terça-feira, 15 de setembro de 2015

A IMPORTÂNCIA DE UMA CARTA

Arte de Karl Brullov

Há gente que nunca recebeu uma carta - acho uma pena. É lindo. É um suspense. Carta está lacrada, precisa abrir sem rasgar o conteúdo, traz aquela sensação do destinatário ser especial, exclusivo de alguém. Como não tem assunto como o e-mail, reforça a curiosidade e a nossa importância de fazer segredo.

Além disso, a carta é quando dedicamos o nosso tempo a alguém. Não há maior declaração de amor do que perder tempo para uma pessoa. É escrever várias vezes até não errar mais, jogar rascunhos fora, definir a melhor frase, caprichar na letra, comprar envelope, ir no correio, selar a correspondência, procurar o CEP.

Tenho pena de quem nunca mandou uma carta. Não viveu aquela ansiedade feliz de esperar para descobrir se a pessoa gostou daquilo que foi escrito. Este intervalo é fundamental para imaginar o outro, sonhar com o outro, amar o outro.

Ouça meu comentário na manhã desta terça-feira (15/9), na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, com Antonio Carlos Macedo e Jocimar Farina: 

CONSTATAÇÕES



Mulher desfruta de larga vantagem na argumentação. Encontra sinônimos para se defender e redirecionar as frases. Espanca o seu namorado com a gramática, esmurra a imobilidade verbal masculina com o dicionário.

Fala tanto que o seu par fica tonto e já não sabe exatamente o que discutiam. São voltas e voltas nas lembranças, reprises e resumos, que ele perde o caminho da conversa.

Mulher é ilusionista dos conceitos, mágica dos eufemismos. Diante do beco sem saída das palavras, termina voando. Enquanto o sujeito caminha, obediente às leis da gravidade, ela alça voo sobre o próprio discurso. Era proibido voar até aquele momento, de repente é permitido e ele que não aproveitou as asas da imaginação.

As regras da retórica mudam a toda hora, não adianta decorar. A lógica é emocional, a coerência é pessoal, não são contendas lineares.

DR para a mulher é equivalente à média harmônica do vestibular: as provas têm pesos diferentes e cálculo secreto.

Quando o homem aponta problemas, ela alega que não aguenta ser criticada. Provoca a maior choradeira, com o pretexto de que ele não para de cobrar e ver defeito em tudo.

A culpa enfraquece a virilidade. O escorpião pede desculpa e se transforma em caranguejo. O homem aprende que não deve reclamar e precisa buscar os pontos positivos do romance.

Mas é sofrer o mesmo que o mesmo não é o mesmo. A lição assimilada não vale mais.

Se ela desfia os erros da relação e o seu parceiro chama a atenção (porque faz o que diz para não fazer), a mulher acha um modo de alterar a natureza da crítica:

– Não é uma crítica, é uma constatação!

Ou seja, ele critica e ela constata, ainda que estejam abordando igual conteúdo. Ela pode destruir o seu parceiro a partir da desculpa que só vem falando a verdade.

Não resta alternativa. Assim como o sarcástico somente brinca, jamais fala sério, assim como o pessimista não puxa ninguém para baixo, é apenas um realista.

Quando for questionado, entenda que a mulher não está colocando o dedo em sua ferida, porém estancando o sangramento. Agradeça que dá menos trabalho.



Publicado no jornal Zero Hora
Revista Donna, p.36
Porto Alegre (RS),  13/09/2015 Edição N°18293

VITIMIZAÇÃO

Arte de Gilles Tran

Já fui muito de reclamar da vida, de qualquer coisa que fugia do combinado.

Não aceitava imprevistos. Estragava algo em casa, reclamava. Ficava em fila, reclamava. Perdia alguma folga do trabalho, reclamava. Tinha virado o chato intolerante: ou é do meu jeito ou é nada.

Ocupava a maior parte do meu tempo contando o que dava errado em meu dia. Já não valorizava o que dava certo. Não sobrava espaço para falar das coisas boas.

Para ser feliz, é preciso se adaptar. Não é porque não aconteceu como desejávamos que não vale mais.

Em vez de reclamar, faça por si e pelo outro, faça por todos, faça diferente, mas faça.

Quem não se melhora piora o mundo.

Ouça meu comentário na manhã dessa sexta-feira (11/9), na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, com Antônio Carlos Macedo e Jocimar Farina:

FRALDAS

Arte de Eduardo Nasi

Quem já não ouviu de alguém mais velho “eu lhe conheci de pequeno, troquei suas fraldas”?

Incomoda a forçação de intimidade, pois o enunciado vem grudado na carranca de quem não recorda sequer do nome. Talvez seja um amigo longínquo dos pais, um tio distante, uma prima de terceiro grau.

A feição é completamente estranha para um apelo íntimo. O susto traz um desconforto existencial, passa a ser tomado daquela reação básica de questionar a veracidade do encontro e verificar se ele não está se confundindo.

Só que não. O intruso trata de soletrar o sobrenome de sua família e descrever exatamente onde morava.

Você se vê recebendo de volta o chocalho de seus primeiros anos, o móbile de seu berço e não reconhece as provas como parte de sua identidade.

O desagradável “lembra de mim?” é uma piada perto do “eu lhe conheci de pequeno”.  O primeiro queima a roupa, o segundo queima a pele.

“Eu lhe conheci de pequeno” não tem escapatória; é uma ameaça, uma afirmação categórica, um mandato ancestral, não gera a esperança da dúvida e a hesitação educada. Não resta defesa plausível. A pergunta se enquadra como a mais chata abordagem familiar. Você não conserva nenhuma memória hábil desta época para se defender, será refém de qualquer coisa que seja dita, mentirosa ou verdadeira. Tampouco interessa a informação nada relevante de que ele já lhe viu querubim, peladinho, numa mesa de trocar.

Não existe jeito de ficar à vontade. Volta ao útero do tempo, ao gel no ventre materno, às ecografias fantasmagóricas. O outro se coloca numa posição superior, de supremacia etária, com a longevidade de um Matsulém, com a infalibilidade de um Raul Seixas que viveu há dez mil anos atrás.

Ele estacionou na vaga de idoso na conversa e não sairá dali tão cedo.

Há no cumprimento uma maldade óbvia: já sei de suas m., afinal troquei suas fraldas. Insinua um inconsciente maldito: você não conhece tudo de seu passado.

O pior é que a frase sempre vem com um risinho histérico, babado, que acentua a paranoia. Não entende o motivo da risada.

O meu ímpeto era responder:

- Está na hora de retribuir a gentileza e trocar as sua fraldas geriátricas.

Mas o humor fracassa, a timidez vence o duelo com a infância desconhecida e somente consigo dizer um vago e misterioso “Mesmo?”, e sou obrigado a nascer de novo e ouvir a história inteira.







Crônica publicada no site Vida Breve
Colunista de quarta-feira 09/09/2015

PARENTE E FAMÍLIA



Sempre me emociono quando reparo o quanto filhos adotivos passam a se parecer com os seus responsáveis. Ninguém diz que foram adotados: o mesmo olhar, o mesmo andar, a mesma forma de soletrar a respiração. Há um DNA da ternura mais intenso do que o próprio DNA. Os traços mudam conforme o amor a uma voz ou de acordo com o aconchego de um abraço.

Não subestimo a força da convivência. Família é feita de presença mais do que de registro. Há pais ausentes que nunca serão pais, há padrastos atentos que sempre serão pais.

Não existem pai e mãe por decreto, representam conquistas sucessivas. Não existem pai e mãe vitalícios. A paternidade e a maternidade significam favoritismo, só que não se ganha uma partida por antecipação. É preciso jogar dia por dia, rodada por rodada. Já perdi os meus filhos por distração, já os reconquistei por insistência e esforço.

Família é uma coisa, ser parente é outra. Identifico uma diferença fundamental. Amigos podem ser mais irmãos do que os irmãos ou mais mães do que as mães.

Família vem de laços espirituais; parente se caracteriza por laços sanguíneos. As pessoas que mais amo no decorrer da minha existência formarão a minha família, mesmo que não tenham nada a ver com o meu sobrenome.

Família é chegada, não origem. Família se descobre na velhice, não no berço. Família é afinidade, não determinação biológica. Família é quem ficou ao lado nas dificuldades enquanto a maioria desapareceu. Família é uma turma de sobreviventes, de eleitos, que enfrentam o mundo em nossa trincheira e jamais mudam de lado.

Já parentes são fatalidades, um lance de sorte ou azar. Nascemos tão somente ao lado deles, que têm a chance natural de se tornarem família, mas nem todos aproveitam.

Árvore genealógica é o início do ciclo, jamais o seu apogeu. Importante também pousar, frequentar os galhos, cuidar das folhagens, abastecer as raízes: trabalho feito pelas aves genealógicas de nossas vidas, os nossos verdadeiros familiares e cúmplices de segredos e desafios.

Dividir o teto não garante proximidade, o que assegura a afeição é dividir o destino.








Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 4,  08/09/2015
Porto Alegre (RS), Edição N°
18288

TEM GENTE QUE AMA AMAR, MAS ODEIA SER AMADO

Arte de Sacha Moldovan

Ame por dois, mas nunca pelos dois.

De repente o outro não é frio ou indiferente, é você que não para de inventar presente e ele não tem nem tempo para responder.

O exagero estraga a espontaneidade.

Dê chance para sua companhia demonstrar amor: não ocupe todo o espaço do relacionamento para agradar.

Fique uns dias sem juras, sem mimos, sem flores, sem bilhetes.

Deixe o outro responder antes de fazer uma nova surpresa.

Quando o carinho é demais e toda hora, há o risco do presenteado se sentir endividado, péssimo, menos, sufocado, sem poder retribuir as delicadezas.

A receita é não querer ser melhor do que o outro, mas ser melhor para o outro.

Ouça o comentário na manhã desta sexta-feira (4/9), na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, com Antônio Carlos Macedo e Jocimar Farina:



UMA CASA NO CAMPO

Arte de Eduardo Nasi

Depois da liberdade sexual dos anos 60, estamos atingindo o tédio sexual. Nunca foi tão fácil transar. É um clique e temos à disposição em aplicativos pessoas interessadas e próximas.

Na web, há um acervo que poderia entreter os mais maníacos. Casas de swing são práticas corriqueiras. Nas baladas, é natural se envolver sem falar o nome. Hoje Édipo nunca saberia que estava se relacionando com sua mãe Jocasta.

Passará vergonha se não guarda chicote, venda, algemas e vibradores no criado-mundo. A privacidade é pública e ninguém mais se escandaliza com nada.

Perdeu a graça dizer expressões safadas no ouvido da mulher. Vadia, puta e cadela formam um repertório inofensivo. Não produz mais cócegas na imaginação. A imoralidade não desencadeia fantasias.

Somos meros animais satisfazendo as suas necessidades mais básicas. Não pensamos o sexo, renunciamos a elaboração de segredos e mistérios.

O que deve acontecer é uma volta ao conservadorismo. Logo mais nos comoveremos com as canelas e os cotovelos. Alimentaremos devaneios com a penugem loira dos braços, ou com a nuca arrepiada.

O que nos restará na cama é retornar ao romantismo, à poesia, às juras de vida a dois, ao cavalheirismo.

Como o erotismo representa a quebra do lugar-comum, a tendência é procurar o oposto dos nossos dias explícitos.

A atração estará residindo na intimidade. O respeito substituirá a falta de pudor.

“Com licença” e “por favor” servirão de preliminares.

Pornografia não seduzirá como antes. O que fará o outro gozar será a promessa de filhos.

- Me engravida!

O compromisso que assustava antes na cama poderá excitar. Verbalizar o desejo de uma casa no campo ou de uma velhice juntos apressará o prazer.

A monogamia dominará o discurso na cama.

- Você é só meu, não transarei com mais ninguém.

A brancura dos lençóis será o equivalente a de um altar.

- Me dê um filho!

E o homem não irá broxar. Pelo contrário, ele se enxergará eleito, exclusivo, único. A perspectiva de ser pai redobrará os seus movimentos.

Já vejo o apelo crescendo até o orgasmo:

- Me dê gêmeos!

- Me dê trigêmeos!

- Me dê quadrigêmeos!

E ambos soltarão gemidos ensandecidos e gritos sonhando com a residência cheia, de cercas brancas e jardim podado.






Crônica publicada no site Vida Breve
Colunista de quarta-feira 02/09/2015

QUANDO A MULHER SE CALA E O HOMEM FALA POR ELA



Quando a mulher fala pelo casal, a relação vai bem. Quando o homem fala pelo casal, a relação vai mal.

Repare, é assustador: o silêncio da mulher é insatisfação; o do homem, contentamento. O silêncio da mulher é repressão; o do homem, aprovação. O silêncio da mulher é angústia; o do homem, recompensa.

Quando os dois estão entre amigos, se o homem não fala e escuta atentamente, está concordando. Se o homem é que fala e a mulher mergulha na mudez, é que está prestes a explodir de raiva.

Homem passivo e mulher dominante são sinais de bem-estar. Homem dominante e mulher passiva são agouros de briga.

A mulher é a porta-voz da felicidade da vida a dois – pois sempre arranca na frente para antecipar as novidades e projetos. Não se furta a dizer a sua versão dos acontecimentos. A loquacidade representa comprometimento e engajamento no relacionamento: discute, debate, intervém, não deixa por menos. Já o homem matraqueando é a versão da tragédia, busca disfarçar tudo o que vem acontecendo de errado e fazer com que todos não percebam a indisposição feminina.

Homem alegre é plateia. Aplaude, ri, meneia a cabeça enquanto testemunha a sua esposa descrever as principais histórias e causos do seu cotidiano. Não sente necessidade de se contrapor à narração, até se vangloria das legendas. Quando entra sozinho no palco, é que fará um monólogo fingido: no fundo, distrai os outros de sua diva contrariada.

Mulher jamais é espectadora, somente se cala em nome da fúria, ciúme ou ressentimento. Não consegue nem mais reclamar. Prende a língua, trinca os dentes, já que se vê numa situação-limite: engatilhada a disparar sarcasmo e ironia a troco de nada, capaz de devolver o mero cumprimento com uma pergunta. Mostra-se educada a ponto de ser lacônica, não quer mentir e se controla.

Não desejava participar daquele momento hipócrita: pretendia resolver tudo antes em casa para depois sair (não é como o homem, que sai para resolver o que não foi compreendido em casa). Sua leveza depende da segurança emocional.

Para ter vontade de se expressar é que se encontra possessa, engasgada, de olhar baixo. Desistiu da esperança do humor. Admite ser dublada porque a sua cabeça e – principalmente – o coração se escondem longe dali.






Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 4,  01/09/2015
Porto Alegre (RS), Edição N°
18279

JANTAR DE GRINGO

Arte de Johann Friedrich Overbeck

Uma das piores invenções sociais foi o jantar americano. Aquele em que cada um se serve e senta em qualquer lugar.

Meu joelho não é madeira: não tem como equilibrar os talheres, o copo, o prato, o guardanapo e ainda fingir que estou feliz. Quando sou obrigado a participar de jantar americano, tenho vontade de pedir o joelho emprestado de minha mulher. Sempre falta apoio.

Não há como ser educado em uma posição indígena.

Levo a comida a sério. É desconfortável fazer refeição pelos cantos, espremido num sofá, desmanchado num pufe, como um mendigo dentro de casa.

Preciso comer na mesa. Em outro lugar será lanche. Pode vir feijoada que será lanche. Pode vir mocotó que será lanche.

Só registro que almocei ou jantei sentado na mesa. Do contrário, passei fome.

Sou adepto do jantar de gringo. Café colonial, eternamente.

Ouça meu comentário na manhã desta terça-feira (1/9), na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, com Antonio Carlos Macedo e Jocimar Farina:

AMIGA PARA SAIR



Homem pode sair sozinho para uma balada e não vai parecer um psicopata.

Pelo contrário, será visto como um caubói, corajoso, livre atirador.

Sempre haverá um balcão para sentar e se mostrar seguro, sempre haverá um barman para puxar conversa e se distrair enquanto o tempo passa. Não depende de matilha e bando para se sobressair. Usufrui de independência para correr riscos, sem a pecha do isolamento, sem a carga social do abandono, sem a obrigatoriedade de uma cumplicidade aos seus crimes amorosos.

Já há um preconceito contra as mulheres.

É ela estar sozinha num bar em alta noite que já recebe todas as suspeitas. É fotografada culturalmente mais do que terrorista lendo jornal em metrô.

Torna-se dependente de uma amiga. Toda mulher precisa de uma amiga solteira. É um item indispensável para alçar voos e mergulhar na boemia.

Não pode somente aceitar o encontro de um homem para uma festa, precisa convencer a amiga, o que não é uma operação simples, mas uma trabalheira.

A aposta de flerte acaba sendo um convite coletivo.

Para um encontro a dois, a mulher recorre a um plano diabólico, a uma operação militar, a um cavalo de Troia.

Tem que cavar atrativos para tirar a sua amiga de casa. No desespero, é capaz de se oferecer para custear o táxi e a consumação. Ou de buscar e levar de volta. Ou de emprestar uma roupa e, inclusive, pagar a manicure.

A ala masculina não faz ideia do esforço de agenda: telefonar sem parar para voluntárias. Pior do que marcar futebol numa segunda-feira chuvosa.

O “sim” para ver alguém logo vira um “e agora, quem vai comigo?”. Bate um terror, uma caça às bruxas, uma acalorada licitação no Facebook.

A mulher é obrigada a trabalhar e ainda achar uma fresta em seu rápido intervalo para efetuar ligações e mandar mensagens e descobrir quem está disponível para a camaradagem e explicar a aproximação com aquele candidato.

Largar a vida de solteira requer primeiro persuadir uma confidente, com nenhum motivo em especial para o programa. Pois o papel da acompanhante não deixa de ser vexatório. Cumprirá a sina de segurar a vela e desfrutar do timing para abandonar a cena de fininho quando pintar uma atmosfera romântica. Sofrerá o constrangimento de se preparar e se maquiar para nada, apenas para atender aos caprichos de uma amizade.

Há grandes riscos de desistir da roubada na última hora e duplicar o caos da interessada.

E o que era difícil – arrumar uma companhia – transforma-se em missão quase impossível – arrumar uma nova companhia em cima do laço.

Mulher sofre para seduzir. Não subestime o que ela enfrentou para estar com você frente a frente.



Publicado no jornal Zero Hora
Revista Donna, p.32
Porto Alegre (RS),  30/08 /2015 Edição N°18279