quinta-feira, 31 de maio de 2012

MÁQUINA RECEBE THALITA REBOUÇAS

A Máquina, meu programa na TV Gazeta, recebe a escritora Thalita Rebouças, autora da série "Fala sério!" e recordista de vendas em literatura infanto-juvenil com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.

Foi um típico dia de Alice nos País das Maravilhas, com uma série de fábulas na entrevista: confissões sobre corpo, estrelinha, gritaria e teste sobre celebridades.

Acompanhe a conversa que ocorreu na noite de terça-feira (29/5).

quarta-feira, 30 de maio de 2012

DEFENSORIA PÚBLICA

Em briga de casal, a gente mete a colher de sorvete.

Eu e Cínthya Verri comandamos o quadro Quase Perfeito, no programa Tudo+, da TVCOM. Toda terça-feira, 21h.

É o consultório sentimental aberto aos telespectadores, uma Defensoria Pública do Amor.

Veja o divertido encontro dessa semana (29/5) .


terça-feira, 29 de maio de 2012

MÁFIA

Arte de Rufino Tamayo

Sou brigão. Um Hulk amarelado. Um caixa automático do Procon.

Minha aparência é calma, educada e sensível na maior parte do tempo. Mas é cometer uma injustiça contra mim ou querer me enganar, que enfureço. Subo nos tamancos. Monto no porco.

Babo, esbravejo, cerco a conversa, acelero a fala para não permitir que o oponente pense e revide. Em casa, são folclóricas as refregas com garçons, taxistas e vendedores.

No Súper Trunfo familiar, minha agressividade é 9,5, a campeã absoluta das cartas. Os filhos são os que mais sofrem com os escândalos públicos. Mariana, 18 anos, se cala de cantinho, envergonhada, pedindo desculpa por existir.

Aquele que discute alto deveria ter consideração com seus acompanhantes. Ou, pelo menos, consultá-los antes de tomar uma atitude intempestiva de chamar atenção do restaurante ou da loja ou da rua.

Busquei me reabilitar na última semana. Não me esquentar por qualquer atrito, não estragar o passeio com minha sede de justiça.

Em Belo Horizonte, veio a primeira chance de desfazer a fama. O taxista roubava de modo escancarado. Aumentava o trajeto, costurava rumos desnecessários, salteava entradas com destemor, assobiava malandragem. O trajeto de R$ 10 da ida (linha reta na Avenida Afonso Pena), já resultava o dobro no taxímetro da volta.

Respirava cachorrinho para não latir. As têmporas cresciam, a dor de cabeça aumentava, mas não iria constranger novamente minha filha. Dessa vez, suportaria o erro em silêncio, conteria o ímpeto de pegar a falha em flagrante e exigir explicações. A mão suava, a garganta arranhava de raiva. Repassei o dinheiro para Mariana disposto a evitar o conflito direto, o confronto final, o choque da verdade.

Não desejava sequer ouvir a voz fanhosa do sujeito. Festejei quando saí do carro para pegar as sacolas no porta-malas. Finalmente controlei a fúria, estava curado da maldição, merecia estrelinhas douradas no caderno escolar.

Mas estranhei a demora de Mariana para deixar o táxi. Fui conferir pela janela e ela apontava o dedo e gritava com o motorista, chamava o cara de ladrão, de criminoso, de estúpido, de grosseiro, de nojento. Levantou-se e bateu a porta com força. Lacrou a porta do Sandero. Nunca a vi assim.

– Que safadeza, a corrida custou R$ 22,10 e ele insistiu pelos 10 centavos, não aguentei e explodi – esclareceu.

Nas férias de minha cólera, ela ocupou meu lugar. Bem coisa de máfia.

As maiores brigas de nossa vida acontecem quando defendemos as dores dos outros.




Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 29/05/2012
Porto Alegre (RS), Edição N° 1784

MINHA RITALINA

Arte de Paul Klee

Muitos não entendem meu fôlego, minha disposição. Explico.

Pai não reclama, faz - aprende a realizar duas ou três tarefas ao mesmo tempo, estudar de madrugada, acordar cedo, conciliar dois trabalhos, criar uma maneira de pagar escola, residência, alimentação, futuro.

A paternidade é minha Ritalina. A paternidade é meu guaraná cerebral. A paternidade é meu Red Bull. Meu energético.

Ouça meu comentário da manhã de terça (29/5) na Rádio Gaúcha, no programa Gaúcha Hoje, com Antonio Carlos Macedo e Daniel Scola:

segunda-feira, 28 de maio de 2012

DIVÃ NAS RUAS


Eu e Cínthya Verri, como todo casal alucinado pela verdade, montamos um consultório a céu aberto em Porto Alegre. Humor é ternura.

Confira nossas traquinagens emocionais e intelectuais, prévia do que faremos por escrito todo domingo em Zero Hora.


sábado, 26 de maio de 2012

O CIÚME É COMO UM ANÃO DE JARDIM

Arte de Cínthya Verri

“Boa noite!

Há coisa mais perigosa do que uma namorada ciumenta e pré-menstruada querendo conversar (por torpedo) sobre algo que talvez você tenha feito, mas ela não quer dizer? Já constatei que a melhor defesa é a aceitação. Sim, é uma cilada. As acusações são fruto de mentes momentaneamente alienadas. Agora tenho que sair urgente, o celular apitou, tenho poucos segundos para responder, senão estarei suscetível a uma acusação de descaso. Hehehehehe.
Um abraço,
Eugênio”

Querido Eugênio,

O ciúme sempre é visto como uma alegria no início do namoro. Uma demonstração de pertencimento. Um sinal de que se importa com ela e que pretende dividir a fidelidade. A cena é clássica, você pergunta quem é o sujeito de abraço exagerado, ela repara no seu beiço e grita, vaidosa:

– Tá com ciúme de mim? Ai, que lindo, você me ama.

O ciúme é um “eu te amo” disfarçado.

Depois, quando a relação se firma, o ciúme torna-se um sinal de incompreensão, de abuso de poder.  Não admitimos qualquer suspeita. Uma pergunta sobre nossos hábitos é vista como uma invasão:

– Não confia em mim?

O ciúme passa a ser um “eu te odeio” disfarçado.

Antes, gerava orgulho. Em seguida, produz receio. Curioso, né?

Só que o ciúme não mudou, nós é que mudamos diante dele.

Tenho certeza absoluta que você colabora para justificar o medo dela. Pelo jeito que escreve, gosta que ela arda de ciúmes. O celular apita e você já vibra: é ela, questionando onde está ou por que está demorando.

Não é voluntário, é inconsciente. Ela faz declarações cada vez mais dependentes, assustadas, e você se vê dominando o relacionamento. Na verdade, admira a perseguição, os sucessivos interrogatórios, aquilo que chama de chatice para os amigos. Aposto que demora a dar respostas de propósito. Um homem fica em silêncio por vaidade, para parecer mais experiente e sedutor. Poderia logo desfazer intrigas, mas adora ser confundido com um Casanova.

A honestidade é divertida, experimente. Não faça de conta que ela é louca, que somente ela sofre de insegurança. Somos igualmente possessivos, temos fantasias cruéis e ridículas. Não diga que a insistência dela é fruto de uma mente momentaneamente alienada.

Uma das grandes tentações da relação é usar a fraqueza alheia a nosso favor. É um auto-elogio. Criticamos o comportamento do par com o objetivo de avisar, por tabela, que somos sadios e equilibrados, que não oferecemos motivo para perseguições.

O ciúme é como um anão de jardim. Você nunca verá um anão sozinho. Ele sempre tem companhia.

Abraço com toda ternura,
Fabrício Carpinejar

Querido Eugênio,

Irei direto ao ponto, pois você é um homem objetivo: a aceitação não é a melhor forma de defesa; a aceitação é a melhor forma de ataque.

Não existe melhor álcool para o fogo da briga do que a indiferença. Você vem desprezando o que ela diz, como se fosse sempre a mesma reclamação. Com seu jeito falso carinhoso, você está agredindo sua namorada. “Ela é, no mínimo, paranóica. Eu não, sou um homem elevado, fino, calmo, equilibrado, que jamais se abala por suspeitas infundadas.”

Além disso, Eugênio, você nunca menstrua, não é mesmo? Querido, não desista ainda de ler esta carta. Juro que não quero ofendê-lo. Eu mesma nunca tive muita paciência com as inseguranças dos namorados, cheios de acusações e perguntas de duplo sentido.

Por um lado, as mulheres podem até se sentir importantes. Não recebíamos tantos olhares desde o berçário. Mas é cansativo, você tem toda a razão. Dá vontade de humilhar, de maltratar para ver se o outro aprende.

Só que não há pedagogia no amor. Estamos juntos nessa. A confiança excessiva que você demonstra também é um pouco mentira. Pode ficar furioso comigo, mas você é um grande ciumento disfarçado.

Quando nos comprometemos com outra pessoa, já não somos mais um só. Acontece uma fusão. Sua namorada também deve se questionar diante da própria hesitação. Mas ela tem pago a conta por vocês dois. Ela executa o papel que você não está conseguindo desempenhar.

Duvida? Pois faça o teste: experimente desconfiar dela algumas vezes, assuma o ciúme que você tem daquele colega de trabalho com quem ela se dá tão bem. E observe se a cota de cobranças não fica mais equilibrada.

Beijos meus e até mais,
Cínthya Verri

Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, Caderno Donna, p. 6
Porto Alegre (RS), 27/05/2012 Edição N° 17082

ESCREVA PARA colunaquaseperfeito@gmail.com

sexta-feira, 25 de maio de 2012

FILA DO AMOR

Arte de Edward Hopper

Quem amamos sempre deixamos para depois. Porque é da família e vai entender a urgência de nosso trabalho.

Um minutinho, meu filho./ Já te ligo, amor./ Agora estou ocupado./ É uma ligação importante.

Só que o filho cresce e para de nos procurar.
Só que o pai morre e não descobrimos o que ele queria.
Só que a esposa se cansa da solidão e pede o divórcio.

Reclamamos da fila da Previdência, da fila do SUS, da fila dos bancos. Mas os familiares vivem em fila para serem atendidos dentro de casa.

É a fila do amor que não anda. Do amor que pensa que terá tempo em seguida. O tempo adiante será o mesmo tempo de agora. A mesma falta de tempo.

Filhos pequenos são mendigos em seus quartos, esperando que você desligue o telefone, que você preste atenção.

Maltratamos quem a gente gosta com adiamentos e desculpas. A vida passa e a promessa de conversa não se realiza. E não sabemos o que o nosso menino estudou, o que a mulher criou no trabalho, o que a mãe precisava comentar sobre seu passado.

Abandonamos a família porque desejamos ter calma. Ter folga. Ter férias.

Melhor falar nervoso do que não falar. Melhor um pouquinho junto do que nada. Melhor o rascunho do que a idealização.

Interrompa suas atividades para ouvir a família. Mesmo que seja rápido. Mesmo que seja de qualquer jeito.

A conversa é do momento, a conversa é um momento.

É possível desistir de dizer. É possível perder a vontade.

Não existe como recuperar lembranças.
Cuide da família. Agora!

Ouça meu comentário de sexta (25/5) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, apresentado por Antonio Carlos Macedo e Daniel Scola:


quinta-feira, 24 de maio de 2012

CASAL EM NATAL

Eu e Cínthya Verri estaremos conversando em Natal (RN) nesta sexta (25/5).

16h, Escola Centenário
Palestra com Fabrício Carpinejar e Patrício Jr.
Prazer da leitura
Auditório
(Av. Mal Floriano Peixoto, 295 - Petrópolis)
Entrada franca

19h, Livraria Nobel
Bate-papo com Cinthya Verri sobre "Constantina". Mediação Fabrício Carpinejar.
Sessão de autógrafos de Constantina de Cínthya Verri e dos livros de Carpinejar, dentro da Ação Leitura
(Avenida Senador Salgado Filho, 1782 Tel.: 84 3613-2007)

quarta-feira, 23 de maio de 2012

MÁQUINA RECEBE FÁBIO DE MELO

"Deus é um esporte radical, muitos levam tombos"

É o que diz o padre Fábio de Melo no meu programa A Máquina, da TV Gazeta.

Ele nasceu dois dias depois do 1º de abril.

- A verdade sempre nasce dois dias após a mentira - brinquei.

Leve, feliz, cúmplice, o cantor e escritor refaz sua infância em Formiga (MG) e lembra de seus amores na adolescência:

- Gostava de namorar. Não faltaram mulheres interessantes e opções para se casar.

O bate-papo ocorreu na noite de terça (22/5).

terça-feira, 22 de maio de 2012

HOMEM QUE BROXA AO TRAIR NÃO FOI INFIEL

Arte de Carlo Carrá
 
 
Todo homem que broxa em caso extraconjugal merece o perdão.

Uma escapadela do casamento com broxada não pode ser condenada. É um triunfo da monogamia.

A falta de ereção anula o crime, isenta o desvio, elimina a culpa. É como sessão de cinema no blecaute. Devolve-se o ingresso.

Se ele falhou com outra mulher, não foi infiel. Ofereceu a mais alta prova de adesão a um relacionamento estável.

O encontro não pode mais ser enquadrado como pulada de cerca. Pelo contrário, o sujeito fortaleceu a relação familiar, construiu um muro de proteção de sua intimidade. Negou a pretendente e – broxando – apagou esperança de reincidência.

De modo nenhum deve contrair vergonha do ato, esconder a informação, sonegar a cena. A broxada é uma medalha de honra ao mérito, uma distinção afetuosa, vale como tempo de serviço para as bodas de ouro.

Ao tentar trair e fracassar, demonstrou que realmente ama sua esposa. Foi uma prova incontestável de dependência. Uma declaração absoluta de lealdade. Um atestado de submissão amorosa.

Sacrificou-se para dar o exemplo e não gerar dúvidas de seu estado civil. Levou a aventura às últimas consequências. Testou a libido e recebeu o resultado negativo. Respondeu aos demônios da excitação com o desânimo da carne.

Broxou como quem escreve um testamento, como quem dedica seu suspiro ao quarto do casal.

Não foi fraco de fugir no bar. Não foi covarde de esnobar convite. Não desistiu, caminhou muito além das palavras. Provou mesmo que não queria com seu instrumento murcho, acabado, inofensivo.

Não é pouca a coragem. Recusou Viagra e paraísos artificiais, afrodisíacos e ceras amazônicas.

Num manifesto camicase, explodiu a reputação de comedor por uma causa nobre, a dizer alto e em bom som para sua companhia:

– Não adianta insistir, ninguém me excita a não ser minha esposa.

Desembainhou a espada pela paz, entrou na arena para não lutar. Experimentou a hombridade da rendição, a resistência dos santos no deserto.

Não usou atenuante, não mentiu, sequer fingiu, nem mergulhou no sexo oral para ganhar terreno, assumiu que não estava a fim, que não desejava aquilo, que tinha que regressar ao lar. Com coragem e cara limpa, sem hipocrisia, olhando nos olhos de sua presa.

Rejeitou a outra depois que ela tirou a roupa. Largou o flerte em plena nudez. Humilhou a amante com a frase mais monogâmica do mundo:

– Desculpa, eu não consigo.



Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 22/05/2012
Porto Alegre (RS), Edição N° 1777