Transmissão via twitcam da abertura da oficina de crônicas no Espaço Cultural B_arco, que ocorreu na tarde de sábado (14/8). Inscrições para as próximas aulas aqui ou pelo telefone(11) 3081-6986
sábado, 14 de agosto de 2010
ABERTURA DE OFICINA EM SP
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
LUTA DESIGUAL
Aos sábados, gosto de almoçar tarde e quebrar o rigor da semana. Eu e minha namorada escolhemos uma mesa colada às paredes de madeira da cantina.
Sentamos num canto sossegado, romântico, com a privacidade para encostar as pernas a cada declaração. Havia retratos antigos e um cheiro de hortelã que bate qualquer incenso.
Iríamos pedir o prato quando minha namorada saltou: “Vamos trocar de mesa?”.
Coloquei as mãos no tampo para verificar se estava firme, a mesa não estava manca.
— O que houve?
— É Van Damme na tevê.
Não acredito, ela é fã do troglodita Van Damme. Do fisicultor bailarino. Daquelas ações intermináveis em que o herói é maltratado, chora com os olhos arregalados e parte para uma represália vitoriosa.
A televisão de 40 polegadas me anulou. Sugeria com afinco opções do cardápio e a namorada rebatia com desinteresse:
— Pode ser, pode ser.
Não entrava em pormenores para não prejudicar a concentração.
- Agora é o spacatto dele nas cadeiras, vê?
E suspirava, como se o spacatto fosse uma obra de arte, o Davi de Michelangelo.
Cínthya não se limitava a uma audiência silenciosa, discreta, dublava as principais cenas de O Grande Dragão Branco. Antecipava as falas, festejava com uma careta o espirro do sangue que não favorecia o avanço da minha colher no spaghetti ao sugo.
— O melhor amigo dele quase morre espancado, repara na maldade do Chihsing (?). É o início da vingança. Vingança, vingança!
Ela vibrava com os braços, o triunfo da pancadaria dependia estranhamente de sua torcida.
Eu me apavorei: há um homem na alma de minha mulher. Toquei em sua rima labial para procurar buço, não havia nada. Nenhum pelo no rosto. Passei a temer seu passado, sua criação com pôster de Arnold Schwarzenegger na porta do quarto, seu histórico na bilheteria do cinema em Passo Fundo ao figurar como reincidente nas séries Rocky e Rambo.
Em vez de coraçõezinhos e estrelas, especulei que marcava seu querido diário com rifles, bazucas e caveiras. Seus clássicos não eram Casablanca e Love Story, e sim Código de Silêncio, de Chuck Norris, Desejo de Matar, de Charles Bronson, e Operação Dragão, de Bruce Lee. E eu que me considerava insensível pelo excesso de futebol em casa.
Necessito loucamente de um exorcista. Levá-la a um trabalho contundente de magia negra. Acompanhá-la a uma faxina espiritual. Não sei se funcionaria. Na terreira, tenho minhas dúvidas de que aceitaria a Pomba Gira. Baixaria nela o Van Damme e mataria o pai-de-santo com golpes de kickboxing, karatê shotokan, muay thai e taekwondo.
Prometo dar o troco. Ainda vou mudar de mesa para assistir Uma Linda Mulher, meu filme preferido.
Crônica publicada no site Vida Breve
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
REVOLUÇÃO
- Você tem que ensinar ironia para sua filha, me disse o amigo Gustavo.
- Por quê?
- Ela precisa se defender do mundo.
- Não, repliquei. Ironia ela está farta de saber.
O adolescente tem ironia de sobra. Já é sarcasmo. Ironia para superar a separação dos pais, os desentendimentos dos horários, a obrigação dos temas e as escalas para dormir e voltar. Ironia para suportar as reclamações do trabalho dos adultos, a falta de tempo, as sucessivas renúncias inventadas para cobrar o amor de volta.
Mariana de 16 anos conhece de cor e salteada a ironia. Depende disso quando reitero pela terceira vez o que ela deve fazer e peço para ela repetir minha frase para ver se realmente a ouviu. E percebi que não converso há muito tempo com ela, só quero que ele repita as frases. Ela virou aspas da minha cegueira. Não é um diálogo, são ordens. Eu percebo que ela escutou, mas reforço com o objetivo de manter a autoridade, para mandar nela. Ela pressente a tirania e não responde.
Desde quando repetir é educar? Envelhecemos não quando ficamos surdos, e sim quando acreditamos que o filho é surdo e o torturamos com a insistência das perguntas.
Já arrumou seu quarto? Já estudou para prova? Já tomou banho? Que bagunça é essa em cima da mesa? Onde está meu carregador?
Era uma vez não existe na adolescência, são inúmeras vezes uma única ameaça. É um massacre. Um bate-estaca. O que era um pedido transmuda-se em mandamento e depois em chantagem e, no fim, numa briga de portas trancadas. Somos contrários à decoreba na escola, porém não largamos de difundi-la em casa.
Eu tenho que ensinar ingenuidade para minha filha. Ingenuidade no amor. Ingenuidade no trabalho. Ingenuidade nas amizades. Os jovens estão sobrecarregados de pessimismo, receberam nossas desilusões de herança.
Revolução não acontece com cinismo, política talvez. Revolução é feita com ingenuidade. É acreditar mais do que desconfiar. É ir para frente por uma causa ou um sentimento, não prevendo se vale a pena ou se levarão alguma vantagem pessoal. Que fracasse com convicção, mas experimente os próprios desejos. Toda experiência será sempre uma situação de risco.
Ironia não é sinal de maturidade, muito menos ingenuidade é prova de imaturidade.
Porque logo mais minha filha não começará um relacionamento sem a certeza de que dará certo. Não se aproximará de ninguém ao antecipar os possíveis foras e enganos. Não escolherá a carreira predileta devido à instabilidade. Excesso de cautela não é prevenção, é medo.
Nossos filhos não confiam em mais ninguém, nem nos pais, sequer neles mesmos. Foram treinados a não conversar com estranhos, a não fornecer dados pessoais, a não expor suas crenças. Não se arriscam com a seriedade que o idealismo pede. Serão inconsequentes, não corajosos.
Por favor, minha filha, não me escute, vá viver sua vida com vontade.
Publicado na minha coluna
"Primeiras Intenções"
Revista Crescer
São Paulo, P. 119, Número 201
Agosto de 2010
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
JÁ BROXOU?

O homem pode ser tão gentil que se desfaz na bebida para não culpar a mulher pela broxada. A mulher é tão educada que faz de conta que acredita.
Na adolescência, tinha a parceria de Ferrugem nas noitadas. Todo mundo teve um colega chamado Ferrugem. Ou um fedelho na escola chamado Alemão. É uma obrigação constitucional.
Ferrugem contrariava nossos amigos dizendo que não bebia para tornar qualquer mulher atraente, e sim para esquecer seu rosto e atrair as mulheres.
Admirava essa abnegação. Pena que Ferrugem terminava a noite abraçando a privada. De qualquer maneira, ele foi meu herói. Um herói de um final triste.
Talvez tenha vivido para contar sua história e me inventar nela. Já que bebia e me esquecia de tudo, não apenas do meu rosto.
É certo que, desde essa época, eu me preocupo em não usar pijama. Foi um juramento: a impotência viria com o uniforme noturno. Com aquele lençol listrado. Com aquela fronha de corpo.
Deu certo, nunca broxei, o que no fundo me assusta pensando nos debates familiares na boca da churrasqueira. Os tios avisavam: quanto mais cedo broxar, melhor. O homem somente é homem depois que murcha uma vez.
Não decodificava a mensagem – espécie de criptograma Desafio Cobrão. Como a catapora e a caxumba, será que acontece uma vez e não volta? Ou o marmanjo se acostuma com o fato?
Há teorias que não preciso viver para comprovar. Assim como não emprego hipoglós para assadura em minha bunda. Vá que o dedo deslize.
Evitei a contaminação cultural. E o contágio simbolizava botar pijama. Imaginava que o impotente se fardava de pijama azul bebê.
Na minha concepção, macho dependia da velocidade do zíper. Abusar de botões e boca de sino é se aposentar. O próximo passo é aceitar pantufas e transar de meias. O último ato é cantar Julio Iglesias de roupão branco.
Cuido para não ser devorado pelos caprichos.
É o mesmo que sonhar com uma orgia numa banheira de hidromassagem. É tentador, inclusive com as barras laterais para armar acrobacias. Mas não caía na miragem de motel. Relaxamos demais para endurecer. A água quente é LSD natural. A única coisa que levantará da superfície é a bolha de espuma.
Passei a dormir com roupas velhas. Abrigos puídos, cansados do futebol. Preservava as camisas novas e puxava aquelas recusadas do fundo da pilha no armário. Como preferida, escolhia a que recebi de uma campanha de vereador.
Temos somente camisetas de vereadores que nunca foram eleitos e que não votamos. E de três eleições atrás. E com o rosto impresso numa litografia tosca. E com um número derrotado que não serviria sequer para ganhar na loteria.
Realmente não broxava. Com a careta do eterno candidato no peito, quem broxava era minha namorada.
ESTAVA ESCRITO NA BÍBLIA

Rolo Compressor comemora a passagem do Inter para final da Libertadores e Mundial com uma mensagem de fé. Peço que nos acompanhem na reza de agradecimento. São Paulo, Segunda Carta a Timóteo, capítulo 4, versículos 7-8.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
ANDANÇAS EM AGOSTO
Projeto Autores e Ideias/Sesc
Com Marcelino Freire
Local: SESC Paço da Liberdade
(Praça Generoso Marques, 180 – Centro)
Tel.: (41) 3234-4200
11/08 (quarta), Londrina (PR), 19h30
Projeto Autores e Ideias/Sesc
Debate "A narrativa breve na era do Twitter"
Com Marcelino Freire
Local: SESC Londrina – Sala de Espetáculos
(Rua Fernando de Noronha, 264 – Centro)
Tel.: (43) 3378-7800
12/08 (quinta), Maringá (PR), 19h30
Projeto Autores e Ideias/Sesc
Debate "A narrativa breve na era do Twitter"
Com Marcelino Freire
Local: SESC Maringá
(Rua Lauro Eduardo Werneck, 531 – Zona 7)
Tel.: (44) 3262-3232
14/8 (sábado) - São Paulo (SP), 14h
Oficina de crônicas
b_arco
Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426
(11) 3081-6986
E-mail: contato@obarco.com.br
17/08 (terça) - Cascavel (PR), 19h30
Projeto Autores e Ideias/Sesc
Debate "A narrativa breve na era do Twitter"
Com Marcelino Freire
Local: SESC Cascavel – Sala de Eventos
(Rua Carlos de Carvalho, 3367 – Centro)
Tel.: (45) 3225-3828
18/08 (quarta), Pato Branco (PR), 20h
Projeto Autores e Ideias/Sesc
Debate "A narrativa breve na era do Twitter"
Com Marcelino Freire
Local: SESC Pato Branco - Auditório
(Av. Tupi, 405 – Bortot)
Tel.: (46) 3220-1750
19/8 (quinta) - São Paulo (SP), 19h
Bienal do Livro de São Paulo
Debate "Literatura em miniatura"
com Verônica Stigger e Marcelino Freire
Local: Pavilhão de Exposições do Anhembi
(Av. Olavo Fontoura, 1209)
23/08 (segunda) - Carlos Barbosa (RS), 9h
19ª Feira do Livro de Carlos Barbosa
Sou patrono dessa edição
Palestras em escolas na cidade
24/08 (terça) - Carlos Barbosa (RS), 14h e 19h
19ª Feira do Livro de Carlos Barbosa
Palestras
Colégio Santa Rosa
(Rua Assis Brasil, 76)
25/8 (quarta) - Curitiba (PR), 19h30
A Felicidade e a Poesia
Bate-papo com Márcia Tiburi
Projeto Cultural "A Felicidade"
Caixa Cultural Curitiba - Teatro
(Rua Conselheiro Laurindo, 280)
Tel.: (41) 2118-5114
26/8 (quinta) - Canela (RS), 19h30
Aula Inaugural da UCS
"A felicidade não consulta o dicionário"
Núcleo Universitário de Canela UCS
(Rua Rodolfo Schilieper, nº 222)
Tel.: (54) 3282-5213
28/8 (sábado) - São Paulo (SP), 14h
Oficina de crônicas
b_arco
Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426
E-mail: contato@obarco.com.br
30/8 (segunda) - Porto Alegre (RS), 10h30 e 18h
Debate e sarau com os alunos
Auditório
Colégio Estadual Professor Elmano Lauffer Leal
(Rua Tenente Ary Tarragô, 3345 - Bairro Jardim Planato)
Tel.: (51) 3344-4666
31/08 (terça) - Sertãozinho (SP), 18h
8ª Feira do Livro de Sertãozinho
Sou patrono dessa edição
Local: Praça 21 de abril
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
AMEAÇADOS DE EXTINÇÃO
Em passeio ao zoológico com os filhos, quase choro diante do aviso de “extinção” nas placas explicativas sobre os bichinhos. Aquele é um dos únicos animais do mundo e está enjaulado — que sina.
Eu também enrubesço com o extermínio de várias espécies urbanas. O filador de cigarro, por exemplo. Já é complicado encontrar alguém com fogo, imagina pedir um cigarro emprestado. O filador é uma subcategoria do fumante. Como o primeiro é desagradável, o segundo é detestável. Sua existência está fadada ao fracasso.
Outra raça ameaçada é o caroneiro. Peguei excessivas caronas em final de festa na adolescência; era um profissional. No começo, esperava o convite que nunca vinha. Caminhava, lento e sozinho, pela rua escura, aguardando que uma alma generosa percebesse que não tinha carro. Até um flanelinha seria mais chamado do que eu.
Não funcionava a saída chapliniana. Desenrolava o mapa da cidade tão deprimido quanto qualquer assaltante que pudesse confiscar meus trocados. Mais próximo da concorrência da bandidagem do que do papel de vítima.
Tomei gosto pelo desespero e aprendi macetes do ofício. Perdi a vergonha. Avisava de cara a todos no início do encontro que o trânsito estava terrível e que ainda desci na parada errada. Pronto: sabiam que estava a pé. Na hora de perguntar o nome, aproveitava e perguntava onde a pessoa morava. Direto. Tive êxito na empreitada. Cogitei que seria uma vocação e poderia atravessar os continentes com o polegar deitado. Tanto que esqueci os nomes dos amigos, mas nunca seus endereços.
A tática surtiu efeito, mas não consegui manter o sangue-frio. Carregava um remorso misterioso, um mal-estar do abuso. Pensamentos terríveis e incessantes feriam o orgulho e me tiravam o sono. Fazer com que um colega alterasse o trajeto surgia como uma dívida impagável. Agradecia pedindo desculpa. Desejava me livrar do favor. Mal saíamos e dizia que ali estava bom. Sussurrava ao generoso motorista me largar em qualquer esquina. Para o caroneiro, estar perto de casa já é a própria casa.
Assim que tirei a carteira, troquei de figura, encarnei a função avarenta da história. Procurava fugir dos chatos sem veículo nas saídas dos bares e das baladas. Menosprezava o grau de amizade, achava um modo de sumir. Nem me despedia para não gerar propostas. É óbvio que fracassava e ficava irritado. Aparecia um pangaré bem quando voltava com uma garota e usaria o trajeto para convencê-la a ficar comigo. Frustrava meus planos. Não dava para seduzir e ser taxista ao mesmo tempo.
Ou, quando casadinho, gostaria de ir a um motel e traçar uma rota romântica inesperada. O amigo fingia não notar nada de estranho no ar e congelava a preliminar com sua direita e esquerda, direita e esquerda.
Praguejei os pedestres abusados por uma década, criei listas de abaixo-assinado contra suas insistências, invoquei meus direitos.
Minha vingança foi longe demais. Errei a medida. Observo com desalento o término do caroneiro. Dói uma saudade desse componente trágico e avulso da madrugada. Persiste em meu peito uma nostalgia infinita do banco de trás. Os carros estão cada vez menores. Com smart, só há dois lugares. É um reinado, com tronos exclusivos ao rei e rainha. Impossíveis a negociação, o fiado, a vassalagem. É uma avareza explícita.
Logo inventarão um veículo com um único assento, daí será mais fácil e honesto ir de bicicleta.

Crônica publicada no site Vida Breve
terça-feira, 3 de agosto de 2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
CRÔNICAS NA PAULICÉIA DESVAIRADA
Foto de Renata Stoduto(Oficina de crônicas)
Fabricio Carpinejar
de 14 de agosto a 11 de dezembro
de sábados quinzenais
das 14h às 17h
b_arco
RUA DR. VIRGÍLIO DE CARVALHO PINTO, 426
SÃO PAULO - SP - (11) 3081-6986
E-mail: contato@obarco.com.br
A literatura dá tempo para que cada um se descubra. Dá ritmo para que cada um encontre sua voz dentro da letra. Dá força de vontade para que cada um siga a própria vocação.
O premiado autor apresenta suas teorias sobre o fazer literário, como o termo conficções (confissões inventadas), e estabelece uma possibilidade de acentuar a beleza da banalidade, musicar a conversa e pensar com ternura todo detalhe do cotidiano.
Se somos feitos de palavras, quais as palavras que escolhemos ser?
COMPETÊNCIAS
Capacidade para compreender, avaliar e produzir criticamente a natureza da crônica
CONHECIMENTOS
História comentada da crônica: diferenças entre crônica, artigo e conto. A despretensão e a espontaneidade. Simplicidade e surpresa. A leveza não é superficial. Manter o foco. A cozinha do trivial: o assunto é o estilo. Os três E da crônica: Estranheza, Exemplo, Emoção. O detalhe é Deus. Hesitações de uma conversa: a proximidade com o leitor. O ponto de vista minoritário. A importância da poesia na elaboração da atmosfera. O humor no gênero brasileiro: de Sérgio Porto a Luis Fernando Verissimo.
METODOLOGIAS
Exercícios criativos
Debate
Jogos de interação
Produção textual
Para todos os interessados.
Dias 14 e 28/8, 11 e 25/9, 2 e 23/10, 13 e 27/11 e 11/12
Carga horária: 27 horas
Faça sua inscrição aqui.
domingo, 1 de agosto de 2010
INTERIOR
Foto de Fabrício Carpinejar“Minha residência é estar de passagem. Se eu pudesse passaria a vida viajando pelo Rio Grande do Sul e nunca me cansaria. Meu passatempo é encontrar o pastel perfeito em nossas estradas. Não desisto. Tenho um caderninho com indicações dos restaurantes e cotações da massa e do recheio.
Nas andanças literárias pelo interior, só abasteço meu interior. Já encontrei de tudo: um bar com uma placa indicativa na porta: 'Não dê comida aos macacos nas árvores'. Fui espiar e eram macacos hidráulicos espalhados pelos galhos. Pode?
Sim, nossa imaginação é poética. A imagem ao lado vem de Catuípe, pequena cidade a 400 km de Porto Alegre. Dormi num hotelzinho honesto em cima de um posto de gasolina. Tentei dormir até que um trem me despertou de madrugada. E descobri que o sol era seu último vagão."
Publicado no jornal Zero Hora
Informe Especial, p. 3, Túlio Milman
Porto Alegre (RS), 1º/8/10, Edição N° 16414



