sexta-feira, 9 de março de 2012

A ESTREIA

Veja a primeira entrevista do meu novo programa na TV Gazeta. O convidado é o insuperável Tom Zé.

Euforia, algazarra e teatro poético tomaram as engrenagens da MÁQUINA. Acompanhe. Toda terça, 23h30.



DIA INTERNACIONAL DO HOMEM

Repare no olhar vingativo dela. Arte de Gerard Dou

Fui criado pela mãe. Sou um feminista de carteirinha. Tudo bem que a carteirinha está atrasada duas mensalidades, mas sou sócio ainda.

Só que a mulher não quer igualdade, quer tudo. Tudo.

O homem está desaparecendo. É quase um animal extinto.

A mulher assumiu o trabalho.

Sem deixar de assumir a casa.

Sem deixar de assumir a criação dos filhos.

Sem deixar de sair e se divertir.

Sem deixar de planejar as férias e o descanso.

Ela não separa um único espaço para nós, machos, comprovarmos nosso talento. Justificar nossa permanência na terra e no CTG.

Ela manda no lazer. Ela manda no sexo. Ela manda na família. Ela manda no dinheiro.

Agora faz churrasco (e também a salada). Agora ela apita futebol. Agora bebe mais do que a gente. Agora assiste UFC. Agora abre potes de pepino. Agora conserta chuveiro. Agora estaciona em lugares impossíveis. Agora carrega as compras. Agora cospe na rua. Agora palita os dentes. Agora coça o saco. O nosso saco.

Bah, por favor, não demita seu marido, reserve uma tarefa para ele.

Matar baratas, por exemplo.

Finge que não gosta delas, sobe na cama, grita ahhh, por compaixão a nós, homens.

Para mostrar que servimos para alguma coisa.

Não nos tire a coragem de matar baratas.

O chinelo na mão é o que nos restou da macheza.

Ouça meu polêmico comentário na manhã de sexta (9/3), na Rádio Gaúcha, no programa Gaúcha Hoje, apresentado por Antonio Carlos Macedo e Jocimar Farina:

quinta-feira, 8 de março de 2012

NEYMAR E MESSI


A genialidade de Neymar desculpa o fiasco colorado na Vila Belmiro.

O onze santista apagou a zaga de Dorival Júnior, assim como Messi enlouqueceu os alemães do Bayer Leverkusen no mesmo dia.

Será Neymar-Messi a reinvenção da dobradinha Zico-Maradona?

terça-feira, 6 de março de 2012

PERDOE SEUS PAIS

Arte de Giacometti

Gostamos mais de punir do que amar e perdoar. Para reclamar e cobrar, não pensamos duas vezes. Para desculpar, ainda estamos pensando.

Todo marido ou esposa sofre com a separação. É resistir ao transbordamento do ressentimento, acompanhar com pesar a transformação de uma personalidade atenta e interessada em tudo o que você diz para um ente completamente estranho, indiferente e amargo, que mal olha em seus olhos.

Se a antipatia declarada do divórcio já atormenta, não conheço algo mais cruel do que a distância de uma mãe de seu filho. Quando o filho rompe com os pais velhos e demora a fazer as pazes, confiando num futuro infinito para a reconciliação.

Na praia do Cassino, a amiga Berenice, 73 anos, comprou duas casas geminadas, uma para si e outra para seu filho, Juvenal, 39.

O que ela não previa era o estremecimento das relações entre os dois. O boicote filial vem durando quatro veraneios.

Juvenal prepara churrasco, recebe amigos e familiares, brinca com os vizinhos, e jamais convida sua mãe a participar de qualquer festa. Ela fica na varanda, triste e sonolenta, observando a algazarra, mexendo sua cadeira de balanço para trás e para frente.

Juvenal passa de manhã pela residência materna, que é caminho da padaria, e não a cumprimenta nem na ida, muito menos na volta. Atravessa reto, como se ela não existisse, como se fosse um túmulo desconhecido.

Seu desprezo extrapolou a conta. Mesmo que tenha razão em brigar, não há sentido em prolongar a dor de alguém que envelheceu.

Ela experimentou 60 dias na praia com a expectativa de uma retomada dos laços com sua criança grande. E os dias são décadas para a terceira idade. E as décadas são séculos para os cabelos grisalhos.

Não tomava banho de mar para não correr risco de perder o reencontro. Mantinha-se tricotando na entrada, despistando o choro da voz. Uma Penélope do próprio ventre. Uma viúva de suas vísceras.

É um erro forçar que nossos pais mudem de comportamento, é uma tolice educá-los com reprimendas e devolver castigos da infância, é inútil propor que eles concordem com nossas opiniões. Forçar uma retratação não tem sentido. O ódio é apenas um segundo nome da dependência.

O filho sempre será o lado mais fraco, acostume-se, o lado que deve ceder. Não é justo brigar com quem tem o dobro de nossa idade. Podemos guerrear com irmão, virar as costas a um amigo, onde ocorre uma equivalência etária, onde haverá tempo para acertar as arestas.

Mas nunca destrate pai e mãe enrugados. Finja que concorda. Mude de assunto. Não seja o centro da discórdia. Não prolongue o mal-estar. Estar certo não nos acrescenta em importância.

Esqueça o rancor. Antes que a morte seja a última lembrança. E o arrependimento cubra a lápide com a voracidade dos inços.






Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 06/03/2012
Porto Alegre (RS), Edição N° 1700

SIM! NÃO!

Arte de Magritte

"Não sei dizer não, e depois passo dias planejando cancelar o convite.
Eu aceito de cara, sempre, para não desagradar. E crio úlcera, azia, cavando um jeito de não ir e manter a amizade. Como se eu fosse perder a amizade ao negar um pedido."

Ouça meu comentário da manhã de terça (6/3) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, apresentado por Antonio Carlos Macedo e Jocimar Farina:

segunda-feira, 5 de março de 2012

ESTULTÍCIA


O Ministério Público Federal está processando o dicionário Houaiss em funcão dos termos pejorativos da palavra cigano. A ação tramita em Uberlândia (MG) contra a Editora Objetiva. Estão confundindo politicamente correto com censura.

Drummond, com seu poema "A Bunda", pode ser a próxima vítima.

A BUNDA, QUE ENGRAÇADA

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por
sina cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda,
redunda.

Ouça todo meu comentário da manhã de sábado (3/3) na Rádio Gaúcha, no programa Gaúcha Hoje:

CAVALO


Coluna Gente Boa
Joaquim Ferreira dos Santos
Segundo Caderno, Página 3

Rio de Janeiro, 4/3/12
Jornal
O Globo

sábado, 3 de março de 2012

É DOS CARECAS QUE A BOLA GOSTA MAIS


Futebol é ensaio, é fiçcão, é a possibilidade de encontar relações novas e apaixonadas.

Rolo Compressor medita sobre os craques calvos.

"Ser careca é um destino, não uma moda. Não há como imitar um careca verdadeiro. A calvície é um pedido dos hormônios, um mandado do corpo. Há mais raspados do que carecas. Carecas mesmo são os loucos do futebol, de natureza imprevisível e original.

Os samurais. Exibem um conhecimento muito superior a sua idade.  São os sábios da bola. Jedis das chuteiras.

O careca é sempre uma promessa de reencarnação, suspeita de Dalai Lama. É observar um deles em campo que confundiremos com um sênior, um auxiliar técnico.

Ele engana com sua aparência. Sua aparência já é um drible."

Mais aqui.

MISS CULTURA

sexta-feira, 2 de março de 2012

BRINQUE, NÃO BRIGUE

Arte de David Hockney

Minha filha grita comigo, chora, avisa que me odeia, que não agüenta morar comigo e bate a porta do quarto.

Cinco minutos depois aparece para perguntar se está bem vestida, se o cinto combina com a calça.

O adolescente ofende e esquece rápido.

O que é ter um adolescente em casa?

Ouça meu comentário de sexta (2/3) na Rádio Gaúcha, no programa Gaúcha Hoje, apresentado por Antonio Carlos Macedo e Jocimar Farina: