentes, explosivos, passionais.

Dá a entender que somos infelizes e gostamos de nos maltratar, mas é um grande equívoco.

Nunca renunciei a minha liberdade. Ela nunca renunciou a sua liberdade. Brigar é a prova de que somos livres dentro do casamento. Nenhum dos dois sacrificou a sua independência para agradar o outro. Nenhum dos dois é submisso. Nenhum dos dois abdicou de suas convicções. Nenhum dos dois se sujeitou a uma placidez consensual.

Estamos convivendo, cedendo o possível e nos entendendo devagar, como deve ser qualquer democracia amorosa, a partir de exaustivas conversas e tentativas.

O respeito vem das brigas superadas, a maturidade vem com o tempo, méritos e medalhas de uma longa depuração das dissidências.

Casal que não se desentende não é mais casal, e sim uma dupla: um grande e um pequeno, um gato e um rato, um dominador e um submisso, um tirano e um explorado.

Significa que um dos dois se apagou completamente e diz amém para toda reivindicação que surge.

As rusgas, os atritos e as confusões familiares, desde que episódicas, são absolutamente naturais para quem ama. Não é nenhum vexame ou mico. Não é uma exceção. Não é um dia ruim.

Dependem de terapia de casal aqueles que se calam para não ter trabalho, não os briguentos, não os ruidosos, não os exagerados, que encontram um jeito de imprimir o seu posicionamento.

Liberdade não é concordância, liberdade é ter a chance sempre de discordar, de escolher, de se opor, mesmo que seja errado ou inadequado.

Quando vejo um par que se expressa, que se pronuncia com firmeza, que troca farpas, acentuados de algazarra, saio de perto, e não por vergonha, é que não me preocupo, sei que estão bem e juntos, sei que estão protagonizando mais um capítulo de aguda sinceridade.

Já quando reparo em um par obediente, calado, já pressinto que me aproximei de um cativeiro em vez de um lar. Alguém fez um refém e não pediu resgate, alguém explora a bondade alheia e escraviza.

Liberdade numa união é poder defender a própria liberdade.

Já prisão é não oferecer resistência, é desistir de falar, é não comentar nada para não desapontar, é não explicar seus pensamentos contrários.

Idealizamos o casamento como se fôssemos solteiros, e não convivendo com uma pessoa absolutamente diferente, com uma vocação diferente, com um sonho diferente.

Igualar-se mata a relação. O que salva o amor é jamais suprimir a identidade em nome do mais forte.


Publicado no jornal Zero Hora
Revista Donna, p.32
Porto Alegre (RS),  18/10/2015 Edição N°18328

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

RAÇA SUPERIOR

Arte de Marcelino Vespeira

Quer a prova definitiva da superioridade feminina? A mulher tira o sutiã sem tirar a blusa. É um superpoder.

Não existe operação idêntica masculina. O homem não tira a cueca sem tirar a calça, nem tira a meia sem tirar o sapato, muito menos tira a regata sem tirar a camisa por cima.

O que ela faz é mágica, contorcionismo de circo, desenho animado. Ela solta o fecho com uma mão, passa uma tira pelos ombros e braços com a outra, e pronto. Três gestos, três segundos. Pena que não é uma modalidade olímpica.

Utiliza a própria aparência como tenda, como biombo, como camarim, para evitar olhares indiscretos. Troca de roupa sem ninguém perceber. Pode fazer no carro, no trem, no elevador, no restaurante, em qualquer parte.

A impressão é que tem ossos flexíveis, remove o osso do lugar e põe de volta.

Coisas de ninja, de samurai. Aceite apenas que a mulher é uma raça superior, e admire os seus milagres.

Ouça meu comentário na manhã dessa sexta-feira (16/10), na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, com Antonio Carlos Macedo e Jocimar Farina:


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

ACADEMIA: DIFERENÇAS DE UM CASAL

Arte de Eduardo Nasi

Quando um casal se inscreve junto na musculação, paga adiantado um semestre, prevejo que somente a mulher ficará até o final.

A profecia não tem erro. Há sérias diferenças no comportamento das duas criaturas abençoadas pelo matrimônio.

O homem faz um dia de academia e já se sente forte. Já muda seu olhar diante do espelho. Já fala grosso com o zelador do prédio. Já acredita que inchou os seus braços. Já cria pose de halterofilista no banho. Já realiza um rancho em lojas esportivas – calção, meias, camisetas e tênis -, jurando que mudou de perfil. Adquire um potão de 900g de Whey. Já dispara selfies malhando. Já espalha para os amigos que é fitness, desmarca compromissos alegando que não pode adiar a sua corrida na esteira.

A mulher faz a estreia na academia e se sente mais gorda do que nunca. Bate uma tristeza de inverno, uma depressão pelas calorias acumuladas ao longo da relação.  Diferente da ala masculina, ela não se ilude e vê tudo o que precisa perder de peso. Evitará fotografias por um bom tempo, começará greve de sexo, não comprará mais nada até recuperar a forma e é capaz de sair para a rua de burka na manhã seguinte.

Com uma semana, o homem se comporta como um veterano dos aparelhos e dos halteres. Dá dicas e se mete em toda a conversa sobre proteínas e carboidratos. Jura que realizou o maior sacrifício e que se encontra pronto novamente para a sunga. Mal começou e se acha o gostosão, apesar da barriga de pagodeiro. E o incrível é que não sofre de inveja dos musculosos. Pelo contrário, enxerga seus colegas tanquinhos com pena:

- Ai que dó desse sujeito que não pode comer pizza, não pode tomar cerveja, não pode aproveitar a vida.

Com uma semana, a mulher reclama que nem doida dos abusos e sonha em reaver a marca de adolescente. Intensificará o treinamento para recuperar o condicionamento. Vai morrer de inveja de quem esbanja a barriguinha sarada e os glúteos duros – não falará de outra coisa em casa.

Depois de três meses, o homem abandonou a academia de tanto achar que estava bem e a mulher estará cada vez mais linda fazendo ginástica cinco vezes por semana.

Homem é deslumbrado e desiste fácil. Mulher é altamente crítica e não se engana. Jamais se engana com o próprio corpo.







Crônica publicada no site Vida Breve
Colunista de quarta-feira 14/10/2015